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Navio histórico pode afundar e causar danos no porto de Santos


Fonte: Valor Econômico (13 de julho de 2020 )

 

Navio Professor Presidente Besnard corre o risco de afundar no Porto de Santos (SP) — Foto: Ibama

 

Um navio histórico utilizado para pesquisas oceanográficas, construído e lançado ao mar em 1966, virou motivo de preocupação no porto de Santos, no litoral sul paulista. Atracado desde 2008, o Professor W. Besnard apresenta estado crítico de conservação e corre risco de afundar.

 

O principal temor do Ibama e da Santos Port Authority (SPA), responsável pela gestão portuária, é de que a embarcação possa acarretar impactos ambientais e sérios prejuízos para o canal de navegação do porto, que já sofre com a redução da profundidade.

 

No último ano, a falta de condições para atracação gerou sobrestadia — multa cobrada por exceder o tempo de permanência em um porto conforme estipulado na carta-partida.

 

“Se a situação piorar, a embarcação poderá ir para o meio do canal e causar um prejuízo enorme a navegação. A maior preocupação, claro, é com o impacto ambiental. Hoje ele é um risco por completo”, disse a agente ambiental Ana Angélica Alabarce, chefe do Ibama em Santos.

 

O problema foi detectado na última semana após uma vistoria realizada pela SPA em conjunto com o Ibama. Na ocasião, verificou-se um processo de adernamento, ou seja, de inclinação para um dos lados da embarcação. A situação piorou devido a uma grande quantidade de água acumulada em razão de um furo ou fissura.

 

O navio apresenta sinais de abandono, com uma série de buracos ocasionados por corrosões, além de diversos pontos de ferrugem e musgo.

 

“O navio está em situação deplorável, totalmente sucateado. Facilmente uma chuva ou a movimentação de um navio maior poderia acarretar no tombamento completo. Estamos tentando conter”, explicou Alabarce.

 

Para a operação foram instaladas barreiras e contratado um equipamento específico, vindo do Rio de Janeiro, para a retirada de água. Há tensão pela possibilidade de vazamento óleo.

 

“Desde 2018 cobramos a retirada do navio do cais, pois seria necessário muito dinheiro para recuperá-lo. É um processo muito lento, não temos respostas do proprietário”, afirma a agente do Ibama.

 

Ainda não há previsão para o encerramento dos trabalhos. A operação é realizada em conjunto com a Marinha.

 

Pelo risco iminente, a SPA disse que autuou Fernando Liberalli, do Instituto do Mar (Imar), responsável pela embarcação, determinando providências. O Imar declarou não possuir recursos financeiros para viabilizar a operação de remoção da água contida no interior do navio e outros reparos.

 

Os custos e outras medidas realizados são feitos pela autoridade portuária e serão, posteriormente, pedidos como ressarcimento ao proprietário.

 

O navio tem 49,3 metros de comprimento. Ele realizou uma série de expedições para a formação de pesquisadores e coletas de material para estudos científicos, sendo um dos pioneiros em pesquisas brasileiras na Antártica.

 

Desde 2008, após um incêndio, está inoperante. A embarcação pertencia ao Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP). Posteriormente, foi doada a Ilhabela, que pretendia afundá-la e transformá-la em um recife artificial. Em 2019, a prefeitura de Ilhabela doou ao Instituto do Mar, que afirmava ser possível recuperá-lo.

 

Em 2016, o Imar anunciou um projeto idealizado pelo Sindicato dos Trabalhadores Aquaviários do Guarujá e Região (Sintagre) para que o navio fosse utilizado como escola de navegação para marinheiros e um museu aberto à visitação. De acordo com o diretor financeiro do sindicato, Aloísio Matos, 44, Liberalli nunca mais deu retornos sobre o projeto.

 

“Conseguiríamos muita mão de obra, poderíamos gerar estágio para aquaviários, mas, desde o falecimento do nosso presidente, não temos mais contatos”. A reportagem do jornal “Folha de S. Paulo” tentou contato com Fernando Liberalli e com o Imar, mas não obteve resposta.


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