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Pandemia acelera adesão de companhias ao Pacto Global


Fonte: Valor Econômico (6 de agosto de 2020 )
Lilian Rauld, head de diversidade da Sodexo, que realizou projeto com a Acnur, da ONU, para acolher refugiados — Foto: Divulgação

 

A pandemia gerou um efeito inesperadamente positivo sobre o mundo corporativo: aumentou o número de empresas comprometidas com o Pacto Global da ONU, conjunto de ações do setor privado que ajudam a avançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Projetos voltados à inclusão de minorias, conservação do meio ambiente e redução de desigualdades nas organizações vêm ganhando espaço nas agendas das empresas nos últimos meses. “Em 20 anos trabalhando com sustentabilidade, nunca vi tanta mobilização como agora”, afirma Carlo Pereira, secretário executivo da Rede Brasil do Pacto Global da ONU.

 

Lançado em 1999 pelo então secretário-geral Kofi Annan, que enxergou potencial de comprometimento das empresas com pautas sociais e ambientais, o Pacto Global já vinha ganhando relevância nos últimos anos. O Brasil é um mercado-chave para a iniciativa e representa a terceira maior rede do Pacto Global, crescendo tanto em número de participantes quanto em nível de engajamento. Desde 2015 até março deste ano, a rede brasileira cresceu 70% e alcançou 850 signatários – outros 100 se uniram nos últimos quatro meses, depois da pandemia. As empresas que aderem ao pacto se engajam voluntariamente, por meio de uma carta do CEO ao secretário-geral da ONU, e a partir deste momento passam a reportar avanços em cada um dos itens com os quais se comprometeram.

 

O avanço do contágio do novo coronavírus não somente acelerou a curva de signatários como criou uma nova frente de trabalho, o Covid Radar, que reúne mais de 40 empresas em torno de projetos sociais, compartilhamento de informações e monitoramento de dados. “Cada semana, fazemos uma chamada virtual com 40 a 50 CEOs, onde falamos dos compromissos em relação a trabalho decente, relação justa com pequenos fornecedores e outros temas ligados aos ODS”, afirma Pereira.

 

O Pacto Global cobre dez princípios, que vão de respeito aos direitos humanos a responsabilidade ambiental, passando por ações contra corrupção (ver arte). Uma das empresas-membro do Covid Radar é a SAP Brasil. Desde o início da pandemia, a companhia liberou acesso gratuito a ferramentas com foco em gerenciamento de trabalho remoto de colaboradores e ajudou governos a monitorar a população em suas demandas de saúde relacionadas à covid-19. A SAP Brasil já era signatária dos WEP (Women’s Empowerment Principles), os princípios de empoderamento das mulheres da ONU, e vinha se comprometendo com metas específicas de inclusão e igualdade de gênero na empresa.

 

 

Cecilia Marshall, diretora de marketing influencer e líder da rede Business Women’s Network da SAP Brasil, explica que nos últimos anos a empresa vem criando redes de voluntários que trabalham com temas de diversidade e inclusão. “Temos grupos de LGBT, gerações, raça e etnia e pessoas com deficiência”. No tema de inclusão de mulheres há desde programas de apoio à carreira de mães, que inclui mentoria para essas profissionais e treinamento de seus gestores, até projetos de atração e formação de jovens talentos.

 

“Colaboramos com ONGs de meninas em vulnerabilidade social para conversar sobre possibilidades de carreira em áreas como ciência e tecnologia. A ideia é inspirar as jovens para que elas possam enxergar futuro e empoderamento na profissão”, diz Cecilia. A chegada da pandemia não alterou os compromissos na área de igualdade de gênero, e a empresa investiu parte do orçamento de responsabilidade social em projetos como produção e doações de máscaras e coleta de material hospitalar, além de incentivar doações dos funcionários a projetos de impacto social.

 

Carlo Pereira, do Pacto Global, explica que a crise causada pela pandemia potencializou a tendência de que cidadãos e consumidores cobrem mais posicionamento das empresas sobre temas sociais e ambientais. “Se por um lado, a população passou a ter mais expectativas em relação às companhias, por outro, os próprios líderes empresariais se engajaram para organizar doações e frentes de trabalho”, afirma.

 

Um dos membros dessa força-tarefa foi o Bradesco, que este ano, como resposta a covid-19, ampliou seus projetos de sustentabilidade. Durante a pandemia, o banco realizou parcerias com outras instituições financeiras para importar testes rápidos para detecção do coronavírus e viabilizar a produção de máscaras para a população.

 

Também signatário do Pacto Global no Brasil desde 2006, o Bradesco continuou a desenvolver ações em áreas de diversidade e inclusão distintas, como gênero, orientação sexual, etnia e pessoas com deficiência. “Temos 26% dos funcionários afrodescendentes, 61% em posições de liderança”, afirma Glaucimar Peticov, diretora executiva do Bradesco. Parte dos resultados de inclusão se deu por ações afirmativas, oferecendo desde complementação acadêmica, estágio e formação a grupos como afrodescendentes e pessoas com deficiência. “O banco está ainda mais engajado com a promoção da agenda após a pandemia, pois entende que será essencial para a retomada de uma economia mais resiliente e sustentável”, afirma.

 

Em junho deste ano, já com a curva de contágios em ascensão, a Sodexo formou a primeira turma do projeto “Somos Todos Cuidadores”, uma parceria da empresa com a Acnur, a agência de refugiados da ONU. A iniciativa é complementar a outro projeto da Sodexo, o Empoderando Refugiadas, que desde 2015 qualifica mulheres – e também alguns homens – de países como Síria, República Democrática do Congo e Moçambique para o mercado de trabalho brasileiro. Além de atender a um grupo fragilizado, o programa fala de mudança cultural e questiona o preconceito.

 

Lançado há cinco anos, exigiu um trabalho prévio de sensibilização de gestores e funcionários. “Na época, havia pouca informação sobre o que era um refugiado. Fizemos uma campanha para engajar as pessoas a acolhê-las e ajudá-las a se integrar na sociedade”, diz Lilian Rauld, head de diversidade e inclusão. Com a experiência, a Sodexo desenvolveu manuais para facilitar a adaptação dos refugiados, com dicas sobre documentação e cultura brasileira.


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