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Evolução da covid em SP está mais favorável


Fonte: Valor Econômico (15 de julho de 2020 )

 

A evolução dos números da covid-19 em São Paulo sugere que os esforços do governo estadual no combate à pandemia tiveram efeitos positivos, sobretudo na capital. A trajetória de mortes e casos da doença tem mostrado um comportamento mais favorável, assim como o recuo na taxa de ocupação de leitos de UTI no Estado. A reabertura da economia, porém, causa apreensão nos especialistas em saúde pública.

 

Neste mês, a média móvel de sete dias de mortes na cidade de São Paulo está na casa de 85, depois de ter atingido quase 110 no fim do maio. No Estado, a média está próxima a 253 – 8,3% abaixo do pico de 276 alcançado em 23 de junho.

 

A taxa de ocupação de leitos de UTI da covid-19 indica um quadro de maior folga. Na Grande São Paulo, por exemplo, está na casa de 65%, tendo atingido 92% em meados de maio. Profissionais da rede privada de hospitais também relatam um quadro mais tranquilo (ler mais abaixo).

 

Na visão do infectologista David Uip, membro do Centro de Contingência do Coronavírus, Estado e prefeitura acertaram ao construir em parceria, logo no início da crise de saúde, um planejamento “prático” para o enfrentamento à pandemia, que, na avaliação do infectologista, foi “o melhor dentro do que era possível fazer” – considerando aspectos socioeconômicos e de acesso à capital, por exemplo. “Fazer um ‘lockdown’ não é simples, são mais de 1.700 ruas na Região Metropolitana dando acesso à cidade, São Paulo tem aproximadamente 300 favelas. Então considero que houve acerto, na forma e no tempo”, avalia. “Mas o Plano São Paulo permite ida e vinda, todo mundo vai ter que cumprir o combinado”, diz Uip, reconhecendo que a abertura embute riscos e sem descartar a possibilidade de algumas regiões voltarem a fechar.

 

A média móvel de sete dias do número de casos e de óbitos no município de São Paulo mostra quedas ligeiras e intercaladas, que se refletem também numa gradual redução do total de óbitos. Nesse sentido, a epidemia parece caminhar para o que especialistas chamam de estabilização ou platô, alicerce da reabertura em curso. No período de 5 a 11 de julho, o total de mortes no Estado ficou em 1.706. Foi a terceira semana de queda. O número de novos casos, que chegou a quase 8 mil na média móvel de sete dias em 25 de junho, está hoje próximo de 7.400.

 

O aumento da capacidade hospitalar para pacientes graves foi um dos fatores apontados por técnicos como instrumento de mitigação importante, sendo um incentivo ao Estado a prosseguir com o Plano São Paulo de reabertura. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, em janeiro deste ano, o Sistema Único de Saúde (SUS) em SP contava com 6,3 mil respiradores e 3,5 mil leitos de UTI para adultos. Em conjunto com municípios e gestores de saúde regionais, a pasta ativou mais 4,6 mil novos leitos de UTI, que contaram com a distribuição de outros 2,5 mil respiradores para hospitais de referência para casos graves.

 

Para Adriano Massuda, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), São Paulo se saiu bem ao compreender sem demora a gravidade da pandemia. “Ele [João Doria] e outros governadores tiveram posições muito diferentes da do governo federal, ao identificar rapidamente os riscos, adotar medidas para enfrentá-los e orientar a população”. Massuda afirma, porém, que em razão da insuficiência de testes, os indicadores mais adequados para refletir a realidade das epidemias são os totais de internações e óbitos. A contabilização de casos, lembra, está sujeita à testagem. Mas essa capacidade ainda é comprometida no Brasil.

 

“Reduzir de 179 óbitos, que foi o pico de óbitos por dia, em 23 de junho, para 100, por exemplo, não significa que a epidemia está sob controle. Uma grande redução seria cair, por exemplo, para 20 ou 10 mortes por dia num período sustentado. Aí, sim, poderíamos dizer que entramos em outra fase. A pandemia está se estabilizando em São Paulo, mas num patamar ainda alto.”

 

Médico sanitarista da Fundação Oswaldo Cruz, Claudio Maierovitch ressalta os requisitos da Organização Mundial de Saúde (OMS) para flexibilizações mais amplas do distanciamento social como pontos que deveriam ser seguidos no Brasil. “Resumem-se a chegar a um estágio de transmissão controlada, com queda sustentada de casos, ter um sistema de saúde apto para tratar casos graves, garantir a redução expressiva do risco de novos surtos por rastreamento eficiente de casos, ter medidas de prevenção bem estabelecidas nos locais de trabalho, no transporte e em locais públicos, ter controle do risco de importação de casos do estrangeiro, e contar com o engajamento da população”, elenca ele, que enfrentou a emergência do zika vírus quando foi diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, entre 2011 e 2016.

 

Mas, para Maierovitch, mesmo Estados que avançaram mais na resposta à pandemia, como São Paulo, só se aproximaram mais das duas primeiras condições. “São Paulo, como outros Estados, teve o mérito de assumir a responsabilidade do planejamento nesse enfrentamento frente ao completo descompromisso e à falta de ação do governo federal. Isso se refletiu no confinamento e na organização da assistência, por exemplo com a construção de hospitais de campanha e aquisição de equipamentos essenciais para salvar vidas. O Hospital das Clínicas é algo emblemático, pois se transformou na maior UTI do planeta dedicada à covid.”

 

Para Massuda, a reabertura da economia deveria ocorrer de forma mais gradual. “Já há redução de casos, mas não é possível afirmar que chegamos a um estágio de segurança sanitária suficiente para a abertura geral, que na prática é o que está acontecendo. Sem um número maior de testes para monitorar eventual aumento de casos, só será possível detectar na alta da demanda hospitalar, o que é arriscado, pois pode ser tarde demais para a adoção de medidas de controle.”

 

Epidemiologista com formação pela Fiocruz, Daniel Soranz se distancia um pouco dos colegas ao dizer que não era mais possível adiar a reabertura prevista no Plano São Paulo, sob risco de banalização das medidas de quarentena. “Há queda no número de casos e óbitos em São Paulo, o que dá segurança maior para esse movimento de forma controlada”, afirma ele, especializado em políticas públicas.

 

Ex-secretário municipal de Saúde do Rio, Soranz ressalta a importância de o poder público rever políticas segundo necessidades comunitárias e de regiões com pouca estrutura de saúde. “A pandemia vai caminhar para regiões com baixa infraestrutura hospitalar. Em várias comunidades de São Paulo, vimos que não houve achatamento da curva.”

 

Na visão de Maierovitch, a queda na transmissão do vírus se deve exclusivamente à redução da atividade, por isso há um equilíbrio frágil. “A curva não despencou, há uma ligeira inclinação para baixo.” “O consenso científico é que a reabertura tem que ser feita liberando poucas atividades por vez, para ser possível avaliar os impactos a cada duas semanas.” Para ele, seria menos custoso e mais eficaz para o país ter feito logo um “lockdown” – um confinamento mais restritivo. “Mas também não houve unicidade nacional para isso, nem respaldo do governo federal, o que é importante.”


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