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Deputados apontam participação da iniciativa privada como imprescindível para aperfeiçoamento da malha de transportes no Centro-Oeste


Fonte: Brasil Export (18 de agosto de 2020 )

 

Os principais gargalos logísticos que encarecem o escoamento da produção agropecuária da região Centro-Oeste e as possíveis soluções para um melhor equilíbrio da matriz de transportes excessivamente rodoviarista foram discutidos em webinar promovido pelo Fórum Nacional Brasil Export nesta segunda-feira, 17 de agosto. Os deputados federais José Mário Schreiner (DEM-GO) e Dr. Leonardo (Solidariedade-MT) apresentaram seus pontos de vistas e concordaram que a participação da iniciativa privada na administração, manutenção e construção da malha de transportes é imprescindível para que o Brasil se torne mais competitivo em âmbito internacional.

 

Presidente do Conselho do Centro-Oeste Export e diretor-executivo do Movimento Pró-Logística de Mato Grosso, Edeon Vaz Ferreira foi o moderador da atividade digital. Ele destacou a importância da articulação política na organização dos investimentos em rodovias, ferrovias e hidrovias e disse que, apesar de “sermos craques da porteira para dentro, ainda temos muito o que melhorar da porteira para fora, ou seja, nas questões logísticas”.

 

Embora reconheça que a infraestrutura de transportes seja uma questão inerente ao Estado, José Mário Schreiner enfatizou que o Brasil não tem, no momento, capacidade de investir para alavancar o desenvolvimento do setor de transportes. “Aqui em Goiás, por exemplo, temos problemas com o escoamento da produção em rodovias em péssimo estado de conservação. Precisamos nos abraçar e buscar soluções, por isso o Fórum Brasil Export é de fundamental importância. Não resolve só cobrar do Governo, embora essa pareça ser a atitude mais fácil”.

 

Ele defendeu privatizações e concessões de ativos de infraestrutura à iniciativa privada e traçou um rápido panorama sobre alguns dos principais trechos rodoviários que necessitam de intervenção para atendimento à produção do Centro-Oeste. Um caso emblemático é o trecho da BR-364/060 entre Jataí (GO) e Rondonópolis (MT). Audiências públicas para a duplicação da rodovia tiveram início em 2015, mas até o momento a obra ainda não foi viabilizada. O Governo do Estado de Mato Grosso estima que 5 mil dos seus quase 7 mil quilômetros de estradas asfaltadas necessitam de urgente manutenção. Esse trecho da BR-364, inclusive, foi o primeiro a ser pavimentado em território mato-grossense, em 1973, estabelecendo uma ligação fundamental entre Cuiabá e outros importantes polos do País.

 

Em situação similar está a BR-452, no trecho entre Rio Verde (GO) e Itumbiara (GO). A rodovia já passou por diversas intervenções de recuperação no asfalto e na sinalização, mas continua sendo alvo de críticas por parte de produtores e caminhoneiros. A reivindicação de duplicação, entretanto, jamais foi atendida. O ideal, afirmou Schreiner, é que seja concedida para acelerar o processo de implantação de novas faixas. O parlamentar também citou o trecho da BR-153 entre Anápolis (GO) e Palmas (TO), cuja concessionária abandonou a administração e agora necessita ser relicitada.

 

 

Esse conjunto de obras e a implantação de estradas de ferro, assegurou o deputado federal pelo DEM e técnico em Agronomia, são essenciais para reduzir o valor do frete no transporte da produção agropecuária do Centro-Oeste, hoje muito mais alto se comparado aos preços praticados na Argentina ou nos Estados Unidos. “Não sabemos até quando o produtor rural vai dar conta de tirar essa diferença na competitividade de sua produção”, indicou Schreiner, que classificou o assunto como um dos mais urgentes a ser administrado pelo seu mandato e pelo Congresso Nacional.

 

O deputado Dr. Leonardo, por sua vez, propôs um pacto nacional para que o setor de infraestrutura conte com investimentos contínuos e de longo prazo, possibilitando maior planejamento por produtores e agentes públicos. Ele também citou as dificuldades na manutenção das rodovias, muito extensas para conectar as áreas produtivas aos mercados consumidores e aos portos brasileiros.

 

“E como financiar isso? Esse é o grande desafio. Não tenho dúvida que é aumentando a participação do setor privado. Temos que ter coragem no Congresso e discutir temas que são quase tabus. É inadmissível a burocracia atrasar investimentos por questões legislativas que não fazem sentido no atual cenário”, afirmou o deputado Dr. Leonardo.

 

O parlamentar disse ser necessário melhor distribuir a movimentação das cargas entre os modais de transporte. A Ferrogrão, por exemplo, é uma das “meninas dos olhos” do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, e poderá viabilizar um eficiente corredor ferroviário de exportação da produção brasileira pelos portos do Arco Norte. O projeto faz frente à expansão da fronteira agrícola brasileira e à demanda por uma infraestrutura integrada do transporte de cargas. A ferrovia faz parte do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e o seu leilão está previsto para o primeiro trimestre de 2021. Dr. Leonardo também citou a construção de uma nova estrada de ferro, a FICO (Ferrovia de Integração Centro-Oeste), em uma região carente de alternativas ao modal rodoviário. O trecho entre Mara Rosa (GO) e Vilhena (RO) é estimado 1.641 km de extensão e proporcionará alternativa no direcionamento de cargas para os portos do Norte e do Nordeste, principalmente aquelas produzidas em Goiás, Mato Grosso e Rondônia.

 

A base eleitoral do deputado federal é Cáceres (MT), cidade que conta com uma estrutura portuária na margem esquerda do Rio Paraguai paralisada desde 2012. As operações, observou, Dr. Leonardo devem ser retomadas em breve após concessão do terminal à iniciativa privada em atendimento aos apelos de produtores rurais da região. “Ainda precisamos de mais sinergia e organização para possibilitar que todos os setores envolvidos [com infraestrutura logística] estejam afinados”, concluiu, enfatizando a relevância das iniciativas do Brasil Export.


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