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Celulose deve ter meses difíceis à frente


Fonte: Valor Econômico (18 de junho de 2020 )

Produtores dos diferentes tipos de celulose estão se preparando para meses difíceis à frente, por causa da sazonalidade negativa e do impacto da pandemia de covid-19 na economia global, particularmente na demanda de papéis de imprimir e escrever. Além disso, há receio quanto ao arrefecimento da produção de papéis para fins sanitários (tissue) mundo afora, após o início de ano de consumo acelerado pela crise sanitária.

 

Segundo fontes ouvidas pelo Valor, o desequilíbrio entre oferta e demanda nos próximos meses deve levar a uma nova onda de paradas e fechamentos em fábricas de celulose de fibra longa, e é possível que produtores de fibra curta também recorram à estratégia, seja para evitar mais erosão dos preços, seja porque as cotações estão abaixo do custo de pr mais erosão dos preços, seja porque as cotações estão abaixo do custo de produção há vários meses.

 

Para os analistas Cadu Schmidt, Andreas Bokkenheuser, Mikael Doepel, Wenzhuo Du, Cleve Rueckert e Khalid McCaskill, do UBS, o excesso de oferta neste ano seria da ordem de 3 milhões de toneladas e há risco de mais desvalorização se fechamentos de capacidade “significativos” não se materializarem. Até agora, anúncios dessa natureza e relacionados aos impactos da covid-19, estão retirando cerca de 530 mil toneladas de celulose do mercado neste ano, pelos cálculos do banco.

 

Uma eventual queda dos preços em relação aos níveis atuais, porém, não seria tão forte, na avaliação do analista Daniel Sasson, do Itaú BBA. Há nove meses, diz o especialista, produtores de alto custo sofrem com os preços em torno de US$ 460 e US$ 470 por tonelada da fibra curta na China, abaixo, portanto, do custo de produção. E, se as cotações permanecerem nesses níveis, não surpreenderá se houver anúncios de fechamento de capacidade ou de paradas de manutenção sendo estendidas. “Por isso, acho que os preços têm espaço limitado para quedas fortes dos patamares atuais”, afirma.

 

Os preços da fibra curta na China e na Europa iniciaram a semana praticamente estáveis, na comparação com a semana passada, mas não alteraram a percepção de que pode haver novo recuo no curtíssimo prazo, uma vez que as cotações dos papéis de imprimir e escrever e dos não revestidos colapsaram com a pandemia. De acordo com a Fastmarkets Foex, o preço líquido da celulose de fibra curta negociada na China recuou US$ 0,30, a US$ 465,32 a tonelada – para efeito de comparação, na segunda metade de dezembro, o preço estava em US$ 457,60 e, neste ano, os produtores anunciaram um aumento de US$ 30 por tonelada para aquele mercado. Na Europa, ficou estável em US$ 680 por tonelada.

 

Na fibra longa, os preços caíram mais na China e produtores de outras regiões já começaram a anunciar a paralisação das operações. O anúncio mais recente foi feito pela Paper Excellence, relativamente à unidade de Mackenzie, no Canadá, e vale a partir do fim do mês. Segundo uma fonte do setor, mais produtores devem tomar medida similar no terceiro trimestre. Os preços desse tipo de celulose recuaram US$ 0,38 no mercado chinês na última semana, a US$ 570,77 por tonelada, mas subiram US$ 0,68 na Europa, para US$ 858,92 por tonelada.

 

Se abril e maio ainda foram considerados meses bons em volume para os produtores de celulose, em junho a demanda não parece manter o mesmo vigor e a postergação de paradas para manutenção em fábricas para o segundo semestre, por causa da covid-19, elevou a oferta da matéria-prima.

 

Segundo o UBS, que desenvolveu um modelo quantitativo que projeta os embarques de celulose para a China em três ou quatro meses à frente, os volumes devem recuar 1% no segundo trimestre, na comparação anual, depois do salto de 21% nos três primeiros meses do ano – a taxa elevada é explicada, em parte, pela fraca base de comparação.

 

Neste momento, participantes do mercado tentam entender se a demanda adicional de celulose, suportada pelo tissue, será suficiente para compensar a forte queda no mercado de papel de imprimir e escrever. Entre produtores, a avaliação é a de que a demanda será “desafiadora” nos próximos meses e a oferta, o fiel da balança.


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