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Mulheres não veem efeito de feedback positivo na carreira


Fonte: Valor Econômico (24 de agosto de 2020 )

 

As executivas brasileiras participam mais ativamente do processo de decisão em situações relevantes para as organizações, embora a tomada de decisão feminina seja mais efetiva em um grupo onde a responsabilidade está “diluída” ou a profissional exerça um papel de apoio à decisão. Do outro lado, homens tendem a ver a liderança feminina como “menos efetiva”. Essa percepção aparece em um novo estudo, realizado com 523 estudantes de MBA ou de uma especialização lato sensu.

 

O estudo também indica que os homens acreditam no princípio da meritocracia para as promoções em empresas brasileiras, enquanto as mulheres têm a percepção de que seu desempenho não é avaliado adequadamente e por isso não acreditam que o bom feedback e as avaliações positivas sejam suficientes para a progressão de carreira.

 

Realizado pela Associação Nacional de MBA (Anamba), em parceria com a Women In Management e com a Robert Half do Chile (que aplica a metodologia naquele país), o estudo ouviu estudantes do MBA da Unigranrio (26,9%), Insper (18,7%), Fecap (12,6%), Saint Paul (11,1%), IMED (9%), FIA Business School (6,9%), Eaesp-FGV (4,6%), ESPM (3,4%), Fipecafi (0,6%) e 6,3% de outras escolas não associadas. Foram analisadas ambições e expectativas de carreira de profissionais, sendo 43,2% deles têm entre 26 e 35 anos, metade trabalha em empresas com mais de 500 empregados, 44% têm filhos e 21,2% das mulheres entrevistadas e 38,1% dos homens são diretores ou pertencem à equipe executiva de suas empresas. Os resultados foram contabilizados a partir de uma média obtida por respostas dadas em uma escala de 1 a 5 – sendo 1 discorda totalmente, 2 discorda, 3 neutro, 4 concorda e 5 concorda totalmente.

 

Na primeira dimensão avaliada pelo estudo, não foram vistas diferenças significativas entre homens e mulheres no que tange à “sentir-se preparado para assumir cargos de maior responsabilidade” (4, 26 na média masculina e 4,08 na feminina). Mas, quando entra o fator gênero, a diferença aparece. Ao serem confrontados se esse fator atrapalha a oportunidade de promoção, a média dos homens ficou em 1,68 e das mulheres em 2,54.

 

“As mulheres se sentem de certa forma que têm menos condicoes de crescerem dentro das empresas, são mais céticas com relação à meritrocracia e acreditam que o gênero é obstáculo para a promoção”, avalia Alessandra Costenaro Maciel, diretora executiva da Anamba e coordenadora da pesquisa no Brasil.

 

O fator maternidade também gerou diferença nas ambições e expectativas. Segundo o estudo, mulheres com filhos possuem médias menores do que aquelas sem filhos no que diz respeito ao desejo de serem promovidas a cargos diretamente superiores ao atual (3,36 versus 3,81) ou assumirem mais responsabilidade do que têm (3,21 versus 3,65). As mulheres de 26 a 34 anos demonstraram a maior dificuldade para conciliação do trabalho profissional e pessoal (2,72), enquanto as com mais de 56 anos concordam mais com a premissa de que suas atribuições são avaliadas adequadamente (3,31).

 

Na análise de estilo de liderança, considerando as diferenças de gênero, o que chamou atenção segundo Alessandra, foi que as mulheres avaliam, em maior proporção do que os homens, o impacto positivo de se ter diversidade de gênero, tanto entre os empregados quando em cargos de direção. Uma equipe de direção mista gera decisões com maior conhecimento de mercado (3,73 na média dos homens e versus 4,13 na das mulheres) e diversidade de gênero entre empregados têm impacto positivo no resultado das empresas (3,64 dos homens versus 4,18). “As mulheres associam mais a tomada de decisão à uma questão de compartilhamento, de decidir em grupo”, diz Alessandra.

 

Em termos de traços de personalidade, a pesquisa indica que os adjetivos associados majoritariamente aos homens foram: “ambicioso”, “severo”, “emocionalmente estável” e às mulheres “agradecida”, “empática”, “dócil” e “carinhosa”. Já os comportamentos mais associados à liderança feminina são “sensível à necessidade dos outros” (92,6%) e “defensora das próprias crenças” (53,6%) e aos homens, “toma decisão com facilidade” (64,7%) e “personalidade forte” (53,6%). “Quem construiu a história de liderança no Brasil foram os homens e, por muitos anos, mulheres tentam imitar atributos da liderança masculina para serem aceitas”, diz Alessandra.

 


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