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Ainda temos que explicar o óbvio aos executivos


Fonte: Valor Econômico (3 de setembro de 2020 )

Na semana passada, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) divulgou orientações sobre boas práticas que devem ser adotadas pelas companhias abertas nas transmissões ao vivo, as famosas “lives” desta quarentena. O documento lembra que os executivos dessas empresas não podem divulgar informações que não sejam públicas ou que não tenham sido informadas em um Comunicado a Mercado ou Fato Relevante.

 

O texto, entre outras coisas, sugere que essas transmissões sejam realizadas fora de horário comercial e pede que seja divulgado antecipadamente em um comunicado o horário, a data e o endereço de internet em que será transmitida a live que contará com a participação de algum representante da companhia, mesmo que seja um evento organizado por terceiros.

 

O comunicado gerou polêmica. A Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) divulgou uma carta fazendo uma série de considerações sobre esse Ofício Circular (CVM/SEP 07/20), questionando a falta de novidades em relação à Lei já existente e argumentando que o ofício cerceia o processo de informação regulando pela exceção, e não pela regra.

 

Em resumo, se um executivo não pode divulgar em uma entrevista para a imprensa ou em eventos presenciais uma informação estratégica ou de resultados que não foi comunicada ao mercado, por exemplo, ele não pode fazer o mesmo em uma live sob o risco de ser punido pelo órgão regulador.

 

Não quero entrar aqui no mérito do que motivou a CVM a publicar tal ofício, bem como a resposta da entidade do setor, mas usar esse caso para falar sobre relações humanas. Por que ainda é preciso falar o óbvio? Por que um órgão regulador, que tem tantas pautas importantes, necessita vir a público para dizer aos executivos que eles devem se comportar em uma live como deveriam se comportar em um evento qualquer? E por que uma entidade precisa explicar para representantes de companhias o que é uma live, algo que até as crianças sabem?

 

Me questiono se existe uma necessidade inerente de alguns órgãos por cercear e controlar o comportamento humano ou se os indivíduos perderam a noção, ultrapassando fronteiras que sabidamente não deveriam ultrapassar. Ou um pouco das duas coisas.

 

Penso que o mundo está de ponta cabeça. Não deveríamos ter de ensinar ou relembrar profissionais experientes que eles devem agir de forma ética e seguir normas. Mas a arrogância, a ambição, a necessidade de poder e o querer estar no palco fazem com que eles percam a noção e não tenham vergonha de fazer em público o que não devem. Talvez isso se explique a importância de se reafirmar o óbvio.

 

A necessidade de controle e de definição de fronteiras decorre da falta de confiança no bom senso, na atitude e na formação dos nossos líderes. Ao nos darmos conta disso, vimos que há na mesa preocupações maiores e mais sérias do que orientar o comportamento em uma live. Muitas regulações servem, na verdade, para corrigir atitudes de desvios como corrupção, assédio e preconceitos. O problema é que, mesmo assim, com todas as regras existentes, esses desvios continuam acontecendo.

 

Estamos à beira de um colapso social e acredito que vamos precisar voltar aos bancos da escola para reaprendermos a fazer gestão. Temos agora de forma intensa o virtual, os relacionamentos e o trabalho à distância, as novas demandas das equipes, os novos rituais trazidos pela pandemia e tudo mais que implica em uma nova forma de liderar. E, com isso, cada ato novo terá de ser repensado.

 

Mas tem uma coisa que não podemos nos esquecer: mesmo que exista uma revolução nos modelos de gestão, mesmo que mudem todas as regras, a cartilha da ética será sempre a mesma. Sonho com o mundo no qual agir de forma ética e moralmente correta seja para todos, de fato, óbvio.


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