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Boas notícias para um novo jeito de trabalhar


Fonte: Valor Econômico (9 de julho de 2020 )

Um experimento recente realizado por uma consultoria norte-americana mostrou que dar uma abordagem intencionalmente positiva dos fatos ajuda a elevar a autoestima dos funcionários – enquanto a exposição constante a notícias negativas aumenta o nível de cortisol no organismo e pode causar um impacto pesado na saúde mental dos indivíduos.

 

Pode parecer fora da realidade falarmos em focar nas notícias positivas em meio à maior crise sanitária e humanitária da nossa história, com a população lidando com a morte de milhares de pessoas diariamente, além das perspectivas sombrias do ponto de vista econômico, um mundo de consumo e trabalho em transformação e um cenário político desanimador.

 

Mas, da mesma forma que especialistas recomendaram meditação, terapia e adoção de hobbies para lidar com o isolamento, o estudo da pesquisadora na área de liderança Paola Cecchi-Dimeglio apontou que há ações concretas de comunicação que podem ser realizadas pelas lideranças para enfrentar os efeitos das más notícias de forma a elevar a confiança e autoestima dos empregados.

 

A consultora realizou uma pesquisa com mais de 3.000 empregados de uma única companhia, localizados em diferentes partes do mundo. Foram identificadas demandas de bem-estar de acordo com as regiões, equipes e níveis hierárquicos, o que ajudou a compreender as necessidades dos grupos para se adaptarem às mudanças recentes no ambiente corporativo, em especial a transição para o trabalho remoto. Com base nesses dados, o CEO e os demais líderes se comprometeram a implementar uma intervenção inusitada para integrar seus colaboradores à “nova” operação.

 

A pesquisa dividiu aleatoriamente os funcionários em dois grupos, sendo que apenas um deles (cerca de 1,7 mil pessoas) participou das atividades. Esse grupo assistiu primeiramente a um vídeo em que o CEO apresentava o “Good News Network”, website que traz diariamente notícias positivas e inspiradoras. Depois, eles foram convidados a participar de reuniões virtuais semanais em que seriam apresentados vídeos com boas notícias (ligadas à cultura da companhia), seguidos de debate. Depois de um mês, uma nova pesquisa mostrou que os funcionários que participaram do experimento estavam 18% mais otimistas e 32,4% menos ansiosos do que aqueles que não assistiram aos vídeos.

 

É interessante ver como pequenas intervenções feitas pelas lideranças podem causar um grande impacto positivo em suas equipes. Eu gostaria de aproveitar essa discussão para provocar outra: como as empresas precisarão se adaptar a essa nova realidade que vem pela frente no pós pandemia, colocando-se a serviço do futuro de forma positiva e efetiva.

 

O coronavírus e a potencial exposição à morte estão fazendo com que as pessoas façam uma espécie de varredura em suas vidas e olhem de forma diferente para seus anseios, motes de vida, valores e relações com as pessoas e com o trabalho. Para as lideranças organizacionais surge o desafio de perceber que, daqui para frente, o “fazer de outra forma” dependerá do outro. Não será mais possível exercer uma comunicação e uma liderança unilaterais – o conteúdo dessa comunicação terá de ser construído em conjunto. Ouvir, acolher, compartilhar serão palavras de ordem no ambiente corporativo, queira-se ou não.

 

Pesquisas são importantes, mas insuficientes para determinar as ações a serem tomadas. Será preciso escutar, olhar mais nos olhos, agir menos pelo comando. O trabalho da gestão será acolher as pessoas e ajudá-las a tecer, em conjunto, essa comunicação positiva. O indivíduo que passa a ser envolvido efetivamente nas escolhas que determinam a construção de um futuro tende a sair da letargia, se engajar e se sentir parte do negócio. De fato, uma nova realidade requer um novo jeito de trabalhar.

 

 

Vicky Bloch é professora da FGV, da FIA e fundadora da Vicky Bloch Associados. Coach de CEOs, atua em processos de sucessão familiar e formação de lideranças.


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