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Emprego só se recupera em 2022 ou depois, diz a OCDE


Fonte: Valor Econômico (8 de julho de 2020 )

 

As economias avançadas encerrarão o ano com as taxas de desemprego maioress do que em qualquer outro período desde a Crise de 1929 e não voltarão a seus níveis pré-pandemia até, no melhor dos casos, 2022, disse ontem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

 

A entidade, sediada em Paris, que atende EUA e 36 outros países, advertiu contra a suspensão prematura de medidas de emergência criadas para sustentar o emprego e disse que os governos devem lançar novos programas para estimular empresas a contratar trabalhadores, especialmente aqueles que estão ingressando no mercado.

 

As taxas de desemprego poderão ser ainda mais elevadas se uma segunda onda de covid-19 levar à adoção de novos regimes de confinamento, ainda que parciais, disse a OCDE. Se os EUA adotarem novos lockdowns, a OCDE estima uma taxa de desemprego de 12,9% em 2020 e de 11,5% em 2021, comparativamente aos 11,3% deste ano e aos 8,5% do ano que vem, caso não haja uma reincidência sustentada.

 

Os regimes de confinamento impostos pelos governos a partir de meados de março, no esforço de conter a covid-19, levaram a demissões de grande escala. Em todos os países-membros da OCDE, a taxa de desemprego voltou a níveis observados pela última vez na esteira da crise financeira global.

 

“Voltamos basicamente para onde estávamos em 2010”, disse Stefano Scarpetta, diretor de emprego da OCDE. “Em três meses, perdemos todos os ganhos no nível de emprego que levaram uma década para serem obtidos.”

 

Em maio, dado mais recente da OCDE, a crise da covid-19 elevou a taxa de desemprego nos países avançados para 8,4%, com 54,5 milhões de pessoas sem emprego.

 

Scarpetta estima que, mesmo se uma segunda onda de covid-19 for evitada, a taxa de desemprego dos membros da OCDE alcançará 9,4% nos últimos três meses deste ano, um nível não registrado desde a década de 30. Se houver uma segunda onda de casos de coronavírus, a taxa poderá chegar a 12,6%.

 

Mesmo se novos casos forem evitados – cenário “otimista” – a taxa de desemprego só cairá gradualmente para 7,7% até o fim de 2021. Se houver uma segunda onda, ela deverá ficar em 8,9%.

 

O fechamento de vagas é apenas uma das medidas do impacto da pandemia sobre o mercado de trabalho. Com base em dados de um pequeno grupo de países, incluindo os EUA, a OCDE estima que o total de horas trabalhadas caiu 12,2% nos três primeiros meses do confinamento, em relação à retração de 1,2% observada nos três primeiros meses da crise financeira mundial.

 

Embora a taxa de desemprego dos EUA tenha caído em maio e junho, a OCDE prevê a maior alta, de 7,6 pontos percentuais, na taxa americana neste ano.

 

Em comparação, a taxa de desemprego da Alemanha deverá subir 1,4 ponto percentual neste ano, segundo a OCDE, enquanto a da França crescerá 2,5 pontos percentuais. Em ambos os casos, a queda prevista para 2021 fará com que a taxa de desemprego seja maior do que era antes da pandemia.

 

As projeções da OCDE apontam que parte dos trabalhadores que têm seus salários pagos por governos, em programas de licença, perderão o emprego mais para a frente neste ano. O órgão de pesquisa disse que os governos devem começar a retirar gradualmente esses programas à medida que os confinamentos forem afrouxados, ou se arriscarão a manter trabalhadores em empregos desprovidos de um futuro de médio prazo.

 

“Agora temos que deixar as forças do mercado cumprirem seu papel”, disse Scarpetta. “O mercado determinará quais empresas, e quais empregos, são viáveis.”

 

A OCDE disse que a melhor maneira de desativar gradualmente os programas será pedir às empresas participantes que paguem uma parcela maior dos salários subsidiados pelo governo, mas a fim de minimizar a pressão financeira imediata sobre os empregadores, essa participação pode ser na forma de pagamentos atrasados ou empréstimos com juros zero.

 

Mas a OCDE diz que os programas de licença devem ser mantidos no caso de setores que ainda não retomaram integralmente à atividade, como o turismo e outros serviços que envolvem viagens e estreita proximidade interpessoal. Mais amplamente, a OCDE alertou os governos a não retirar o apoio ao emprego e à renda dos desempregados antes de a economia entrar em recuperação.

 

“Há o risco de excesso de autoconfiança e também o risco de reduzirmos o apoio cedo demais”, disse Scarpetta. “Se fizermos isso, há o risco de uma segunda onda, não do vírus, mas de desemprego.”


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