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Americanos preferem home office parcial, diz professor de Stanford


Fonte: Valor Econômico (9 de julho de 2020 )

O trabalho remoto chegou para ficar, irá mudar a forma como e onde as empresas utilizam espaços corporativos, mas empresas precisam reformular políticas e ouvir seus funcionários na hora de definir a amplitude do home office adotado. Essas são algumas das conclusões de Nicholas Bloom, o economista de Stanford que, no começo da quarentena dos EUA, disse que a pandemia iria significar um desastre na produtividade global.

 

Ele acaba de publicar um novo estudo sobre o mercado de trabalho americano, analisando o impacto do trabalho remoto diante da pandemia. Para Bloom, a economia dos EUA já vive uma espécie de “economia do trabalho remoto”. Sua amostra, coletada com a ajuda de José Barrero, professor de finanças do Instituto Tecnológico Autónomo de México (ITAM) e Steve Davis, da The University of Chicago Booth School of Business, abrange dados de 2,5 mil americanos entre 21 e 25 de maio. Os entrevistados tinham entre 20 e 64 anos, trabalhavam em período integral e com salário superior a US$ 20.000. A amostra representa o mercado de trabalho americano por estado, setor e renda.

 

Eles identificaram que 42% da força de trabalho americana está trabalhando em tempo integral de casa, 33% não estão trabalhando – um indicador que já reflete a recessão provocada pelo lockdown, diz Bloom – e 26% estão trabalhando em locais pertencentes às suas empresas. Ele lembra que esse percentual remoto representa uma contribuição significativa para o produto interno bruto dos EUA.

 

Essa realidade, porém, não é a usual, diz Bloom, lembrando que nem todos podem efetivamente trabalhar de casa. Apenas 51% dos entrevistados, a maioria gestores, profissionais e da área de finanças que podem realizar o trabalho em um computador, afirmaram serem capazes de produzirem com uma taxa de eficiência de 80% ou mais. O restante indica uma eficiência bem mais baixa, já que costuma trabalhar no varejo, na área de saúde, transporte, em serviços e precisa ver clientes ou trabalhar com equipamentos que não dispõe em casa.

 

Muitos americanos também sofrem com baixa capacidade de internet e mais da metade dos entrevistados está trabalhando em quartos compartilhados e em estruturas de sua casa não apropriadas a um bom home office. Cerca de 65% disseram que têm velocidade de internet com uma conexão boa para uma videoconferência e 35% relataram ter uma internet ruim ou mesmo não ter conexão. Em um estudo recente do MIT, os Estados Unidos foram apontados como o vigésimo país, de 30 analisados, com mais barreiras ao trabalho remoto. O Brasil ficou com a 5ª pior colocação – em parte, pela baixa conectividade e por características demográficas.

 

Questionados se desejam manter em trabalho remoto no pós-covid, 20,3% dos americanos da pesquisa de Bloom indicam que não desejam. Dezenove por cento disseram ‘raramente’, 8,2% ‘uma vez por semana, 22,8% de duas a três vezes e 24,2%, cinco dias por semana. Esse cenário, aliado ao fato de que o distanciamento social deve ser uma realidade nos próximos anos, leva Bloom a defender que gestores revejam as políticas de home office, incluindo sistemas de avaliação de desempenho, um estudo sobre a quantidade de dias ideal e uma visão a respeito do impacto do trabalho remoto na saúde mental dos funcionários.

 

Bloom, que estuda a eficácia desse modelo de trabalho há anos, tendo inclusive publicado um artigo em 2014 apontando os benefícios em termos de produtividade, defende que o trabalho remoto no pós-covid não deve ser ‘full-time’. “O ideal que meus estudos indicam é uma política de 1 a 3 dias por semana. Isso aliviará o estresse do deslocamento, permitirá que os funcionários usem seus dias em casa para um trabalho silencioso e atencioso e os dias de escritório para reuniões e colaborações”, conclui no artigo.

 

Outro conselho do economista é dar autonomia para que os funcionários escolham onde querem trabalhar, dentro dos limites possíveis do negócio. “Ninguém deve ser forçado a trabalhar em casa o tempo inteiro e ninguém deve ser forçado a trabalhar no escritório todo o tempo. Deixe os funcionários escolherem seus horários e mudarem à medida que suas visões evoluírem. A exceção é para contratações, que seria melhor a empresa definir o melhor cenário”, diz.


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