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Cresce o uso de recrutamento on-line pelas áreas de RH


Fonte: Valor Econômico (15 de junho de 2020 )
Moacyr Amorosino foi contratado como gerente de produtos digitais da Valid, em um processo seletivo 100% remoto — Foto: Claudio Belli/Valor

 

Antes de ser contratado pela multinacional de segurança digital Valid, o executivo Moacyr Amorosino enfrentou, em plena pandemia, um processo de seleção que durou um mês. Foram seis entrevistas com recrutadores e gestores da empresa, de 60 minutos cada uma. Mas ele não precisou sair de casa: todas as avaliações foram realizadas por videoconferência. “Tente olhar para a câmera ao invés de ficar se vendo no quadrinho ao lado da tela. Isso aumenta a conexão com o entrevistador”, ensina o profissional, admitido em abril como gerente de produtos digitais.

 

A experiência de Amorosino acompanha uma tendência da área de recursos humanos que ganhou força com o distanciamento social e ainda deve crescer no período pós-pandemia. Segundo três, de sete empresas de recursos humanos ouvidas pelo Valor, o recrutamento inteiramente on-line – desde o anúncio da vaga, entrevistas e até o envio de documentos dos candidatos – cresceu entre 25% e 165% nos últimos dois meses. O tempo para o preenchimento de posições caiu, em média, entre 60% e 80%, e algumas companhias já estão contratando funcionários para cumprir apenas expedientes remotos, mesmo depois do fim da quarentena.

 

 

O avanço da “peneira” digital chamou a atenção de grandes empregadores e de investidores interessados em startups de seleção virtual. Em janeiro, antes da disseminação da covid-19, a Kenoby, que recrutou mais de 150 mil currículos em cinco anos, recebeu um aporte de R$ 20 milhões, liderado pelo fundo de venture capital Astella. Em maio, a Gupy, de oferta de candidatos por meio de uma plataforma de inteligência artificial, captou R$ 40 milhões com a gestora de investimentos Oria Capital. “Já conseguimos finalizar um processo de seleção em até uma semana”, diz o ex-headhunter Marcel Lotufo, CEO e co-fundador da Kenoby. O prazo de busca varia segundo a complexidade da vaga, mas pode diminuir até 80% em relação à triagem presencial.

 

A Kenoby é dona de um software de seleção on-line que gerencia desde a requisição até a contratação dos talentos. Tem mais de 450 clientes, como McDonald’s e Leroy Merlin, e assegura que o sistema pode cortar em 50% o custo operacional das chefias de RH. Somente nos dois primeiros meses de restrição à circulação de pessoas, identificou um crescimento de 3,5% do número de clientes, principalmente do setor varejista. “A maioria já queria trazer mais tecnologia para o dia a dia. O coronavírus acelerou esses projetos.”

 

Na Gupy, o faturamento inflou 25% nos dois primeiros meses de isolamento social. “Dependendo da oportunidade em aberto, as companhias finalizam a admissão com uma economia de até 60% de tempo, ante uma triagem padrão”, garante o co-fundador e CMO (diretor de marketing, da sigla em inglês) Guilherme Dias, que atende Ambev e GPA. “Na pandemia, houve uma alta na procura do serviço entre empresas de saúde, varejo e tecnologia”, diz. A Getnet, de máquinas de cartão, e a Atento, de call centers, são as clientes mais recentes. Com a demanda, o quadro de funcionários da Gupy deve passar de 150 para 200 colaboradores, até o final do ano.

 

A Matchbox, outra startup que usa assistentes virtuais (chatbots) e realidade virtual no recrutamento, celebra um contrato com a Kraft Heinz. De acordo com a sócia e COO Flávia Queiroz, até fases tradicionalmente presenciais nas seleções, como as dinâmicas de grupo, passaram para o ambiente on-line. Entre março e maio, 307 vagas foram acertadas com a ajuda da startup, com destaque para as áreas de tecnologia, bens de consumo e construção civil.

