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OMC vê risco de estagnação no comércio global


Fonte: Valor Econômico (20 de agosto de 2020 )

 

O comércio global de mercadorias sofreu uma queda histórica no segundo trimestre, mas há tanto sinais de uma “recuperação nascente” nas exportações e importações, como também o risco de a economia global passar por uma duradoura recessão. É o que indica o Barômetro do Comércio de Bens da Organização Mundial do Comércio (OMC) divulgado ontem.

 

A OMC nota que indicadores adicionais apontam para altas parciais no comércio mundial e na produção no terceiro trimestre, mas que a força de qualquer recuperação desse tipo permanece altamente incerta. Portanto, uma trajetória em forma de “L”, em vez de “V”, não pode ser descartada.

 

O formato em “L” sinaliza o pior cenário: depois de uma queda brutal, a economia passaria por um longo período de estagnação. Já o formato em “V” aponta o cenário mais otimista, de queda brusca seguida de retomada vigorosa da atividade econômica.

 

O barômetro da OMC visa dar informações em tempo real sobre a trajetória do comércio global. Um número acima de 100 aponta crescimento do comércio acima da tendência de médio prazo, e abaixo uma tendência de contração das exportações e importações.

 

Em agosto, o barômetro mostra uma leitura de 84,5 pontos, 18,6 pontos abaixo da leitura de agosto de 2019. É a maior baixa registrada em dados que remontam a 2007, e no mesmo nível do período da crise financeira de 2008-09.

 

Segundo a OMC, esse resultado do barômetro é consistente com as estatísticas da entidade publicadas em junho, que estimavam um declínio de 18,5% no comércio de mercadorias no segundo trimestre de 2020 comparado ao mesmo período do ano passado. A extensão exata do colapso no comércio só será confirmada no fim do ano, quando estarão disponíveis os dados oficiais do volume de comércio do período abril-junho.

 

Em agosto, todos os componentes do Barômetro permanecem bem abaixo da tendência, com vários registrando mínimas históricas, embora alguns tenham começado a se estabilizar, diz a OMC.

 

Os índices de produtos automotivos (71,8) e frete aéreo (76,5) são os piores já registrados desde 2007. O transporte marítimo de contêineres (86,9) também continua profundamente deprimido. As encomendas de exportação (88,4) mostram sinais de recuperação, com ligeiro aumento. Componentes eletrônicos (92,8) e matérias-primas agrícolas (92,5) têm se mantido relativamente bem, com quedas apenas modestas.

 

As estatísticas de junho da OMC implicam uma queda de 14% no volume do comércio global de mercadorias entre o primeiro e o segundo trimestres. Essa estimativa, junto com a nova leitura do Barômetro, sugere que o comércio mundial está evoluindo em linha com o menos pessimista dos dois cenários traçados em abril, que estimava contração de 13% no volume de comércio de mercadorias neste ano comparado com 2019.

 

Mas economistas da OMC alertam que o impacto econômico da pandemia de covid-19 sugere que as projeções para uma forte recuperação do comércio em forma de “V” em 2021 podem ser excessivamente otimistas. Lembram que a incerteza segue alta e que a crise sanitária vai evoluir, de forma que uma recuperação em forma de “L” é uma perspectiva real. Isso deixaria o comércio global bem abaixo de sua trajetória pré-pandemia.

 

A OMC nota que, em tempos normais, o Barômetro antecipa mudanças na trajetória do comércio global em alguns meses. Mas que a natureza repentina e inesperada da crise do covid-19 pode ter alterado profundamente o comportamento e os padrões econômicos, reduzindo o valor do conjunto de estatísticas de alta frequência (ou seja, diárias ou semanais), por exemplo.


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