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“Ainda não vimos o pior relacionado ao vírus”, afirma CEO da BlackRock


Fonte: Valor Investe (20 de julho de 2020 )
Divulgação

 

“Estamos testemunhando uma grande mudança psicológica em relação à covid-19, com o mundo se movendo do medo e da compaixão para um mundo mais pragmático”, afirmou o CEo da BlackRock, Larry Fink, que participou da Expert XP. Segundo o chefe da maior gestora do mundo em ativos sob administração, com mais de US$ 7 trilhões, o sentimento mudou mesmo em um momento no qual o ritmo de disseminação da pandemia ainda acelera.

 

“Ainda não vimos o pior relacionado ao vírus”, disse. “A infecção agora está muito mais alta do que qualquer dia em março, no mundo agora mesmo a taxa de infecção está acelerando”, acrescentou.

 

O pragmatismo deriva da experiência, segundo Fink. Ao mesmo tempo, os investidores ficaram mais otimistas com a quantidade recorde de estímulos monetários e fiscais injetados nas economias.

 

“Esse suporte sem precedentes das políticas monetária e fiscal realmente elevou os mercados financeiros. Embora as taxas de desemprego ainda sejam altas, seriam muito piores se não houvessem as iniciativas.

 

Fink lembrou uma situação que ilustra a mudança pela qual passa o mundo. No início da pandemia, em março, “as pessoas estavam preocupadas com viabilidade de uma empresa tão grande quanto Boeing e havia conversações de que que a companhia precisaria de suporte federal”.

 

Após o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) anunciar os programas de compras de ativos e estabilizar os mercados, entre fim de março e abril, “a Boeing conseguiu levantar US$ 25 bilhões de dívida no mercado de capitais, conseguiu estabilizar seu futuro financeiro e a ações mais que dobraram em relação às mínimas de março”.

 

Para Fink, “a grande questão, que ainda não sabemos, é se continuaremos pragmáticos em relação à curva da doença”. Nesse cenário, há incertezas ainda sobre a viabilidade de pequenos negócios e setores mais atingidos pelo isolamento social, como restaurantes, turismo e eventos.

 

Segundo o CEO da BlackRock, “essas respostas serão dadas nos próximos dois a três meses”. Se não houver a retomada dos pequenos e médios negócios, se iniciativas de isolamento forem retomadas ou se prolongarem mais, pode haver defaults e aumento de inadimplência. “Se isso ocorrer, eu diria que o mercado de capitais colocou o carro à frente dos bois.”

 

De acordo com Fink, em conversas com clientes ao redor do mundo, a gestora identificou “uma quantidade sem precedentes de liquidez em alguns balanços de companhias no momento e, além disso, muitos investidores estão segurando investimentos”. O CEO da BlackRock diz haver um “um tremendo ‘pool’ de dinheiro esperando para ser investido”.

 

Conforme Fink, o problema é que “se os números da mortalidade da doença continuarem a subir poderemos ter outra reversão na economia e milhões de pequenos negócios estarão em dificuldades”.

 

Perguntado sobre sua defesa da sustentabilidade expressada na última carta a clientes, Fink explica ser um ambientalista, “mas escrevi [a carta] como capitalista”. O executivo conta que, em conversas em todo o mundo, os clientes perguntam sobre como pensar a mudanças climática nos portfólios.

 

“Acredito que a pandemia é um risco existencial para nossa vidas e saúde. E o risco existencial da covid-19 é o mesmo da mudança climática.” Segundo Fink, “nos EUA estamos vendo evidências: quem vive em áreas com risco de incêndios ou enchentes é mais difícil fazer seguro, por exemplo, é uma realocação de capital”.

 

Esse despertar para a sustentabilidade, no entanto, têm diferentes graus entre os países e regiões, avalia o executivo. “Os europeus dizem que mudança climática é um risco social e estão mudando a forma de investir em todo lugar; nos EUA temos áreas que acreditam totalmente e algumas negacionistas; na América Latina temos o mesmo fenômeno: alguns governos mais focados e outros que negam.”


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