SOPESP NOTÍCIAS

Home   /   Eventos   /   Executivos têm medo de perder o emprego

Executivos têm medo de perder o emprego


Fonte: Valor Econômico (13 de abril de 2020 )
Zanini diz que preocupação é crescente mas ainda não houve a destruição do emprego — Foto: Divulgação

Os executivos que estão no comando das companhias do país não se sentem imunes ao desemprego que começa a se espalhar em diversos setores da economia por conta da crise provocada pelo coronavírus. Para 47% essa já é uma preocupação, embora não acreditem que isso não vá acontecer, já 14,7% acham que é muito provável ou quase certo que serão dispensados. O medo de perder o emprego é maior entre os gestores de empresas de menor porte, onde 16% já afirmam não ter mais trabalho por conta da pandemia. Nas grandes companhias, embora se sintam mais protegidos, os executivos também enxergam o risco de perderem o trabalho em razão da atual crise.

 

Esse dados fazem de pesquisa realizada com 620 executivos, entre 31 de março e 4 de abril, pelos pesquisadores da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ebape) Marco Tulio Zanini e Eduardo Andrade, divulgada com exclusividade pelo Valor. Entre os entrevistados, 30% ocupam o cargo de CEO, 22,4% são diretores executivos e 20% gerentes, sendo que 34% atuam em companhias de grande porte, com faturamento anual superior a R$ 300 milhões e 23,5% trabalham em empresas de médio porte, com faturamento entre R$ 5 e 30 milhões. A faixa etária média é de 45 a 65 anos de idade, sendo 63,5% homens e 36,5% mulheres.

 

O medo dos executivos de ficarem sem emprego vem acompanhado de uma grande preocupação com as consequências da crise atual. Para 72%, elas serão graves tanto no âmbito econômico quanto social. “Em um mês com atividade econômica reduzida as pessoas começam a se preocupar, mas como ainda não houve a destruição do emprego, muitos temem mas não acham que vai acontecer com eles”, diz Marco Tulio Zanini.

 

“As grandes empresas têm um colchão de proteção e o que é transmitido, sobretudo para os cargos de cima, é que tudo vai passar”, diz Eduardo Andrade. Esse executivos também se sentem mais qualificados e acreditam ter uma certa estabilidade na função, segundo os pesquisadores. Já a pequena empresa não consegue oferecer a mesma percepção de segurança. “Com uma queda brutal de receita, os pequenos talvez não consigam sobreviver mais do que um ou dois meses e os gestores sabem disso”, afirma Andrade.

 

 

Por conta da pandemia, a rotina de trabalho de quem ocupa o primeiro escalão da empresa se intensificou. Nas grandes companhias, principalmente, 40% afirmam estar com um volume maior de trabalho em decorrência da covid-19, e 70% dizem que estão fazendo isso trancados em casa, atuando no modo home office.

 

Já nas pequenas empresas, apenas metade dos entrevistados consegue trabalhar a distância sem ter que ir presencialmente ao escritório. “Elas estavam menos preparadas para isso”, diz Zanini.

 

Em relação ao isolamento social horizontal para todos os cidadãos no país, no curto/médio prazo, 64% dos executivos dizem ser favoráveis desde que exista um investimento rápido e maciço em testes para detectar o coronavírus e nos equipamentos de proteção individual. “Eles acreditam que essa medida está alinhada a um consenso internacional”, diz Zanini.

 

A pesquisa abordou ainda a percepção dos gestores sobre o que suas companhias podem fazer para ajudar no combate à pandemia. Para 56,2% ações como, por exemplo, doações de testes em massa e mudanças na linha de produção para fabricação de respiradores, certamente podem auxiliar o país a conter a pandemia e o seu impacto na saúde, e 37,8% acreditam que essas ações certamente ajudarão à retomada mais rápida da atividade econômica.

 

Entre os executivos que comandam grandes empresas, 56,8% afirmam que suas companhias poderiam contribuir de alguma maneira na fabricação, compra, distribuição e aplicação rápida dos testes em massa. “As empresas podem ajudar na logística, fornecer material para produzir máscaras, entre muitos outros recursos”, afirma Zanini. Quando perguntados no que investiriam se tivessem um montante para fazer doações, eles citaram a aplicação de testes em massa, equipamentos de UTI, equipamentos de saúde, cestas básicas e materiais de higiene para as comunidades carentes.

 

A pesquisa mostra, no entanto, que o altruísmo dos executivos não é ingênuo. Para 60% dos pesquisados, as ações da empresa no combate ao coronavírus agregam valor à marca e são percebidas pelos clientes atuais e também potenciais. Já 70% acreditam que esse tipo de atitude ajuda a companhia a ganhar pontos positivos com os próprios funcionários. “Isso mostra que eles têm uma atitude pragmática e uma maneira racional de agir para evitar o colapso da economia”, diz Andrade.


Mais lidas


Através de um investimento de 100 milhões de euros, a Tesla irá entregar os dois primeiros navios porta-contêinereselétricos à Holandesa Port-Liner, em Agosto.   Após a entrega, a Tesla entregará ainda mais seis navios com mais de 110 metros de comprimento, com capacidade para 270 contentores, que funcionarão com quatro caixas de bateria que lhes […]

Leia Mais

  O município de Balneário Barra do Sul, no litoral norte de Santa Catarina, poderá ganhar um empreendimento portuário vinculado a um complexo empresarial e de serviços. O empreendimento projetado – por ora é só isso, uma intenção – é denominado “Super porto BBS”. Dizem os investidores potenciais que o negócio poderá ocupar área de […]

Leia Mais