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Colheita de algodão avança sem sustos e baterá recorde


Fonte: Valor Econômico (24 de julho de 2020 )

Se a próxima temporada (2020/21) de algodão está cercada por incertezas e já tira o sono dos agricultores, que nesse mercado costumam fazer sua programação com anos de antecedência, a colheita da safra atual transcorre sem sustos e com bons resultados, embora o escoamento de uma parte da produção ainda esteja com situação indefinida.

 

Com aproximadamente de 25% da área total já colhida, a produção deverá bater um novo recorde histórico neste ciclo 2019/20. Segundo as mais recentes estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), foram cultivados 1,7 milhão de hectares, 3,1% mais que em 2018/19, e sairão dos campos 2,9 milhões de toneladas de algodão em pluma, com um avanço de 4% na mesma comparação.

 

 

 

Como no caso de soja e milho, Mato Grosso também lidera a produção brasileira de algodão. No Estado, onde o plantio é realizado basicamente na segunda safra, depois da colheita de soja, até sexta-feira passada a colheita alcançou 14,5% da área destinada ao cultivo em 2019/20, que totalizou 1,1 milhão de hectares, superando o ritmo da safra passada mas ainda um pouco abaixo da média dos últimos cinco anos, de acordo com informações do Instituto Masto-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

 

E, segundo informações repassadas por produtores, a qualidade tem se mostrado acima da média. “Os relatos que temos é que a qualidade é tão boa ou superior à do ciclo passado, já que não tivemos problemas com o clima”, afirma Cleiton Gauer, gestor técnico do Imea.

 

Na Bahia, 26,8% da área estimada em 313,5 mil hectares já foi colhida, com produtividade média de 304,4 arrobas por hectare. Os trabalhos no campo estão fluindo em linha com a média das últimas safras. Conforme Júlio Busato, presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), em torno de 70% da produção, estimada em 570 mil de toneladas, já foi negociada de forma antecipada a preços entre 68 centavos a 70 centavos de dólar po libra-peso.

 

“É um valor relativamente bom, se considerarmos o patamar atual e também que nosso custo é 60 centavos de dólar por libra-peso. O produtor vai sair desta safra no azul, ainda que com um ganho pequeno”, diz.

 

De acordo com Élcio Bento, analista da Safras & Mercado, entre 60% e 70% da produção nacional já está vendida, sendo que 50% desse total foi negociado antes da pandemia, com preços mais atrativos que os atuais. “O trunfo do produtor neste ano é ter negociado um volume elevado da safra com preços anteriores ao coronavírus”, afirma.

 

Segundo o analista, ainda que o dólar não esteja tão valorizado quando há alguns meses em relação ao real – quando rondou o patamar de R$ 6 -, o produtor que ainda tem a pluma da safra 2019/20 para negociar segue em condição favorável, porque o dólar continua fortalecido.

 

“Quem ainda vai comercializar a safra custeou a produção com o dólar a R$ 4 e vai vendê-la com a moeda americana a R$ 5”, destacou o analista da Safras Mercado. “A situação para a safra atual é tranquila o produtor está ganhando com a venda do algodão”, acrescentou Bento.

 

Se nas lavouras a safra está melhor do que a encomenda, a situação se complica quando o assunto é armazenagem, já que o escoamento da safra anterior continua a ser uma missão digna de oração para Nossa Senhora Desatadora dos Nós. “Há produtores estocando a nova safra no pátio das propriedades já que o escoamento da produção (de 2018/19) está muito devagar”, afirma Busato, da Abapa.

 

Os fardos que não são armazenados nos galpões ou armazéns são cobertos com lonas para evitar que a chuva prejudique a qualidade da pluma. A prática é conhecida pelos cotonicultores, mas, segundo especialistas, está sendo utilizada para volumes maiores que os habituais.

 

Outro problema é que as entregas de parte dos contratos negociados estão sendo adiadas devido à paralisação de indústrias têxteis por causa do novo coronavírus. O atraso é maior no Sudeste e no Nordeste, onde a colheita está mais adiantada.

 

“Nos próximos meses teremos que monitorar se está ocorrendo o reagendamento dos contratos. Se esse problema de escoamento está acontecendo com a produção da safra passada, há grandes indícios de também vai ocorrer na atual”, afirma Gauer, do Imea. Segundo ele, as vendas da safra que está deixando o campo em Mato Grosso vão ganhar força nos meses de agosto a outubro.

 

De acordo com Busato, a recente ampliação do limite da linha de Financiamento para Garantia de Preço ao Produtor (FGPP), de R$ 4,8 milhões para R$ 32,5 milhões por CPF, deverá garantir o fluxo de caixa dos produtores enquanto a questão não é solucionada. “Isso vai demorar um pouco para se ajustar, mas vai acontecer. A questão é que dependemos dessa entrega para receber”, afirma o dirigente.


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