 

Cammila Yochabell, CEO e fundadora da Jobecam, plataforma de “vídeo recrutamento” que usa entrevistas gravadas para acelerar as seleções, afirma que o volume de triagem on-line subiu 135% durante o confinamento, com mais de 200 colocações negociadas no intervalo de março a maio. “Tivemos um acréscimo de 20% no número de candidatos que gravam as entrevistas”, afirma, citando que grandes parte das oportunidades surgiu para representação comercial, enfermagem, analistas financeiros e de RH. Sem citar nomes, Cammila conta que passou a atender uma marca de bens e consumo, supermercados e um banco. Em março, a Jobecam criou um recurso para dinamizar as admissões, o Sala Online. O ambiente virtual hospeda entrevistas ao vivo e comporta até dez participantes. “Isso garante que candidatos, recrutadores e gestores estejam ‘juntos’ em um só lugar.”

 

Consultorias de recursos humanos tradicionais, como Fesa Group, Robert Half e Luandre, também repaginaram a caça aos currículos e afirmam que estão acumulam bônus no mundo das lives, como a rapidez no agendamento e na realização de entrevistas com candidatos que moram em cidades distantes. Entre os pontos negativos da nova onda, relatam interrupções durante as avaliações por vídeo, como barulhos externos e problemas de conexão. Na Fesa, as seleções pelo computador ganham terreno desde que o home office dos recrutadores da casa começou, no dia 15 de março. Noventa vagas foram negociadas entre março e maio, e cerca de 60% das escolhas foram finalizadas sem ciclos presenciais, com análises por videoconferência ou telefone. Aproximadamente 70% das posições foram para gerentes ou cargos acima, inclusive uma posição de CIO para um grupo industrial.

 

De acordo com o CEO da Fesa, Carlos Guilherme Nosé, antes do isolamento social menos de 50% dos clientes realizavam alguma entrevista on-line durante as nomeações e apenas 1% concentravam as contratações de forma 100% digital. Cerca de 40% das empresas ainda desejam fazer uma proposta final ao candidato com uma conversa “ao vivo”, diz. “Esperam o fim da quarentena para dar sequência à seleção.” Nosé observa um maior interesse por candidatos para os nichos de bens de consumo, com destaque para alimentos e bebidas; agronegócio, farmacêutica, higiene e limpeza. “Há, ainda, uma retomada recente em meios de pagamento e seguros.”

 

Na visão do executivo, “boa parte” das contratações pode continuar no formato on-line depois do término do isolamento. “A retomada será lenta e as empresas manterão a prática por algum tempo.” O corpo a corpo nas contratações se dará somente naquele último “aperto de mão” ou para o candidato conhecer o escritório que usará por alguns dias da semana. “Até porque o home office vai ocupar parte dos expedientes após a pandemia.”

 

Gabriela Mative, superintendente de seleção da Luandre, há 50 anos no mercado, afirma que o garimpo de perfis passa por um banco de dados de candidatos, convocados por telefone, WhatsApp e e-mail, antes das entrevistas por videochamadas. “Para a contratação, recebemos por e-mail os documentos e assinamos o contrato de forma digital.”

 

Os recrutamentos on-line na Luandre cresceram 100% em março a maio, ante o primeiro trimestre. Foram carimbadas 8.134 vagas no intervalo, sendo 44,5% nos setores de saúde, 23,3% no de supermercados e 19,8% no de logística. De janeiro a maio, comparado ao mesmo período de 2019, houve salto de 165% na demanda. Em média, os processos de vagas para áreas operacionais são concluídos em três a cinco dias, posições técnicas e administrativas levam de cinco a nove dias e cargos de gestão demoram de dez a quinze dias. Com a pandemia, diz Gabriela, a urgência de algumas organizações em contratar aumentou. Colocações no mercado de saúde são finalizadas em até quatro dias, antes dos sete dias no pré-pandemia.

 

Mário Custódio, diretor de recrutamento da Robert Half, afirma que, por conta de investimentos em tecnologia realizados nos últimos anos, a consultoria tinha infraestrutura e treinamento para a seleção remota. Entre as vagas integradas pela Robert Half durante a pandemia estão a diretoria de RH de uma varejista multinacional e a liderança de operações de uma firma nacional de logística. “Ainda é cedo para dizer se, depois do isolamento, a contratação on-line deve permanecer”, avalia. “Esses meses têm contribuído para a quebra de paradigmas e o recrutamento digital é um deles.”


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