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“Não é por trabalhar remotamente que as pessoas estão mais digitais”


Fonte: Valor Econômico (16 de julho de 2020 )

A pandemia do novo coronavírus acelerou tendências discutidas há anos em termos de transformação digital e, no âmbito do futuro do trabalho, demandou com mais força competências comportamentais e de adaptação dos profissionais. “Não é que as pessoas estão mais digitais por trabalharem remotamente ou reunir-se por videoconferências. Mas elas aprenderam que precisam de novas habilidades para lidar com o ‘mundo híbrido’, onde as ferramentas digitais ganham mais evidência e amplitude para empresas, sociedade e trabalho”, afirma José Cláudio Securato, CEO da Saint Paul Escola de Negócios, em entrevista à editora do Valor, Stela Campos, na série de lives ‘Carreira em Destaque’.

 

Diante desse cenário, que exige soluções complexas, é preciso rever a forma como os profissionais obtêm conhecimento, conectam novas habilidades e trabalham em grupo. “Em programas sêniores, que incluem executivos do C-Level, víamos muito que uma discussão em grupo, que tinha o intuito de trabalhar a colaboração, acabava virando uma competição de quem fala melhor. Mas a colaboração que os novos tempos exigem não é negar ou apenas questionar o outro, é trocar conhecimentos para construir algo juntos”, diz Securato. No home office, o executivo diz que as empresas precisam continuar estimulando que profissionais, de áreas distintas, continuem desenvolvendo projetos colaborativos, mesmo que remotamente.

 

Com o avanço da inteligência artificial, com os negócios se vendo à frente de cenários imprevisíveis até para a liderança e com a transformação digital ganhando amplitude, os profissionais precisam desenvolver a capacidade de aprender constantemente, de resolver problemas complexos e de se adaptar frequentemente para trabalhar, juntos, em uma nova lógica. “A gente está saindo de um mundo vertical, bem clássico da ciência e da administração, onde predominava a hierarquia e quase tudo tinha um manual sobre como deve ser feito. A empresa inteira era gerida dessa forma mais engessada. Mas hoje, em um mundo mais horizontal, essas referências não existem. Não existe a receita de bolo para resolver um problema”, afirma.

 

Em sua visão, o lado positivo para lidar com um mundo do trabalho permeado de incertezas é que há ferramentas tecnológicas que permitem agora que as pessoas diversas conectam e construam soluções e projetos criativos. “Os projetos mudam e continuarão mudando de rota o tempo inteiro. Vão ter cada vez menos aqueles com começo, meio e fim bem definidos e resultados conhecidos. E os profissionais precisam aprender a redesenhar essa rota constantemente”.

 

Com relação às habilidades técnicas que esse novo mundo mais digital exige, Securato diz que é importante ter uma noção de programação, “assim como lá atrás era exigido noções do pacote office”, mas que os profissionais que estão à frente são aqueles que cultivam uma boa visão sobre inteligência artificial. “Não precisa ser especialista em inteligência artificial, mas conhecimentos que te ajudam a ler o tratamento de dados é extremamente relevante. Porque o centro de tudo, dessas novas tecnologias, está na capacidade que a humanidade ganhou de captar e organizar uma quantidade enorme de dados em uma velocidade muito maior. Mas precisamos saber ler esses resultados”.

 

Securato também defende que é preciso exercitar o pensamento crítico, no sentido de conectar informações de diversas fontes e se capaz de construir a própria visão e opinião do mundo e dos fatores ao redor. “Hoje o senso crítico ganha um peso maior em toda a sociedade porque todos nós precisamos, de uma forma ou outra, com a pós-verdade [pessoas que leem e estudam e colocam sua opinião como verdadeira, mas não são especialistas] e com as fake news [notícias falsas]”, diz.

 

Outra habilidade é o protagonismo no processo de aprendizado, um fator descrito tecnicamente por Securato como “heutagogia”. “Tenho falado com vários líderes de RH e há uma visão maior nas empresas de que não é preciso pegar o funcionário pela mão e mostrar o que ele precisa estudar ou qual treinamento in company deve fazer. Eles buscam pessoas capazes de montar sua trilha de conhecimento e querem ajudá-las neste modelo. Até porque quando pensamos: o que temos que aprender para o futuro? Tem muita coisa que sabemos e outras que nem temos ideia de que precisamos. Mas quem sabe aprender a aprender, aprende qualquer coisa”.

 

Assista à entrevista na íntegra:


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