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Gestores se arrependem por ter demorado a agir na crise


Fonte: Valor Econômico (16 de abril de 2020 )

 

Passado quase um mês das primeiras medidas para prevenir e organizar o fluxo de trabalho nas empresas depois da chegada da covid-19 no Brasil, os executivos à frente da área de recursos humanos já conseguem afirmar o que deu certo e o que não funcionou na gestão dessa crise em suas companhias. A rápida decisão de colocar pessoas pertencentes a grupos com maior risco de contaminação em home office é vista como um acerto, embora a demora em decidir ampliar essa ação para os demais funcionários tenha sido considerado um erro. Outro ponto de arrependimento foi a demora em envolver os gestores na tomada de decisão e a adequação das lideranças ao teletrabalho, assim como a adoção precoce de férias coletivas.

 

“O home office não é tão simples como as pessoas achavam. Uma coisa é ter uma ou algumas pessoas fazendo, outra é uma ter operação inteira remota. Isso exige um grau de maturidade muito maior da empresa, pois é uma ação de grande complexidade”, afirma a consultora Betania Tanure, da BTA, que conduziu na semana passada uma pesquisa, obtida pelo Valor com 45 líderes da área de gestão de pessoas em grandes companhias instaladas no país.

 

“As companhias precisam dar autonomia às pessoas, melhorar o controle do trabalho, uma vez que existem crianças sem escola e casais dividindo o espaço de trabalho em casa”, diz Betania.

 

Na pesquisa, 31% dos gestores afirmaram que poderiam ter agido mais rápido na adoção do home office para toda a empresa e também que erraram em pressupor o mesmo grau de agilidade, aprendizagem e autonomia de todos os funcionários para realizar o trabalho remoto. A demora em envolver os gestores de diferentes áreas nas decisões sobre a adoção do home office foi outro erro citado por 13% dos entrevistados.

 

Os RHs também subestimaram as dificuldades que teriam em relação à infraestrutura como, por exemplo, com as ferramentas para a conexão da internet na casa dos funcionários e com a logística de transporte para aqueles que precisaram continuar indo presencialmente ao trabalho.

 

As ações que não funcionaram, segundo a consultora, foram tomadas em um momento de pânico com o agravamento da pandemia. “Muitos adotaram férias coletivas em uma atitude radical, sem calibrar qual seria o próximo passo. Alguns tiveram até que voltar atrás”, afirma.

 

A comunicação foi bem avaliada por 68% dos respondentes, tendo sido classificada como ágil, direta e transparente. Para 31%, no entanto, houve demora ao informar as decisões. “Nesse momento, a boa comunicação é o que vai engajar as pessoas”, diz Betania.

 

Um ponto positivo destacado por 42% dos respondentes foram as ações associadas à saúde dos funcionários, principalmente, a abertura de canais on-line para suporte, palestras com infectologistas e a disponibilização de telemedicina para familiares. “As fake news se espalham muito rápido e acabam desorientando as pessoas. As empresas atuaram como facilitadoras para apoiar as questões relacionadas à saúde dos funcionários, inclusive a mental”, diz.

 

Os grupos de gestão de crise que já existiam antes da covid-19, principalmente nas grandes companhias, se organizaram rapidamente quando começou a crise, portanto, entram na conta dos acertos da área de RH. Entre os sentimentos positivos que os profissionais de RHs dizem ter visto crescer em suas companhias desde o início da pandemia estão: a colaboração (100%), a flexibilidade (80%), a autonomia (77%), a disciplina (73%) e a delegação (70%). Entre os aspectos negativos que eles também viram aumentar o principal é o medo (73%). “É o medo de quase tudo, de ficar doente, de morrer, perder o trabalho, de uma convulsão social e até de não saber até quando vai durar essa crise”, diz Betania.


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