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Para estrangeiro voltar, governo precisa debelar crise da covid e cuidar do fiscal, diz gestora


Fonte: Valor Investe (18 de agosto de 2020 )

Embora governos do mundo inteiro estejam passando por uma deterioração fiscal como resposta à crise da Covid-19, o fato de o Brasil já sair de um patamar de dívida alto e também ter tido eficiência menor em controlar o surto no país prejudica a imagem do país junto ao investidor estrangeiro. A avaliação é de Daniela da Costa-Bulthuis, gestora da Robeco para o Brasil. Além disso, a profissional nota que o interesse crescente do investidor em relação ao investimento sustentável contrasta com a posição do governo brasileiro na área de proteção ambiental.

 

A gestora holandesa reduziu sua alocação no Brasil este ano e pode diminuir ainda mais, a depender da sinalização do governo sobre seu compromisso fiscal. “Aproveitamos a melhora no mercado para realocar todo nosso dinheiro novo para a Ásia, que tem conduzido a gestão da pandemia melhor que o restante do mundo, inclusive a Europa, onde há várias empresas de tecnologia e IPOs interessantes sendo realizados”, diz a profissional. Outro atrativo, diz, é justamente o país apresentar folga fiscal para manter estímulos emergenciais.

 

No caso da renda fixa, o perfil de juro baixo e alto risco do Brasil deixa o país longe dos preferidos da Robeco. Já na renda variável, nem mesmo o noticiário crescente sobre IPOs e follow-ons que podem acontecer apenas este ano anima “Os IPOs estão muito pequenos. Existe também o fato de que, em dólares, o mercado brasileiro diminuiu muito por causa da desvalorização do real, e isso também reduz a atratividade para o estrangeiro”, diz. “Obviamente, se ocorrerem IPOs maiores, a gente vai olhar. Tudo depende do preço e dinâmica local.”

 

Para o estrangeiro voltar, Costa-Bulthuis diz que Brasil tem que passar uma mensagem muito concisa de que política fiscal não vai deteriorar. “Isso obviamente tira o brilho do caso brasileiro, que já tem uma taxa de crescimento baixa. Obviamente, um juro baixo atrai para a bolsa, mas isso é do ponto de vista do investidor local, que não tem alternativa. O investidor global pode investir em outros emergentes ou mesmo nos EUA”, diz . “Existe também dúvidas sobre se o presidente realmente apoia ou não a política fiscal do ministro da economia. Mas a realidade é que esta pauta é um pouco secundária, o Brasil ainda tentando lidar com a crise do novo coronavírus.”

 

Outra fonte de aversão é a questão ambiental. A Robeco é um dos 29 fundos estrangeiros que, em junho, assinou uma carta ameaçando tirar dinheiro do Brasil diante de “incertezas” com o aumento do desmatamento no país. Após a pressão, o governo se reuniu com representantes do grupo para reafirmar seu compromisso em relação à pauta.

 

“Abrimos um canal de diálogo e, é claro, é preciso conceder algum tempo para haver mudança. Mas os dados do Inpe hoje mostram que não houve melhora concreta ainda”, diz a gestora. Por outro lado, continua, ela diz que houve reação positiva da iniciativa privada.

 

“Independentemente do governo, empresas locais estão tentando se antecipar, até para que, no longo prazo, isso não vire uma restrição de investimento. A questão ambiental deixou de ser um risco de nicho e passou a ser um risco macro.”


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