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Tereos amplia aposta na exportação de açúcar


Fonte: Valor Econômico (22 de abril de 2020 )
“Se houver algum legado dessa crise, deve ser a preocupação com a saúde pública. E acho que etanol vai fazer parte de políticas públicas em muitos países”, diz Costa Filho — Foto: Silvia Costanti/Valor

Para reduzir os impactos da dupla crise dupla de preços e volume que atinge o mercado de biocombustíveis, e para mitigar os efeitos da redução da demanda de algumas indústrias por açúcar, a Tereos Açúcar e Energia Brasil – braço da francesa Tereos com faturamento anual de cerca de R$ 3 bilhões – vai apostar em toda sua capacidade de produção do adoçante e aproveitar uma recém-reforçada estrutura logística de exportação para intensificar as vendas da commodity ao mercado internacional.

 

O movimento espelha o que vem ocorrendo em todo o Centro-Sul do país. Mas a migração açucareira da Tereos é mais significativa, uma vez que suas sete usinas no Brasil já têm um “DNA” açucareiro bem acima da média e a empresa já atua em diversos mercados, com fornecimento tanto para indústrias como para o consumidor final. Com forte contribuição de suas operações no Brasil, a Tereos é a terceira maior produtora de açúcar do mundo, com receita anual de mais de € 4 bilhões.

 

Assim, a companhia consegue migrar até 68% da cana para fabricar açúcar, enquanto na média das usinas do Centro-Sul o percentual deverá ficar em 45%, segundo algumas projeções, ante 34% em 2019/20.

 

“Temos atuação em exportação de açúcar branco, embarque de açúcar VHP [bruto], açúcar para o varejo e açúcar industrial, o que faz com que possamos direcionar produtos para um canal ou outro, dependendo da demanda e da relação de preços. Neste momento, é uma vantagem competitiva que temos”, afirmou Jacyr da Costa Filho, diretor da Região Brasil da Tereos, ao Valor.

 

Essa estratégia, porém, não faz a empresa prescindir do mercado de etanol, que agora enfrenta uma pressão adicional com o colapso das cotações do petróleo. O executivo, que também preside o Conselho do Agronegócio da Fiesp, disse que o governo precisa apresentar medidas “nesta semana” para impedir a desorganização de algumas empresas. Na semana passada, a cadeia produtiva pediu a criação de uma linha de R$ 9 bilhões para estocar etanol e mudanças tributárias para melhorar a competitividade do biocombustível em relação à gasolina.

 

Para a Tereos, a virada açucareira deverá reduzir significativamente sua exposição ao etanol. Na safra passada (2019/20), das quase 20 milhões de toneladas de cana processada nas sete usinas da Tereos, 60% viraram açúcar, cuja produção foi de 1,6 milhão de toneladas. Nesta temporada, a empresa deverá moer quantidade similar de cana, mas o resultado da produção de açúcar será maior, próximo a 2 milhões de toneladas, a depender da produtividade nas lavouras.

 

A estratégia da múlti não significa, porém, que o mercado da commodity está imune a desafios em tempos de pandemia. Com mudanças de hábitos e redução de consumo fora de casa, algumas indústrias de alimentos já vêm solicitando a revisão de contratos de açúcar por perda nas vendas, disse o executivo.

 

A indústria de refrigerantes, por exemplo, uma das principais consumidoras industriais do açúcar brasileiro, registra cerca de 30% de retração nas vendas.

 

“Apesar de termos contratos, temos flexibilidade de volume nesses contratos e estamos direcionando para exportação mais açúcar branco”, afirmou Costa Filho. Ele ressaltou, porém, que não são todas as indústrias que estão reduzindo a demanda. Dentre os grandes clientes da Tereos no Brasil estão PepsiCo, Nestlé, Coca-Cola e Mondelez.

 

No exterior, há um vácuo no mercado resultante tanto de problemas de produção na Tailândia, segundo maior exportador do mundo, e da decisão de alguns países de restringir as exportações para priorizar o mercado interno, como na América Central. Na Índia também há problemas nos embarques, que estão sendo afetados pelo lockdown.

 

Nesse cenário, a companhia avalia que suas exportações do Brasil, normalmente destino de 50% do açúcar produzido, representarão parcela maior, entre 58% e 60%.

 

O escoamento do açúcar VHP deverá ser facilitado com o início da parceira da Tereos com a VLI, com a entrada em operação, em breve, de dois armazéns, em Guará e no Terminal da VLI no Porto de Santos, com capacidade conjunta de estocar 200 mil toneladas. A parceira prevê que a companhia poderá escoar por ferrovia até 1 milhão de toneladas de açúcar próprio e de terceiros. Nesta safra, o volume deverá chegará a uma quantidade “próxima” desse potencial.

 

Para embarques de açúcar branco, a Tereos já conta com a estrutura do Terminal Portuário de Paranaguá (Teapar), único capaz de embarcar açúcar branco de forma não conteinerizada (“break-bulk”), com capacidade para movimentar 600 mil toneladas ao ano, e onde a múlti tem 35% de participação.

 

Apesar da “saída pelo açúcar”, o executivo ainda guarda otimismo com o futuro do etanol. “Se houver algum legado dessa crise, deve ser a preocupação com a saúde pública. E acho que etanol vai fazer parte de políticas públicas não só no Brasil, mas em muitos países.”


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