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Austrália, Japão e Hong Kong têm novas ondas de infecção por covid-19


Fonte: Valor Investe (27 de julho de 2020 )
Getty Images

 

A Austrália registrou apenas alguns novos casos de covid-19 no início de junho, enquanto Hong Kong passou três semanas sem detectar uma única transmissão local do vírus naquele mês. O Japão já havia suspendido o estado de emergência em maio, após a cifra de novos diagnosticados ter caído para apenas algumas dúzias nacionalmente.

 

Na última semana, porém, os três registraram novos picos nos números diários, mostrando o quão difícil é controlar a doença, mesmo em locais que agiram com rapidez e decisão contra a pandemia.

 

Um passo em falso pode rapidamente reverter semanas de confinamento. Especialistas em saúde pública dizem que alguma complacência após um longo período sob medidas de distanciamento social é inevitável.

 

Na Austrália, o Estado de Victoria registrou 484 novos casos há cinco dias, quebrando o recorde nacional, que havia sido estabelecido em março. Hoje, o número diário de infecções subiu para 532, com grande concentração em Melbourne, a capital regional.

 

“Nós registramos apenas dois casos em 9 de junho, há menos de seis semanas, e isso mostra o quão rápido os surtos podem ocorrer e se espalhar”, disse o vice-chefe do Escritório de Saúde da Austrália, Michael Kidd.

 

Desde a data citada por Kidd, Victoria já acumulou 7 mil novos casos da covid-19. Segundo as autoridades estaduais, a maior parte das transmissões pode ter sido causada por funcionários que não aderiram aos procedimentos de controle de infecção em hotéis que hospedam viajantes que retornam do exterior. Desde então, surtos surgiram em escolas e casas de repouso.

 

“Claramente, houve uma falha na operação desse programa [de quarentena de viajantes em hotéis]”, disse o primeiro-ministro de Victoria, Daniel Andrews, no fim de junho. As violações de protocolo estão sendo investigadas pela Justiça.

 

Melbourne, a segunda cidade mais populosa da Austrália, está há três semanas em um novo confinamento. Usar máscaras ou proteções faciais em áreas públicas é obrigatório. Ainda assim, o número de infecções está na casa das centenas e continua crescendo.

 

“Estivemos perto de eliminar o vírus de toda a Austrália”, disse Adrian Esterman, professor de Bioestatística da University of South Australia. “Estávamos a uma unha de distância de conseguir, e isso aconteceu”.

 

Para o professor, se o número de casos se mantiver nos atuais níveis, ficará impossível para que as equipes de rastreamento de contatos com infectados realizem seu trabalho.

 

O Japão viu um ressurgimento similar. A média de casos nos últimos sete dias quadruplicou neste mês em Tóquio, chegando a 258 no domingo. Em todo o país, 981 casos foram registrados na última quinta-feira. Mais uma vez, o governo está recorrendo à rede hoteleira para colocar os infectados em quarentena, após liberar a maior parte dos quartos que havia sido requisitada durante o primeiro surto.

 

As autoridades dizem que muitos dos novos casos foram diagnosticados em jovens que frequentaram distritos conhecidos pelo movimento noturno em bares e boates. Mais festas e aglomerações contribuíram para a disseminação.

 

Na semana passada, o governo do Japão se antecipou para lançar uma campanha de reembolso de US$ 10 bilhões para promover o turismo doméstico. Agora, com o aumento de casos, viagens a partir de Tóquio e para a capital estão excluídas.

 

Questionado sobre a possibilidade de uma segunda onda, o primeiro-ministro do país, Shinzo Abe, disse em comunicado que o governo defende um equilíbrio entre uma reabertura econômica e a contenção do vírus.

 

“A situação é significativamente diferente da que vimos durante o estado de emergência em abril porque muito dos novos casos envolvem pessoas jovens e os hospitais não estão superlotados”, disse ele. “[O governo] manterá vigilância suficiente contra a propagação de infecções”.

 

Enfrentando a perspectiva de uma recessão prolongada após um ano de protestos antigovernamentais, o governo de Hong Kong deu a cada adulto com visto permanente para viver na cidade US$ 1.290 para ajudar na recuperação da economia.

 

Em 16 de junho, as autoridades locais suspenderam as restrições sobre reuniões em casa, restaurantes e academias. Os casos de transmissão local desapareceram até cinco de julho.

 

Desde então, Hong Kong acumulou mais 1.300 casos, 87% deles transmitidos localmente. Poucos dias depois após a entrega do dinheiro aos residentes, as autoridades reintroduziram as restrições em academias, bares e restaurantes.

 

Especialistas dizem que erros cometidos pelo governo, como a permissão para que alguns viajantes, como pilotos, tripulações de companhias aéreas e navios de carga, não cumprissem a quarentena obrigatória de duas semanas exigida dos que vinham do exterior pode ter contribuído para a nova onda.

 

A cidade enfrentou a primeira onda de infecções no fim de janeiro, quando o vírus foi trazido a Hong Kong por visitantes vindos de Wuhan, na China, o primeiro centro da pandemia. Em março, uma segunda alta de casos atingiu a região, quando viajantes e estudantes retornaram do exterior.

 

As restrições ficaram mais duras após o último surto. Viajantes vindos de vários países, entre eles os EUA, estão agora em uma lista de regiões de alto risco e terão que mostrar um teste negativo antes de embarcar para Hong Kong. É também preciso mostrar uma reserva em hotel antes de voar para a cidade.

 

“O problema é que temos muitas pessoas isentas [de cumprir a medida]”, disse Leung Chi-chiu, presidente de comitê consultivo da Associação Médica de Hong Kong sobre Doenças Transmissíveis.

 

Entre abril e meados de julho, 161 mil pessoas que chegaram à cidade foram beneficiadas pelas isenções, segundo dados oficiais, não sendo obrigadas a cumprir a quarentena exigida dos demais viajantes.

 

As autoridades de saúde locais identificaram recentes surtos vinculados a pelo menos nove motoristas de táxi e suas famílias. Outro foco de infecção está ligado a um grupo de pessoas que frequentou um mesmo restaurante. Seis tripulantes de seis navios diferentes que atracaram em Hong Kong também estavam com o vírus. Também há casos confirmados entre funcionários de companhias aéreas, obrigados a realizar exames desde o último dia 8.

Hoje, Hong Kong proibiu encontros de mais de duas pessoas, determinou que restaurantes deixem de atender o público pelos próximos sete dias e informou que exigirá uso de máscaras em todos os locais públicos. O governo local também pediu ajuda da China para ampliar a capacidade de testagem na cidade.

 

O cansaço com as medidas de distanciamento social também teve um papel importante no crescimento dos casos em Hong Kong, segundo Joseph Tsang Kay-yan, especialista em doenças infecciosas. Os moradores da cidade vivem sob restrições há mais de seis meses.

 

Já na Austrália, especialistas em saúde pública apontam que a rapidez com a qual o vírus foi contido e a baixa taxa de mortalidade podem ter contribuído para uma sensação de complacência quando a segunda onda chegou, apesar das constantes advertências do governo.

 

Na semana passada, o premiê de Victoria informou que quase 90% das pessoas contaminadas neste mês não se autoisolaram durante o período entre o surgimento dos sintomas da doença e a realização de um teste. Mesmo depois de fazer o exame, mais da metade continuou sem evitar contato com outras pessoas enquanto aguardava o resultado.

 

“Fingir que acabou, porque todos queremos que acabe, não é a resposta. É, na verdade, parte do problema”, disse ele.


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