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Brasíl vive momento importante para corrigir erros em seus portos


Fonte: Correio Braziliense (7 de julho de 2020 )
Aureo Emanuel Pasqualeto Figueiredo, engenheiro, doutor e diretor da Faculdade de Engenharia da Universidade Santa Cecília
(foto: Reprodução/CB)

 

Maior terminal portuário da América Latina, o Porto de Santos fica na baixada santista, cercado pela Serra do Mar, com 800m de desnível e completamente integrado à cidade de Santos. Não à toa, é um enorme desafio logístico promover a ampliação do acesso ao porto e das retroáreas para armazenagem. Por isso, está em curso o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do Porto de Santos. Mas, como vem sendo promovido e acelerado pelo Ministério da Infraestrutura, o PDZ corre o risco de endossar equívocos perigosos, alerta Aureo Emanuel Pasqualeto Figueiredo, engenheiro, doutor e diretor da Faculdade de Engenharia da Unisanta.Segundo o especialista, o PDZ deveria ser uma oportunidade de corrigir erros do passado. “O que o PDZ quer fazer, neste momento, é colocar armazéns de fertilizantes perto da área mais habitada da cidade. Isso é uma medida discutível. A região, que era de mangue, de orla de um estuário, foi incorporada ao porto para que fossem construídos armazéns, isso também é outro objeto de questionamento jurídico”, defende.

 

Pela lógica que existe no Porto de Santos, diz Figueiredo, entram do exterior fertilizantes, que vão para lavoura adubar o agronegócio pujante do país, e chega do interior grande quantidade de grãos. “O problema é que o Porto de Santos tem extensa área de contato com o mar, mas a cidade foi espremendo o terminal, restringindo a área de retroporto essencial para ter uma boa operação. Na extremidade, é preciso cruzar uma imensa área urbanizada.”

 

“Cidade e porto são mais do que gêmeos. São siameses e têm uma única coluna vertebral e um sistema de alimentação comum. Não podem brigar um com o outro”, alerta. “Quando se está fazendo o PDZ é o momento de corrigir os erros do passado, e não de aumentá-los”, diz. Santos é um porto de multicargas, de produtos classificados, com dois tipos de granéis: os líquidos, que são combustíveis e podem apresentar emissões, emanações de gases, explosivos e manchas órfãs; e sólidos, finos em suspensão, com facilidade de explosão. “Esse tipo de alocação causa diversos transtornos”, explica.

 

Perigos à vista

A característica do porto é um desafio para a tecnologia, pontua Figueiredo. “Precisamos de equipamentos para buscar soluções. A lógica da prevenção é fugir dos riscos ou controlá-los”, ressalta. Ele alerta que, de um lado da rua, há casas, universidades e hospital e, do outro, o porto. “Desce 1 milhão de pessoas por ano, na temporada de verão, dos navios. É uma questão de bom senso discutir isso. É uma coisa tosca o terminal de fertilizantes ficar ali. Não há o menor conforto para os turistas. É um desafio para a engenharia”, reforça.

 

Para reiterar a necessidade de maior discussão antes da implementação do PDZ, às pressas, como quer o MInfra, Figueiredo recorda a série de incêndios que ocorreram nos armazéns em 2013, 2014 e, o maior deles, em 2015. “O que se busca é um meio ambiente sustentável, seguro, hígido, legal. Todo mundo quer o melhor”, pondera.

 

A localização do porto é um desafio por si só, diz o especialista. “Há 150 anos, quando foram implantadas as ferrovias, quem as construiu teve um olhar de futuro, para além de 100 anos. É a visão que precisamos adotar agora”, argumenta. No auge da safra, 15 mil caminhões chegam a Santos por dia, enquanto as ferrovias transportam menos de um terço da capacidade nominal. “Nós temos um estudo para transportar cargas para o porto por hidrovia e dutovia”, acrescenta.


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