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O que faço se sou mal aproveitado na empresa? 


Fonte: Valor Econômico (15 de abril de 2020 )

“Oi! Tudo bem? Estou há dois anos na mesma função, em uma empresa colombiana. Quando vim para cá, achei que era uma grande oportunidade de retornar a vida um pouco mais equilibrada, mas não foi o que ocorreu. Diante do momento da empresa (difícil), problemas com relação interpessoal com uma colaboradora de grande proximidade com a gestora e problemas pessoais (perda da mãe e separação do casamento), acabei desenvolvendo depressão e fui afastado por 3 meses da companhia, retornando neste mês de janeiro de 2020. Desde então, sinto que sou mal aproveitado, que não consigo feedbacks para melhorar meu trabalho e sofro com falta de novas oportunidades e desafios. Já questionei diretamente minha gestora, que me diz que a minha posição é importante. Não posso me demitir. O que faço?”

 

Analisa de projetos, 33 anos

Infelizmente, a grande maioria de nós acaba se acostumando com as situações, por piores que sejam. O receio de mudanças e uma dose de inércia acabam prevalecendo e somos levados a permanecer onde estamos, mesmo que em empregos que não nos despertam mais paixão ou que não nos levarão a lugar algum. No entanto, esse esforço de acomodação acaba gerando problemas físicos e psicológicos. Você está vivendo uma situação clássica de desvalorização que quase sempre provoca perda de autoestima, estresse e “burnout”, o que, aparentemente já está ocorrendo com você.

 

A falta de valorização pode ser uma das situações mais difíceis de serem vividas profissionalmente. É muito complicado ter que conviver com pessoas que não confiam em nós, nem no nosso trabalho, e em quem não confiamos, nem admiramos. Não importa se a causa para a desconfiança seja real ou não. A desconfiança corrói. Fica pior ainda quando a relação é assimétrica, ou seja, quando existe uma diferença de posicionamento hierárquico. É sempre muito mais difícil não confiar em alguém de quem se depende, um chefe, por exemplo. Uma relação de confiança é sempre recíproca. Não existe relação de confiança em um só sentido. Quando não confiamos e nem valorizamos alguém, é certo que essa pessoa também não confiará em nós.

 

A falta de valorização pode ser uma das situações mais difíceis de serem vividas profissionalmente. É muito complicado ter que conviver com pessoas que não confiam em nós, nem no nosso trabalho, e em quem não confiamos, nem admiramos. Não importa se a causa para a desconfiança seja real ou não. A desconfiança corrói. Fica pior ainda quando a relação é assimétrica, ou seja, quando existe uma diferença de posicionamento hierárquico. É sempre muito mais difícil não confiar em alguém de quem se depende, um chefe, por exemplo. Uma relação de confiança é sempre recíproca. Não existe relação de confiança em um só sentido. Quando não confiamos e nem valorizamos alguém, é certo que essa pessoa também não confiará em nós.

 

Profissionalmente isto significa que se não confiamos no chefe, é pouco provável que ele venha a confiar em nós, e, sendo assim, é pouco provável que venha a nos valorizar e promover. A desconfiança pode ser técnica, moral, ou ambas. Quando é técnica, ou seja, quando não há confiança na competência técnica, o problema é menor, pois, de alguma forma, pode-se, com o tempo, compensar essa incompetência, essa inadaptação. Quando a desconfiança é psicológica, ou moral, quando se duvida das intenções e ações do chefe o problema é praticamente incontornável. Sem confiança não existe engajamento, não se consegue produtividade. Não existe liderança sem confiança. Sem confiança só pode existir uma relação baseada no controle e na imposição. Infelizmente é muito comum existir chefes pouco confiáveis.

 

Muitos “chefes” se aproveitam do “espírito de não confrontação” e do medo de perder o emprego dos subordinados, e os mantêm em um nível baixo de utilização e satisfação. Quem trabalha com chefes que têm esse comportamento, mas, mesmo assim, querem, ou precisam continuar a fazer carreira na empresa, precisam aprender a desenvolver paciência e a capacidade de suportar decepções. Com o tempo, e com uma atuação adequada, seus méritos poderão, um dia, ser valorizados. Lembre-se que carreira é corrida de longa distancia, é maratona. Na carreira, assim como na maratona, o que vale é o bom planejamento, o preparo e a persistência. Exige também muita capacidade de resistir a dor e ao sofrimento. A falta de valorização e a injustiça sempre doem e incomodam, no entanto, com o passar do tempo, as dores são incorporadas e assumidas como parte do processo.

 

Desenvolver resiliência é o caminho. Aprender a suportar e a superar as dificuldades. Mas isso não quer dizer, no entanto, ficar quieto e aceitar. É preciso começar a agir de maneira diferente e criar novas formas de atuação. Uma boa tática é sempre procurar trabalhar “em grupo”, ou seja, procurar incluir outras pessoas em tudo aquilo que se faz. Consultar e comentar, com todo mundo, pares e superiores, suas ideias e concepções, fazendo-os saberem o que você está fazendo, e de que maneira está fazendo. Dessa forma, além do seu “chefe”, muita gente saberá o que, e como, você faz e fez. Quando o trabalho estiver terminado e entregue, muita gente vai lembrar que você foi parte importante do que foi realizado. Com isso ficará muito difícil o seu chefe não reconhecer suas ações.

 

Outro meio é apresentar e discutir cada ação sua, pedindo às pessoas que apresentem ideias e sugestões. Assim, muita gente vai se sentir próximo e participante. Isso deve atrair simpatia e apoio. Usando essas técnicas, com o tempo, os critérios de avaliação podem mudar, e a empresa, pode a vir a considerar mais favoravelmente sua evolução. Porém, se nada disso funcionar e continuarem acontecendo essas “injustiças”, e avaliações erradas, o melhor caminho é buscar outro lugar para trabalhar. Procure alguma empresa que tenha critérios mais coerentes com os seus e, dentro dela, busque construir a sua carreira e conseguir o sucesso profissional.

 

Envie sua pergunta, acompanhada de seu cargo e sua idade, para: diva.executivo@valor.com.br

 

Por Gilberto Guimarães

Gilberto Guimarães é professor e diretor da GG Consulting. Faz treinamentos sobre gestão de mudanças, desenvolvimento de talentos e liderança positiva.


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