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Pandemia mostra necessidade de reavaliação das agendas de sustentabilidade


Fonte: Jornal da USP (29 de junho de 2020 )

As emissões de carbono ao redor do mundo devem cair cerca de 7% em 2020, devido à pandemia de coronavírus. Apesar do dado apontado pelo jornal Nature Climate Change, a movimentação de retomada das economias gera temor de que essa redução só exista enquanto perdurar a pandemia. Para Arlindo Philippi Júnior, da Faculdade de Saúde Pública da USP, a perspectiva é dupla: primeiramente, a situação é, sim, temporária, porém, existe a possibilidade de que parcela da população, após a pandemia, mude seus hábitos, por exemplo, utilizando menos transporte e realizando atividades remotamente.

 

A ação do coronavírus vem provando, entre outras coisas, o peso da desigualdade socioeconômica. O momento é um grande demonstrativo de que as atuais agendas de sustentabilidade, apesar de ambiciosas, podem não estar gerando os efeitos necessários. O professor reforça o compromisso firmado pela quase totalidade dos países com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas. No entanto, ele aponta que apenas os países mais avançados têm conseguido cumpri-los: “O retorno à nova normalidade exigirá uma cobrança maior da população para com evidências que escancaram as desigualdades sociais e econômicas, principalmente em países em desenvolvimento”.

 

Diferentemente da maior parte do planeta, que deve diminuir as emissões de carbono em 2020, o Brasil caminha para aumentar as suas em cerca de 15% em relação a 2018, quando foi realizada a última medição. O dado do Climate Observatory demonstra que o País não vem caminhando bem em relação às agendas de sustentabilidade, deixando muitas vezes de lado a preocupação com o meio ambiente e até mesmo com as desigualdades socioeconômicas.

 

Há necessidade — segundo Philippi Junior — “de que seja colocada em discussão um conjunto de planos voltados à incorporação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável naquilo que o País terá obrigatoriamente que fazer para diminuir as desigualdades socioeconômicas. A partir daí, líderes políticos e empresariais que tiverem consciência deverão enfrentar essas desigualdades desenvolvendo políticas públicas que permitam a implantação de tais projetos”.

 

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