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Transporte de Cargas: Autoridades discutem soluções para os gargalos logísticos do setor


Fonte: Guia Marítimo (8 de julho de 2020 )

Essencial para o país, assim como para seu desenvolvimento, o setor de transporte de cargas brasileiro segue sendo um dos principais focos de atenção quando o assunto é a retomada da economia diante da crise e dos impactos provocados pelo novo coronavírus. Por isso, o Fórum Brasil Export, tradicional ponto de encontro do setor, vem promovendo uma série de debates e conteúdos virtuais com o intuito de auxiliar na busca por soluções que levem a este objetivo.

 

No fim de junho, por exemplo, foi a vez do webinar “Otimização da infraestrutura de transportes e soluções para gargalos logísticos”, que reuniu autoridades e representantes de entidades de classe para discutir o atual momento e as perspectivas para o futuro do setor no pós-pandemia. Foram eles: o diretor da ANTT – Associação Nacional de Transportes Terrestres, Davi Barreto; o vice-presidente da CNT – Confederação Nacional de Transportes, Flávio Benatti; o Secretário Nacional de Transportes Terrestres do Ministério da Infraestrutura, Marcello Costa, e o diretor de concessões rodoviárias da Ecorodovias, Rui Klein. A mediação foi do conselheiro do Brasil Export, Rodrigo Vilaça, e teve participação do diretor-presidente da ABOL – Associação Brasileira de Operadores Logísticos — uma das patrocinadoras do Fórum Brasil Export, Cesar Meireles .

 

Para o diretor da ANTT, Davi Barreto, discussões como essa são extremamente relevantes para se chegar a um consenso dos caminhos a serem seguidos, principalmente neste momento de crise que o país enfrenta. “Assim como todos, fomos impactados com essa crise e tivemos que aprender a lidar com ela. Agora, depois que nos reorganizamos, já começamos a ter um norte mais claro para superar essa situação, para encontrar possíveis saídas”, disse.

 

Barreto ressaltou ainda que, se avaliarmos a resposta do governo para este desafio, vemos que houve um resultado muito positivo para o setor de transportes como um todo, visto que o Ministério de Infraestrutura deu, desde o início da pandemia, todo o auxílio necessário para os governos estaduais e entidades setoriais. “Não houve desabastecimento do país, por exemplo, o que tornaria o desafio ainda maior se ocorresse em meio a pandemia. A ANTT, por sua vez, também vem, aos poucos, melhorando suas estratégias, se adaptando a cada dia para dar todo o suporte que for preciso ao setor. Claro que houve e há outras dificuldades, mas olhando por esse aspecto vemos que conseguimos nos sair muito bem diante deste contexto. Mas seguimos monitorando o setor diariamente e discutindo ações de curto e médio prazo que visam ajudar a sair de vez dessa crise”.

 

O Secretário Nacional de Transportes Terrestres do Ministério da Infraestrutura, Marcello Costa, concordou que a rápida reação do governo fez a diferença para reduzir os impactos no setor. “A primeira grande ação relevante neste sentido foi a decretação de que o setor de transportes é essencial. Esse entendimento foi muito oportuno. Depois, foi estabelecido um conselho com todos os secretários de transportes estaduais para entender as dificuldades de cada um e padronizar as ações que seriam tomadas. Com isso, conseguimos estabelecer o apoio inicial que o setor precisava e então toda a área produtiva do Brasil se aliou, se uniu, e deu um exemplo para o país de como minimizar uma escala sem precedentes da pandemia”, acrescentou.

 

Já o vice-presidente da CNT – Confederação Nacional de Transportes, Flávio Benatti, lembrou que, ainda assim, os impactos no setor foram grandes. “Recentemente, houve a divulgação da terceira pesquisa da CNT sobre o setor durante a pandemia e nela foi constatado que 80,6% das empresas tiveram uma grande redução em suas atividades, enquanto 65% sofreram quedas em seus faturamentos e 38% precisaram efetuar demissões, além de 74% que estimam resultados negativos por mais, no mínimo, quatro meses. E estamos falando aqui de empresas de vários segmentos do transporte que, embora não tenham parado totalmente, foram muito afetadas pela queda da economia”, pontuou.

 

O diretor de concessões rodoviárias da Ecorodovias, Rui Klein, conta que os negócios da companhia também foram afetados. “Temos visto uma perda de cerca de 15% nos lucros da empresa durante a pandemia, mas aos poucos estamos estabilizando isso. A Ecorodovias tomou providências para atuar frente a esta situação e investiu cerca de R$ 5 milhões em diferentes iniciativas, como na distribuição de máscaras, álcool em gel e demais equipamentos de proteção, que vêm sendo fundamental neste momento”.

 

Perspectivas – “Entendemos que a crise vai passar e estamos trabalhando muito para isso, seguimos focando bastante em nossos projetos de infraestrutura. As renovações de concessões, por exemplo, vão continuar. Estamos em fase final em algumas delas e o apetite das empresas investidoras não diminuiu com a crise, pelo contrário, elas querem continuar investindo no Brasil. O setor privado também acredita na capacidade da infraestrutura nacional”, comentou o diretor da ANTT, Davi Barreto .

 

Para o Secretário Nacional de Transportes Terrestres do Ministério da Infraestrutura, Marcello Costa, o que vem agora é a continuidade das sementes que foram plantadas desde 2019. “Não reduzimos em nada nossas iniciativas, estamos liberando a maior quantidade de processos que estejam em condições de se colocar em leilão. Tem ainda as questões dos investimentos no sistema free flow, em mais segurança para as rodovias, em separação de tarifas entre via simples e via dupla, e muitas outras. Então temos inovações que são importantes e que aumentam a relevância desses aportes”.

 

Em contrapartida, Meireles, da ABOL, levantou um questionamento. “Nunca podemos deixar de reconhecer o trabalho do Ministério de Infraestrutura e das agências reguladoras, que devem ser sempre ressaltados, mas o Brasil como todos sabem, investe muito pouco em infraestrutura, cerca de 0,4% do PIB do país apenas é destinado ao setor. E, como se não bastasse, temos um caldeirão de problemas e burocracias para enfrentar, a questão documental do transporte de cargas é lastimável e quando pensamos que é ‘pouco’, temos que enfrentar outros desafios, como o frete mínimo. São entraves infindáveis. Fora que temos uma lei de 1903 de armazenamento geral. Então como vamos atrair investimentos tendo uma legislação que fala em ‘conto de réis’? Como a CNT, por exemplo, vendo tudo isso, pode chamar a todos para uma plataforma única que vise desburocratizar, unificar e melhorar marcos regulatórios para atrair investimentos”?

 

Analisando o questionamento de Meireles, o vice-presidente da CNT, Flávio Benatti opinou: “Com relação ao transporte, realmente há situações em que se tem sobreposição de documentos, mas temos nos colocado à disposição para buscar as melhores práticas que tragam mais segurança e impeçam o acúmulo de papéis. O problema maior é que cada dia alguém inventa alguma ‘novidade’. Esse é um caminho que não podemos trilhar. Temos que buscar os melhores rumos para se encontrar as melhores soluções. O que é preciso ter é boa vontade de conversar para se chegar a este objetivo”, concluiu.


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