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Europa consegue administrar a epidemia após a reabertura


Fonte: Valor Econômico (23 de junho de 2020 )

 

Em 21 de junho, como em todos os anos desde 1982, a França realizou sua “Fête de la musique”, um feito que poucos imaginavam ser possível poucas semanas atrás.

 

O novo coronavírus, que paralisou o país por meses e ainda não foi erradicado, fez sua presença ser sentida: o festival de rua com música que atravessou a noite teve menos concertos e apresentações de DJs que o normal, e os organizadores tiveram de adotar medidas de segurança criativas – como músicos tocando em palcos móveis montados sobre caminhões.

Mas a realização do evento em si é um sinal do sucesso relativo que a França está tendo no controle do coronavírus, depois de afrouxar as medidas de lockdown nacionais no mês passado.

 

Desde 11 de maio, quando o presidente Emmanuel Macron ordenou a reabertura gradual de escolas e empresas, a taxa de contágio da covid-19 diminuiu – inclusive em Paris e na região nordeste, onde a pandemia foi mais forte. Isso levou o médico Jean-François Delfraissy, principal assessor do governo da França, a declarar que o vírus “está sob controle”.

 

 

Com as medidas de distanciamento social ainda em vigor e o uso de máscaras obrigatório no transporte público, os novos casos têm ficado em torno de 450 por dia, depois de atingirem o pico de 7.500. Desde a flexibilização do “lockdown”, o número semanal de pacientes da covid-19 encaminhados a hospitais caiu a menos da metade. Desde ontem, a França passou a permitir que todas as empresas retomem as suas atividades e todas as escolas reabram.

 

“Vamos voltar à nossa ‘art de vivre’ e recuperar nosso gosto pela liberdade”, disse Macron aos franceses em 14 de junho.

 

Tendências parecidas e promissoras têm sido observadas em toda a Europa. Segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças, que monitora a pandemia em 31 países, incluindo o Reino Unido, os novos casos diários caíram 82% desde 9 de abril, quando atingiram seu pico, com apenas três países informando números maiores do que nos últimos três meses, no auge da pandemia.

 

Na Espanha, segundo números oficiais controversos, apenas 154 casos foram diagnosticados na quinta-feira, em comparação aos 373 registrados em 11 de maio, quando o país começou a levantar as suas duras restrições. O número total de casos diários caiu 98% desde o pico no fim de março.

 

Uma autoridade de saúde espanhola disse que os contágios continuam diminuindo, ainda que a um ritmo mais lento do que há dois meses, antes de a quarentena ser relaxada. “A tendência continua sendo de queda, embora mais branda”, disse, ao observar que uma proporção maior dos contágios vem sendo detectada por causa da melhor testagem.

 

A Itália também vem detectando entre 200 e 300 novos casos por dia neste mês. Na semana passada a Alemanha registrou cerca de 300 casos por dia em média, bem menos que os cerca de 4.000 casos diários de março a abril.

 

As exceções na Europa são o Reino Unido, que demorou para impor restrições, e a Suécia, que não chegou a implementar nenhuma. Ambos registraram mais de mil novos casos diários na semana até 17 de junho.

 

Mas a alta do número de novos casos é um lembrete constante de que a pandemia pode voltar a ganhar força.

 

O número de infecções em Rouen, a noroeste de Paris, levou a taxa de reprodução do vírus – o chamado fator R – para mais de 1,5 na região, o que significa que um paciente com covid-19 infecta em média mais de uma pessoa. No fim de semana, mil pessoas ligadas a um matadouro testaram positivo na Renânia do Norte-Vestfália, elevando o fator R da Alemanha de 1,06 para 2,88 – embora a partir de poucos casos.

 

A reimposição de restrições na Coreia do Sul e em Pequim também sugere que é preciso ter cautela. O número de contágios na França continua mais alto do que o que seria aceito por esses países.

 

A França está mais bem preparada para uma segunda onda. Quando a pandemia explodiu, o país carecia de capacidade de testagem, enfrentava falta de equipamentos e precisou transferir pacientes para a Alemanha e a Suíça. Como resultado, o país registrou mais de 29.575 mortes, com uma das taxas per capita maiores do mundo.

 

O país aumentou a sua capacidade de testagem para 700 mil por semana e treinou 6.500 pessoas para o rastreamento de contatos. Com a doença recuando, esses recursos não estão sendo usados totalmente. Cerca de 194 mil testes foram realizados na semana passada, e menos de um terço dos rastreadores de contatos ainda trabalham buscando contágios.

 

Yonathan Freund, médico socorrista do Hospital Pitié-Salpêtrière, de Paris, diz que as operações agora “voltaram ao normal”, depois de uma enxurrada de pacientes com covid-19 em abril.

 

“Todos os sinais são muito, muito positivos”, disse. “A pandemia foi interrompida, mesmo que ainda não estejamos certos do porquê… Se ela voltar, perceberemos bem antes e poderemos adotar medidas de distanciamento social e testar e isolar pessoas.”

 

A pandemia também está perdendo espaço no pensamento das pessoas. Em Paris, as varandas dos cafés estão cheias, o trânsito intenso voltou e poucos pedestres usam máscaras. Romain Siavy, que trabalha como cabeleireiro, diz que alguns de seus clientes pararam de usar máscaras. O uso do aplicativo de rastreamento do governo tem sido pequeno: nas duas últimas semanas 1,7 milhão de usuários, ou 2% da população, o baixaram.

 

Algumas autoridades de saúde pública temem que a pandemia volte a ganhar força com o aumento da complacência.

 

“A primeira onda está acabando na Europa e na França, mas a pandemia está longe de ter acabado, e o vírus continua circulando de modo heterogêneo”, disse Jérôme Salomon, autoridade do Ministério da Saúde, ao Parlamento na semana passada. “Seria irresponsabilidade não nos prepararmos para uma segunda onda no outono ou inverno [segundo semestre].” Ele disse ainda que mais casos devem surgir durante as férias de verão, agora no meio do ano.

 

Martin Blachier, epidemiologista da Université de Versailles Saint Quentin, alertou que o aumento da capacidade de testagem e rastreamento da França poderá não suportar uma segunda onda. “As brigadas de saúde podem aguentar uma situação como a atual, em que o vírus está circulando a uma taxa baixa, mas não darão conta se os contágios aumentarem”, disse.


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