SOPESP NOTÍCIAS

Home   /   Eventos   /   Quarentena: hora de passar um pente fino nas despesas

Quarentena: hora de passar um pente fino nas despesas


Fonte: Valor Investe (17 de abril de 2020 )

Em um dos episódios de Mad Men, série ambientada em uma agência de publicidade na Nova Iorque dos anos 60, um publicitário recebe equivocadamente o holerite (contracheque) de um colega de trabalho. Curioso, abre o envelope e percebe que ele recebe um terço a menos por semana: US$ 300 contra US$ 200. Imediatamente, liga para a esposa: “como assim? Nem casado ele é. Já estamos esperando filho!”. Após a conversa, ele vai a sala do sócio e pede um aumento de salário, que é reajustado para US$ 225.

 

Em outra cena, a mulher de um dos publicitários apresenta ao marido um apartamento de cinco quartos em área nobre de Manhattan. “Mas esse apartamento deve custar os olhos da cara”. “US$ 32 mil, mas a proprietária faz por US$ 30”. “Meu salário anual mal chega a 10% desse valor”. “Nossos pais podem nos ajudar. Somos jovens, iniciando a vida”. O marido baixa a cabeça e balança concordando.

 

Essas cenas dizem muito sobre como lidamos com dinheiro, emprego e desejos. Nas duas situações, não se discutiu a necessidade ou a viabilidade do aumento dos gastos. A meta foi buscar uma fonte adicional de receita – aumento de salário e doação dos pais – para satisfazer os desejos – ter filhos e comprar um apartamento.

 

Para alguns, o orçamento só possui uma linha: a da receita. As despesas são tidas como imutáveis, fora do campo de atuação da pessoa. O mantra é “Quero algo, preciso ganhar mais”. Reduzir o consumo de outro bem fica fora de cogitação. No subconsciente, a ideia de consumir menos está associada à perda de bem estar, de felicidade.

 

Com a quarentena, fiz duas provocações em minha conta no Twitter. Na primeira perguntei: “o que você mais aprendeu na quarentena?” “Lavar as mãos”, brincou um. Mas outros tocaram no ponto que gostaria de abordar: “Ter mais caixa”, “Que dá para economizar”, “Encontrar mais as pessoas que se ama”.

 

Na segunda, fui mais direto: “Os gastos do cartão de crédito devem ter caído na fatura com vencimento em abril. Esses gastos fizeram falta? Seu bem estar teve queda na mesma proporção?”

 

A microeconomia clássica associa o bem estar (utilidade) ao consumo. Quanto mais consumimos, mais temos bem estar. Em um exemplo clássico, considere que a economia possua apenas dois bens: A e B. Na curva de utilidade u1, a pessoa terá a mesma satisfação se consumir 2 unidades de A e 1 de B ou 1 de A e 2 de B.

 

Qualquer combinação entre os dois bens na curva u1 provocará a mesma sensação de bem estar no consumidor. Por isso, essas linhas são chamadas de curvas de indiferença. Mas imagine que o agente tenha tido um aumento. A renda maior o faz se deslocar para a curva u2 onde poderá consumir mais bens do que em u1. Logo, ele terá maior bem estar do que na situação anterior.

 

 

Mas sabemos que os modelos são uma representação da realidade, servem para que pensemos sobre ela, mas não a substitui. Podemos estar mais felizes consumindo menos. Fique apaixonado ou veja a vitória do seu filho na escola ou na faculdade e me diga.

 

A maioria dos seguidores teve queda substancial das despesas com cartão em abril e muitos se sentiram aliviados. “Menos gastos e mais vivência em família”; “minhas despesas caíram muito porque não viajei, espero queda de 50%”; “o que gastei foi muito mais bem aproveitado em família unida”; “meu gasto com cartão caiu incríveis 70%”; “tô passando a faca nas despesas aqui”; “diminuiu e ficou tudo bem”; “todos irão repensar o consumo”.

 

O que essa experiência mostra é que o bem estar não cai na mesma proporção do gasto como dita nosso subconsciente ou a microeconomia. É possível ter a mesma qualidade de vida, gastando-se menos. Os gastos com transporte e entretenimento tendem a voltar com a flexibilização da quarentena. Mas precisam retornar na mesma magnitude? Aquelas viagens foram tão bacanas assim?

 

Eduardo Silva foi cirúrgico: “aumentar a posição de reserva financeira e rever o que não fez falta!”. Ele será um dos que aprenderam, apesar do momento difícil. Sairá da crise melhor do que entrou.


Mais lidas


Através de um investimento de 100 milhões de euros, a Tesla irá entregar os dois primeiros navios porta-contêinereselétricos à Holandesa Port-Liner, em Agosto.   Após a entrega, a Tesla entregará ainda mais seis navios com mais de 110 metros de comprimento, com capacidade para 270 contentores, que funcionarão com quatro caixas de bateria que lhes […]

Leia Mais

  O município de Balneário Barra do Sul, no litoral norte de Santa Catarina, poderá ganhar um empreendimento portuário vinculado a um complexo empresarial e de serviços. O empreendimento projetado – por ora é só isso, uma intenção – é denominado “Super porto BBS”. Dizem os investidores potenciais que o negócio poderá ocupar área de […]

Leia Mais