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Consumo de café nos lares gera oportunidades


Fonte: Valor Econômico (19 de agosto de 2020 )
Rachel Müller, diretora da divisão de café da Nestlé no Brasil: cafés especiais no foco — Foto: Carol Carquejeiro/Valor

 

A demanda por café ainda deverá demorar para retomar o ritmo pré-pandemia, mesmo com a reabertura de cafeterias e restaurantes em grandes centros como São Paulo. Nesse cenário, empresas com foco no consumo fora de casa, como a Suplicy, reavaliam estratégias, enquanto gigantes como a Nestlé, mais presentes nas residências, dobram a aposta em grãos de qualidade superior para ganhar mercado.

 

“A expectativa para os próximos meses é de manutenção dos níveis de consumo no lar, mas fora do lar a retomada será lenta”, afirmou o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Ricardo Silveira. Entre novembro de 2018 e outubro de 2019, a demanda no país como um todo alcançou cerca de 21 milhões de sacas de 60 quilos, mesmo patamar do “ano-móvel” anterior. O consumo per capita ficou em 4,76 quilos de café torrado e moído.

 

Segundo Silveira, nos últimos meses a alta do consumo em casa não compensou totalmente a queda das vendas em cafeterias e restaurantes, embora o tamanho da queda total ainda esteja sendo calculado. “Com o incremento das vendas domésticas, as marcas têm tentando explorar a tendência de sofisticação do consumo no lar, exaltando rituais de preparo e a aplicação na gastronomia”, disse.

 

Uma das marcas que têm caminhado nessa direção é a Nestlé. A gigante suíça está investindo R$ 151 milhões em ações voltadas para valorizar as marcas Nescafé, Dolce Gusto e Starbucks em 2020, sobretudo os produtos premium, que respondem por mais de 10% das vendas de café da companhia no varejo.

 

No primeiro semestre, 45% desse aporte planejado, ou R$ 67,9 milhões, já foi aplicado. “Esse mercado continua sendo prioridade, e não abrimos mão dele em razão da pandemia. É um mercado que agrega mais valor para o consumidor e para toda a cadeia: produtor, cafeterias e mestres de torra”, afirmou Rachel Müller, diretora da divisão de café da Nestlé no Brasil.

 

Segundo ela, a receita com as vendas de cafés especiais cresceu 44% no mercado brasileiro em geral desde o começo da pandemia ante igual período do passado, puxada pela demanda nas residências. No caso dos solúveis premium, informou a Abics, o crescimento, em volume, foi de 23,5% no primeiro semestre de 2020, para 30 mil sacas. Segundo a entidade, que representa a indústria de solúvel em geral, houve alta de 10,8% no consumo dos produtos convencionais, para 440 mil sacas.

 

A Nestlé é novata no mercado brasileiro de cafés especiais. A aposta teve início no ano passado, com o lançamento de produtos premium das marcas Nescafé e Starbucks. Desde então, lançou 30 produtos nas duas linhas.

 

Para companhias que dependem das vendas em cafeterias, bares, restaurantes e empresas, contudo, a vida não está fácil. É o caso da Cafés Especiais Suplicy, fundada por Marco Suplicy em 2003.

 

Antes da pandemia, a empresa tinha 25% da receita concentrada nos escritórios de seus clientes corporativos, e a maior parte de suas seis lojas próprias – que respondiam por 60% das vendas, junto com outras 12 franquias e sete cafeterias instaladas em agências do Santander – estão em centros de negócios como a Faria Lima, a Berrini ou a Vila Olímpia, na capital paulista. A principal delas, na Alameda Lorena, teve que fechar as portas em julho.

 

Com o isolamento social, as vendas recuaram 90% no segundo trimestre de 2020 ante ao primeiro. A torrefação, que agora fica no centro de São Paulo e opera conforme a demanda, viu a produção cair para 12 toneladas de grãos por mês. “Nossa expectativa era crescer 40% neste ano, mas acho que vamos encolher 30%”, diz Felipe Braga, CEO da companhia. Ele não nega que o objetivo, no momento, é sobreviver. “É sobre chegar ao fim da pandemia funcionando”, reconhece.

 

Os problemas afetaram toda a cadeia produtiva da Suplicy. O prazo de pagamento aos produtores, por exemplo, foi alongado dos habituais 30 dias para 60 dias.

 

Embora algumas lojas estejam reabrindo à medida que as regras de flexibilização avançam na capital paulista, a maior parte dos escritórios dos clientes corporativos da Suplicy segue fechada, o que a levou a criar um modelo chamado “coffee pass”, em que as empresas apoiam uma “assinatura” de cafés especiais paga pelo funcionário. Esse modelo está em testes com dois clientes.

 

Em meio às dificuldades, a companhia também partiu para vendas online, que cresceram quase seis vezes e estão próximas das de uma loja física. No mês passado, os produtos da marca passaram a ser vendidos no site da Magazine Luiza, além da Amazon. Negociações com outros sites estão em andamento.


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