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Escolas ensinam a fazer gestão durante e depois da covid-19


Fonte: Valor Econômico (23 de abril de 2020 )
VanDyck Silveira, da Trevisan, diz que o momento é de manter o negócio principal e encontrar formas diferentes de entrega — Foto: Divulgação

Instituições de ensino especializadas em cursos para executivos e empresários estão adaptando suas aulas e passando a incluir orientações e discussões sobre o que as empresas podem fazer para atravessar a pandemia e se preparar para o mundo pós-coronavírus.

 

As lições variam de escola para escola, mas algumas das principais recomendações são: redobrar atenção ao caixa, reduzir salários e jornada, adaptar o negócio ao momento de retração e fugir de novos negócios. O momento, dizem, é de manter o foco naquilo que é core.

 

Outra lição chave é a digitalização. Empresas que estavam atrasadas na interação com seus fornecedores e clientes pela web estão sendo obrigadas a entender agora que esse é um movimento inevitável e que não é possível esperar. Como acelerar processos de digitalização tem sido um tema relevante nos cursos para executivos.

 

“O comportamento dos consumidores não será o mesmo”, diz Maurício Jucá de Queiroz, diretor acadêmico da Fundação Instituto de Administração (FIA). Seu argumento é o mesmo de outros acadêmicos. Das compras no supermercado à telemedicina, uma parte das pessoas que hoje está tendo de consumir produtos e serviços on-line acabará se habituando e continuará a fazer isso depois.

 

A previsão é que as empresas que não se adaptarem rápido a esse novo modelo tendem a desaparecer. “Até então, quem tinha maior poder aquisitivo já estava mais acostumado a fazer compras on-line. Se a gente tiver uma mudança de comportamento na classe C, que é o grosso da população, migrando para o consumo on-line vai ser uma mudança grande da sociedade brasileira”, diz Queiroz.

 

O diretor de educação executiva da FGV de São Paulo, Paulo Lemos lembra que a crise está ensinando novas formas de consumir e de trabalhar via web. “Não acho que as empresas ficarão menores em termos de número de funcionários quando a crise passar, mas os espaços de trabalho talvez fiquem menores”, diz, apostando em uma tendência pós-pandemia de que as empresas tenham mais funcionários trabalhando de casa.

 

“As empresas vão ser mais ágeis, vai haver mais vídeo conferências e até as viagens podem a diminuir. As pessoas viajavam muito porque acreditavam que só era possível negociar cara a cara. E não é verdade”, diz. “Nós estamos mostrando para as empresas que dá para fazer isso.” A FGV, assim como as principais escolas de negócios do país, está mantendo as aulas e seminários via web.

 

Mas antes de saber como agir no mundo pós-pandemia, com mais trabalho e consumo on-line, o que os empresários e executivos buscam nas escolas de negócios são insights de como lidar com os problemas atuais. Como fazer frente à queda brutal de receita e se planejar diante de uma retração trágica da economia?

 

Mais do que nunca vale a máxima dos americanos “cash is king”. “Esse é o primeiro ponto crucial que a gente tem conversado com os alunos: focar em todo o tipo de atividade que libere, preserve e gere caixa”, diz o CEO da Trevisan Escola de Negócios, VanDyck Silveira.

 

Isso, segundo ele, passa por uma política de descontos agressivos, aproveitando as taxas baixíssimas de juros praticadas hoje no Brasil. Passa também por uma investida incisiva nas renegociações com fornecedores de produtos e serviços e também dos contratos de aluguel.

 

Com toda a economia perdendo força, a ideia é que existe uma margem de gordura que pode ser cortada em muitos contratos e que esse é o momento para se aproveitar disso.

 

“Esse não é o momento de querer descobrir a pólvora. Quem está trabalhando em vacina ou remédio para covid-19, sim. Mas para os outros setores, eu digo ‘não invente moda, fique no seu core, mas dentro dele pense em como entregar de maneira diferente”, insiste Silveira.

 

Diante da pandemia e da influência do tema em todos os negócios, a Fundação Dom Cabral também mudou o conteúdo de seus programas de educação executiva – em particular os voltados para empresas médias. Nesses, a escola incluiu tópicos sobre como criar comitês de crise, como manter a operação durante a crise e como se preparar para a retomada no pós-coronavírus.

 

A fundação também adaptou seus webinars com palestras sobre fluxo de caixa, acesso a crédito, negociação de dívidas e antecipação de recebimentos no contexto de pandemia. “Vimos que neste momento o interesse das empresas é aprender algo emergencial”, diz Carlos Arruda, professor da Dom Cabral.

 

Um dos temas que aparecem muito é como lidar como a mão de obra, se é hora de demitir ou melhor aguardar. “Nossa recomendação tem sido que as empresas usem a medida provisória que permite afastamento temporário, redução da jornada de trabalho e de salário como forma de evitar demissões”, diz Arruda.

 

A Fundação Dom Cabral tem feito sondagens com empresários e gestores que participam de suas atividades nesse período e a expectativa deles é que as políticas de restrições ao funcionamento do comércio se encerrem no fim deste mês. Ou seja, um prazo que consideram ser possível evitar uma onda de demissões. “Eu diria que a atitude das empresas é se proteger não demitindo e, se houver uma extensão do prazo, aí eu acho que vamos ter um volume mais significativo (de demissões)”, diz.


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