SOPESP NOTÍCIAS

Home   /   Eventos   /   Navio histórico corre risco de afundar e provocar acidentes no litoral de SP

Navio histórico corre risco de afundar e provocar acidentes no litoral de SP


Fonte: G1 (6 de julho de 2020 )
Navio Professor Presidente Besnard corre o risco de afundar no Porto de Santos (SP) — Foto: Ibama

 

Um marco na pesquisa oceanográfica no Brasil, o navio Professor Presidente Besnard está em um estado crítico e corre o risco de afundar no Porto de Santos, no litoral de São Paulo. A embarcação, que está sob responsabilidade do Instituto do Mar, seria transformada em um navio escola, mas permanece em estado de abandono. Uma vistoria realizada pela Autoridade Portuária de Santos e pelo Ibama constatou que precisam ser tomadas providências com urgência para que o navio não ofereça risco a navegação e ao meio ambiente.

 

Com 49,3 metros de comprimento, o Besnard foi construído por encomenda do governo paulista e foi lançado ao mar em 1966. A embarcação passou pela costa brasileira, fez expedições no arquipélago de Cabo Verde e realizou mais de 260 viagens para a formação de pesquisadores passando por mais de 10 mil pontos para coletas para estudos científicos. O navio levou as primeiras equipes de pesquisa brasileiras à Antártica. Depois disso, passou por duas reformas na década de 90 e um grande incêndio em 2008, que o deixou inoperante.

 

O navio está atracado em Santos desde 2008. O Prof. W. Besnard foi doado para Ilhabela, que queria afundá-lo e transformá-lo em recife artificial. Em 2019, a Prefeitura de Ilhabela decidiu doar a embarcação ao Instituto do Mar (Imar), presidido por Fernando Liberalli, com a intenção de transformá-lo em museu flutuante. O navio, porém, continua atracado no Porto de Santos sem muitos cuidados.

 

A Santos Port Authority realiza uma vistoria de rotina para observar a embarcação. Porém, diante das más condições do navio, resolveu acionar o Ibama. Juntos, os dois órgãos fizeram uma vistoria mais minuciosa na última sexta-feira (4).

 

Por fora, é possível notar que à embarcação está enferrujada e tomada por musgos. Como as condições ofereciam perigo aos técnicos, uma equipe especializada foi chamada para entrar na embarcação e verificar a situação do lado de dentro do navio.

 

“A água estava quase chegando nas escotilhas que não estão protegidas, muitas sem vidros de proteção. É deplorável a situação que se encontra, de ferrugem e limbo. A equipe encontrou a casa de máquinas tomada de água, ao nível de alcance do motor, e água com óleo”, disse a agente ambiental federal Ana Angélica Alabarce, chefe do Ibama em Santos.

 

Segundo ela, o navio está em processo de adernar e levantado cerca de 70 cm para a lateral. O receio é que a grande quantidade de água que está dentro do navio faça a embarcação adernar totalmente ou até se movimentar e afetar a navegação no Porto de Santos.

 

Autoridade Portuária de Santos e Ibama realizaram vistorias no navio — Foto: Ibama

 

“Pode deslocar o navio para o meio do canal, o que interferiria na navegação. Ainda por cima, ambientalmente, tem a questão do óleo. O impacto que teria do deslocamento, dos produtos oleosos lançados, seria grande. E ainda botaria em risco a navegação. Se isso acontece de dia conseguimos observar. Se acontece de noite, acidentes podem ocorrer”, alerta.

 

O Ibama e a SPA entraram em contato com o Instituto do Mar. Ana Angélica diz que, segundo o órgão, a água presente na embarcação é proveniente de chuvas na região. Porém, não há laudo que comprove essa hipótese e a embarcação pode estar com alguma avaria que não foi identificada.

 

Após a vistoria, a Autoridade Portuária fez uma barreira de contenção ao redor do navio e irá acompanhar a situação da embarcação. A Autoridade Portuária também já notificou, nesta semana, o Instituto do Mar sobre a necessidade de se tomar medidas para resolver o problema.

 

O Ibama também irá notificar o Instituto na próxima segunda-feira (6). “Vou lavrar uma notificação para o Instituto do Mar. Tem que, o mais rápido, resolver essa situação, senão cabe multa diária”, disse Ana Angélica.

 

O G1 entrou em contato com o Instituto do Mar, mas não recebeu nenhum posicionamento da entidade até a publicação desta reportagem.


Mais lidas


Os assistidos pelo Instituto Portus de Seguridade Social, o fundo de pensão dos portuários, obtiveram importante vitória na Justiça. O juiz José Alonso Beltrame Júnior, da 10ª Vara Cível de Santos, concedeu liminar em que determina a suspensão do aumento na contribuição dos participantes da ativa e aposentados.   A ação civil pública foi promovida […]

Leia Mais

Por causa da curvatura da Terra, a distância na qual um navio pode ser visto no horizonte depende da altura do observador.   Para um observador no chão com o nível dos olhos em h = 7 pés (2 m), o horizonte está a uma distância de 5,5 km (3 milhas), cada milha marítima igual a 1.852 […]

Leia Mais