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É hora de trocar de emprego?


Fonte: Valor Econômico (19 de agosto de 2020 )

Prezado, Completo 46 anos em agosto. Sou formado em contabilidade, com bacharel em direiro, pós-graduação em direito empresarial e atualmente faço um MBA em Controladoria, Auditoria e Compliance. Recebi uma proposta de emprego, estou aguardando retorno do RH. Trabalho atualmente há 8 meses em uma empresa. É muito arriscado aceitar a proposta e mudar de trabalho no meio da pandemia?”

 

O fato de você estar há 8 meses na empresa conta nesta resposta. Sem dúvidas, é sempre possível mudar, mas há múltiplos níveis de análise a serem considerados para uma boa decisão. Qual seria a principal motivação para a mudança? Melhores perspectivas de carreira? Remuneração? Insatisfação com o ambiente de trabalho em sua empresa atual? Essa questão não ficou clara em sua mensagem e é bem importante ser levada em consideração. Você já é experiente e tem uma boa formação, portanto, não há uma história a perder, e isso é importante na avaliação que farei pela frente.

 

Vou basear a minha resposta na premissa que não se trata de uma grande mudança na vida profissional, mas de se posicionar melhor em sua carreira. O primeiro nível de análise deve ser sempre a motivação para sair da empresa onde está. Você está adaptado à cultura da sua organização atual para sua visão de mundo e seus objetivos? É uma empresa que motiva as pessoas a contribuírem com um propósito comum de futuro e resultado final ou se trata de uma empresa hierarquizada, avessa ao risco e sem visão de meritocracia, que dificulta a inovação e não reconhece os talentos?

 

Esse tipo de empresa (infelizmente a maioria no Brasil) tende a prender seus colaboradores com foco nas tarefas de curto prazo e os impede de trabalhar no seu potencial máximo. Se for o caso, seria importante tentar entender se esses fatores são resultado da liderança local, de uma pessoa específica ou se são realmente traços da cultura empresarial.

 

Portanto, fazendo uma análise fria do contexto para termos uma visão “ecológica do problema”: quais são os fatores internos que estão lhe motivando a mudança? Quais são os fatores relativos à liderança? A partir daí, é importante saber se:

  1. É a característica de um indivíduo que pode estar criando esse contexto (e nesse caso é sempre possível pensar em como reduzir o poder desse indivíduo sobre a sua carreira).
  2. Se é uma característica da cultura que seleciona determinados perfis (nesse caso é razoável supor que não haverá mudanças fáceis, então talvez seja melhor sair).
  3. Se são fatores do contexto (crise econômica do Brasil e a causada pela covid-19 – pois se você está na empresa há 8 meses, 6 desses já foram em contexto excepcional de pandemia). Você disse que é formado em contabilidade e direito, com outra formação em gestão. Analisando esse momento: a pandemia traz novas demandas ou muitas dificuldades para a sua posição na empresa atual?
  4. São fatores do contexto do mercado da empresa (desafios da concorrência ou similares). Neste caso, é importante incluir na análise uma visão dos prós e contras de cada uma das empresas: da que você está e dessa para a qual deseja ir. Melhor perspectiva de carreira? Melhor remuneração? O momento não é muito propício para mudanças. Mas se não há muito a perder e onde você está enxerga mais pontos negativos do que positivos, também não há porque ficar.

 

Levantando os olhos em relação ao tempo presente e olhando um pouco para o futuro, a história nos mostra que depois de longos períodos de crise (e estamos enfrentando a pandemia depois de 5 anos de recessão econômica) há momentos de euforia. É importante prestarmos atenção hoje em como estamos nos preparando para esse momento. Qual das empresas, a atual ou a que você está pensando em ir está mais bem posicionada para esse futuro? Fazer um mapa da situação atual em uma folha de papel em branco deve ajudar a tomar essa decisão. Boa sorte!

 

Por Marco Tulio Zanini 
Marco Tulio Zanini é Professor de Gestão Empresarial da FGV. Sócio da Symbállein Consultoria. Especialista em Cultura e Fatores Humanos na Gestão de Riscos


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