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Companhias globais fazem pausa em captações


Fonte: Valor Econômico (8 de julho de 2020 )

As empresas pararam para tomar fôlego após uma frenética corrida para conseguir caixa que durou quatro meses. Nesse período, tomaram recursos de linhas de crédito bancárias, recorreram a financiamentos de socorro do governo e emitiram novos bônus e ações para sobreviver à crise do coronavírus.

 

O ritmo febril de captação de recursos, que alcançou recordes nos mercados de dívida mobiliária e de ações, forneceu o tão necessário dinheiro para companhias aéreas como a American e a United, as operadoras de cruzeiros Carnival e Norwegian e as montadoras Ford e General Motors. Foi um afluxo repentino que contribuiu para evitar uma grande alta das falências de empresas, pelo menos por enquanto.

 

Os dirigentes dos bancos dizem que as empresas agora avaliam os estragos causados pela crise e estão em período de espera antes de tomar mais empréstimos, apesar de os mercados de títulos continuarem abertos.

 

Confortáveis com o caixa adicional, as empresas captaram apenas US$ 70 bilhões na semana passada por meio dos mercados de títulos, o nível mais baixo desde meados de março, quando a crise do coronavírus fez com que as ações e os bônus despencassem. As emissões caíram para pouco mais de US$ 5 bilhões nos Estados Unidos na semana passada abreviada pelo feriado, de acordo com a provedora de dados Refinitiv.

 

A desaceleração segue-se à mais intensa onda de captações da história, em que as empresas do mundo inteiro absorveram US$ 5,4 trilhões desde o início do ano, incluindo os US$ 3,9 trilhões incorporados desde março.

 

“As empresas têm feito apólices de seguros por desconhecer a profundidade ou a duração da recessão”, disse Kevin Foley que dirige mercados de dívida mobiliária no J.P. Morgan Chase. Ele acrescentou que alguns dos grupos tinham presumido que os regimes de confinamento poderiam persistir por um ano ou mais, e que foi por isso que várias empresas passaram a levantar recursos várias vezes desde março.

 

Medidas históricas de apoio tomadas pelo Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) abriram o caminho para que as empresas reabastecessem seus caixas por meio de títulos, uma vez que o banco central americano pareceu desconsiderar suas advertências anteriores sobre a crescente alavancagem corporativa e a deterioração dos padrões de concessão de empréstimos.

 

Os custos de tomada de empréstimos para empresas de alta classificação de risco, que alcançaram o nível mais elevado em mais de uma década em março, quando os investidores se preparavam para uma onda de episódios de inadimplência, caíram rapidamente após o Fed ter tomado providências para dar sustentação ao mercado de bônus corporativos americano, que movimenta US$ 10 trilhões.

 

Juntamente com financiamentos de socorro para empresas como a Boeing, empresas de primeira linha como Walt Disney, J.P. Morgan e AT&T tomaram bilhões de dólares por meio de mercados de papéis. Outras como o banco regional americano PNC Financial e o grupo de telecomunicações para tecnologia SoftBank captaram caixa por meio da venda de participações em divisões não essenciais. Para o PNC foi uma posição de US$ 13,3 bilhões na gestora de ativos BlackRock, enquanto o SoftBank alienou US$ 15,9 bilhões em ações na T-Mobile.

 

“As empresas com grau de investimento podem se dar ao luxo de poder dizer, ‘aqui vou [captar] recursos demais’”, disse Foley. “Nenhum diretor financeiro já foi demitido por ter uma mentalidade de [garantir] liquidez demais.”

 

A recuperação dos mercados permitiu que uma longa lista de empresas garantisse seus custos de tomada de empréstimos mais baixos de todos os tempos, entre as quais a Amazon e o laboratório farmacêutico Pfizer. Os grupos que estavam no olho do furacão, como a United Airlines e a Carnival, por seu lado, conseguiram garantir recursos por meio do empenho de ativos. Essas garantias, que incluíram aeronaves, navios, ilhas e programas de recompensas, contribuíram para atrair credores apesar das advertências das agências de classificação de que o risco de emprestar para a vasta maioria dessas empresas tinha aumentado.

 

Algumas assessoras, como Roxane Reardon, uma das sócias-executivas do escritório de advocacia Simpson Thacher, temperaram as expectativas das empresas sobre qual o volume de novas dívidas poderá, de maneira viável, ser tomado neste ano, em vista das perspectivas desanimadoras.

 

Analistas do Bank of America observam que a alavancagem no mercado americano de bônus de alto rendimento já ultrapassou os níveis observados durante a crise financeira de 2008 – em termos da Ebitda – e que essa alavancagem se aproxima rapidamente dos níveis observados pela última vez no começo de 2000. Isso está fazendo com que as agências de classificação de risco manifestem preocupações.

 

“Em algum momento a estrutura de capital ficará alavancada demais e é aí que as agências de classificação dirão ‘levantem liquidez primeiro para que não tenhamos de nos preocupar sobre seu desaparecimento…, mas depois, vamos esperar os fluxos de caixa para pagar as dívidas’”, disse John Chirico, codiretor de operações bancárias e mercados de capitais para a América do Norte do Citigroup.

 

Muitas empresas, porém, já esgotaram as opções. O mundo corporativo americano vivenciou uma enxurrada de falências, na medida em que empresas dos setores energético e de varejo foram alijadas dos mercados de capitais. Grupos como a produtora de gás de xisto Chesapeake, a cadeia de restaurantes para famílias de renda média Chuck E Cheese e o circo canadense Cirque du Soleil tentam reestruturar suas empresas sob regimes de recuperação judicial.

 

Mas anunciantes e investidores advertiram que muitas das companhias que quebraram já estavam enfrentando dificuldades, com grande endividamento antes da crise. “Ainda há incertezas em torno de para onde isto está indo”, disse Reardon.


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