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Impacto da crise nas empresas é pior que em outras recessões


Fonte: Valor Econômico (2 de julho de 2020 )
Agustin Carstens, do BIS: “A resposta dos bancos centrais foi rápida e contundente e impediu um colapso financeiro” — Foto: Mikael Sjoberg/Bloomberg

 

O Banco de Compensações Internacionais (BIS), espécie de banco dos bancos centrais, projeta redução de 37,4% no lucro operacional médio de companhias brasileiras em 2020, na esteira da súbita paralisação da atividade econômica global causada pela covid-19.

 

O banco projeta também que a escassez de financiamento (“funding shortfall”) pode alcançar 31,8% no país. Isso significa que as receitas operacionais e de caixa devem ficar aquém dos custos operacionais e do pagamento de dívidas de curto prazo em 31,8% na empresa brasileira típica em 2020.

 

Em seu relatório anual, a instituição aponta que o brusco freio da atividade econômica reduziu os ganhos das firmas que vão muito além do que aconteceu em recessões anteriores. Estima que várias companhias globalmente podem não sobreviver mesmo se usarem todos os instrumentos possíveis para compensar as perdas, incluindo utilização de ativos líquid líquidos, rolagem de dívidas, novos empréstimos e corte de custos.

 

O BIS fez simulações baseadas em balanços e comunicados financeiros de 33.250 firmas de 19 grandes economias desenvolvidas e emergentes. E avalia que a rolagem de dívidas e novos empréstimos até podem dar algum alívio, mas ainda assim a lacuna de financiamento persiste. O apoio do governo é considerado essencial para fechar o “gap”.

As simulações utilizam a hipótese de que as receitas das empresas em 2020 permaneçam inalteradas em relação a 2019 ou declinem 25% ou 50%, dependendo dos efeitos do surto em diferentes setores. Receitas na área de entretenimento, por exemplo, são estimadas em declinar 50%, enquanto em “utilities” ficariam constantes.

 

A conclusão é a de que um grande número de firmas poderá enfrentar perdas operacionais em 2020. Em todos os países pesquisados, as firmas médias podem oscilar de lucros confortáveis, acima de 5% de receitas, em 2019, para perdas claramente superiores a 20% de sua receita do ano passado.

 

Em relação ao Brasil, os custos operacionais devem exceder as receitas operacionais em 37,4% na empresa mediana em 2020, resultando nesse percentual de contração do lucro. Fica entre -50% no caso de companhias russas e em -25% em firmas dos EUA.

 

As perdas podem ser maiores, dependendo da composição da produção. O BIS exemplifica que um severo choque de receita poderia jogar companhias do Brasil e do Canadá profundamente no vermelho, apesar dos fortes lucros de 2019, refletindo principalmente a contração nas commodities.

 

A lacuna de financiamento é de 31,8% em 2020 para as empresas brasileiras, na média. As simulações indicam que a escassez de financiamento para companhias médias, entre os países pesquisados, fica em 20% da soma das despesas operacionais e custos do serviço da dívida, e pode chegar a 40% em algumas economias.

 

Para o BIS, as firmas vão precisar de apoio financeiro e sugere que isso pode vir em várias formas. Aponta, primeiro, rolagem da dívida. Segundo, a possibilidade de pegarem emprestado dando seus ativos como garantia, mesmo se esses estão temporariamente ilíquidos. E terceiro, com subsídios, garantias de crédito, empréstimos diretos ou esquemas que reduzam custos operacionais, cobrindo parte da conta de salários.

 

“Essas medidas poderiam fazer uma grande diferença”, estima o banco. Exemplifica que num cenário em que firmas não podem pegar emprestado e têm que pagar dívidas que estão vencendo, a necessidade de apoio do governo seria equivalente a seis meses da receita. Mas poderia cair para dois meses, na média, se as companhias rolarem mais da metade da dívida que vence em 2020 e conseguirem crédito equivalente a 80% de seus ativos de curto prazo.

 

No relatório, o BIS nota que, no geral, mesmo o dinheiro em caixa mantido por grandes companhias é pouco em relação à dimensão da súbita paralisação que enfrentam. Metade das companhias guardou dinheiro equivalente a dois meses da receita de 2019, incluindo o Brasil. A exceção é a China, com quatro meses.


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