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Canal do Panamá apresenta panorama de operações e demonstra desafios para ampliar conexões marítimas com o Brasil


(5 de agosto de 2020 )

 

Videoconferência organizada pelo Fórum Nacional Brasil Export promoveu nesta terça-feira, dia 4 de agosto, importante conexão entre a Autoridade do Canal do Panamá e dirigentes de companhias docas e lideranças empresariais de destaque em território brasileiro. O Brasil não figura entre os 15 países que mais utilizam o canal de navegação panamenho como passagem para operações de transporte marítimo. O valor dos fretes, de acordo com as autoridades brasileiras, é um obstáculo para estabelecer rotas regulares, em especial para embarcações que transportam soja. O assunto, pela importância estratégica, dominou as abordagens da atividade digital. O especialista em Comércio Internacional e vice-presidente de Negócios de Trânsito da Autoridade do Canal do Panamá, Javier Ho, explicou ser desafiador estabelecer condições especiais para que os portos brasileiros passem a utilizar o “atalho” como facilitador para o comércio com países asiáticos. Segundo o palestrante, a legislação local dificulta a criação de facilidades para países em específico, afinal as condições comerciais devem ser as mesmas para todos os clientes do Canal.

 

expansão do Canal do Panamá foi inaugurada em 26 de junho de 2016 e, desde então, o empreendimento oferece uma importante alternativa para conexões marítimas, especialmente no continente americano. Os principais usuários do Canal em 2019, segundo apresentação de Javier Ho, foram os Estados Unidos, a China e o Japão. O Panamá controla o Canal desde 31 de dezembro de 1999 e oferece uma opção para conexão, em especial, entre portos no Pacífico, no Atlântico e no Golfo do México. O canal artificial tem cerca de 80 quilômetros e conta com altura máxima de 26 metros acima do nível do mar. Também em 2019 a rota que mais registrou operações foi entre a Ásia e a Costa Leste dos Estados Unidos, responsável por 33,2% das operações.

 

A quantidade de embarcações que navegam pelo canal, indicou Javier Ho, mantém regularidade nas últimas décadas, porém a tonelagem movimentada pelo transporte marítimo cresce vertiginosamente devido ao uso de embarcações com cada vez maior capacidade. Em 2019, as cargas mais movimentadas no Canal foram petróleo e derivados, contêineres e granéis (incluindo soja).

 

Embora o preço do frete não favoreça o crescimento do fluxo de transporte de soja do Brasil para a China através do Canal, há melhores oportunidades, apontou a Autoridade do Canal do Panamá, para envio de grãos com destino ao Japão, à Costa Oeste da América Central e à América do Sul. A Costa Oeste dos Estados Unidos, a América Central e o Japão representam as melhores perspectivas de aumento de cargas movimentadas pelo Brasil no Canal do Panamá, em especial envolvendo serviços de cargas carregadas em contêineres.

 

O Canal do Panamá enfrenta dificuldades de atendimento a grandes embarcações no período de poucas chuvas na região, em especial de janeiro a março. Isso porque o baixo índice pluviométrico faz com que o nível de água da área que permite o funcionamento do Canal seja reduzido e diminua a profundidade máxima autorizada para o tráfego de navios. “Estamos fazendo estudos para solucionar esse problema da água”, explicou Javier Ho.

 

Importantes portos brasileiros como Itaqui (MA) e Suape (PE) estabeleceram recentes acordos de cooperação técnica com a Autoridade do Canal do Panamá para identificar formas de viabilizar parcerias e utilizar o Canal para criar rotas marítimas competitivas. O entrave do frete, todavia, prejudica planos de transporte de granéis como soja e milho, commodities que o Brasil se estabelece como principal exportador mundial.

 

O palestrante enfatizou que a Autoridade do Canal do Panamá estuda como viabilizar acordos para receber nova rotas com origem no Brasil, mas encontra obstáculos na legislação local, em especial empecilhos para garantir redução de tarifas específicas. “Sempre é um tema que estará em discussão. É difícil atrair carga do Brasil pelo Canal. Esta é uma realidade”. De acordo com ele, a negociação de tarifas deve respeitar regras estabelecidas pelo comércio internacional, sem beneficiar particularmente países ou blocos econômicos. “Esse termo negociação, citado por vocês, é um importante detalhe. Temos que ter cuidado com esse termo. Não podemos favorecer um país em relação a outro. Vamos seguir estudando as possibilidades de mercado. Não quero elevar expectativas, é difícil, mas vamos seguir estudando”.

 

Brasil e sua logística pelo Canal do Panama

 

(Texto: Bruno Merlin)


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