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Ter competência política não é fazer politicagem


Fonte: Valor Econômico (21 de agosto de 2020 )

A competência política é, em síntese, a capacidade de influenciar os diversos públicos. Por razões didáticas, separo em três grupos: os liderados, ou que têm menos poder do que você; os pares, com poder razoavelmente igualitário; e os que têm mais poder do que você, dentro ou fora da empresa.

 

O foco aqui é o exercício da competência política especialmente no terceiro grupo, dos que têm mais poder que você. Por exemplo na relação do gerente com o diretor, do diretor com o CEO, do CEO com o conselho de administração, deste com o Governo, nas suas diversas instâncias, bem como nas relações entre empresas, no seu ecossistema.

 

Essa é uma qualidade ainda rara entre os executivos de bem. Por que? Eu poderia citar diversas razões, mas vou me ater a uma: eles convivem em diversos ambientes, com pessoas que, visando obter benefícios fundamentalmente individuais, praticam a politicagem “embalada” de competência política e o fazem com ética questionável ou mesmo à margem da lei. Diante disso, muitos executivos de bem preferem tolher-se a passar a ideia de que visam a autopromoção, de que estariam cruzando a linha, afastando a lógica meritocrática. Receios semelhantes, ainda maiores, ocorrem nas relações entre empresas privadas e o poder público.

 

A situação se complica quando essas pessoas que atuam à margem passam a abusar de sua falsa competência política. São ousadas, afinal, o mal é mais ousado do que o bem. Atropelam o que e quem estiver na frente e representar um obstáculo a conquista de seus objetivos pessoais. Diante de qualquer resistência, elaboram histórias de perseguição, torcem e retorcem a ética de suas escolhas.

 

Trata-se de executivos com traços de psicopatia. Agem sempre com inteligência sofisticada, tenacidade e sem trégua, de modo que, muitas vezes, nem mesmo seus chefes percebem. Talvez você pense: “Não sou ingênuo, eu perceberia”. Ou questione: “Isso não faz sentido, não existe psicopatia nas boas empresas”. Sobre esses argumentos, afirmo: existe, sim, como existe o executivo tóxico, astuto, envolvente, hábil que joga sozinho e para si próprio.

 

Quanto mais sofisticada é a organização, mais esses executivos se revestem de capacidade de comunicação e liderança eloquente, impressionando positivamente as pessoas com quem não têm uma relação cotidiana. Fique atento, pois a diferença entre competência política e politicagem é tênue e nem sempre facilmente identificável. O que contribui para diferenciá-las é a intencionalidade. Aqueles que não hesitam em usar os outros, em distorcer dados para encantar, no pior sentido, o “andar de cima”, são no mínimo tóxicos para o “andar de baixo” e os “vizinhos de andar”.

 

Especialmente se você está em posição de escolher pessoas a serem promovidas a cargo de gerência, de direção ou à presidência, aguce sua percepção. Astúcia social, influência interpessoal, habilidade de network e intencionalidade positiva são atributos necessários na escolha.

 

É fato que muitas pessoas competentes e éticas hesitam no exercício da habilidade política com o andar de cima. Consideram que, no tempo certo, a verdade será revelada. Atenção: sabe-se que infelizmente a toxicidade tende a ser percebida e decifrada mais a longo prazo, e a pessoa tóxica conta com isso para sustentar o seu jogo.

 

Se você é um dos muitos executivos bem intencionados em contribuir para que o Brasil seja um país melhor, mas tem dificuldade de articular uma ação propositiva, pense nisso. E aja. Obviamente o exercício da competência política envolve risco, mas perceba: talvez o maior risco seja não exercê-la. Se você que tem intencionalidade positiva, encoraje-se: exerça a competência política que você precisa ter.


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