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Companhias ampliam ações para cuidar do lado emocional


Fonte: Valor Econômico (6 de abril de 2020 )
Milton Beck, do LinkedIn, que vai fazer pesquisa de clima a cada 15 dias — Foto: Divulgação

“Não estamos vendo somente a epidemia do Covid-19, estamos vendo também um aumento de ansiedade entre as pessoas. Então, é de extrema importância pensar sobre a saúde mental como parte da resposta a essa questão de saúde pública”, comentou a especialista em saúde mental da Organização Mundial de Saúde, Aiysha Malik, em uma transmissão que a OMS fez recentemente em seus canais nas redes sociais.

 

Algumas empresas ouvidas pelo Valor, nacionais e multinacionais, estão atentas a isso, mesmo em meio a tantos outros assuntos que precisam lidar neste momento. São companhias que estão encontrando formas de ficar próximas de seus funcionários para ouvi-los, saber como estão enfrentando o momento, e também oferecer apoio para ajudá-los a manter o equilíbrio mental e emocional.

 

O LinkedIn, que já tinha uma série de iniciativas para o bem-estar de sua equipe, ampliou e adaptou algumas ações desde que o trabalho remoto foi imposto a todos os funcionários na crise. “Neste momento em que as pessoas estão com medo e ansiedade, ampliamos os canais de comunicação”, afirma Milton Beck, diretor executivo do LinkedIn na América Latina. O encontro quinzenal das equipes com o CEO global, no qual ele passa as atualizações e o que está acontecendo na empresa, foi mantido e, regionalmente, os líderes estão sendo estimulados a fazer reuniões individuais virtuais com as pessoas de suas equipes. “A presença da liderança contribui para o bem-estar psicológico”, diz.

 

Além disso, se antes as pesquisas de clima eram feitas a cada 60 dias, desde que a quarentena foi imposta elas se intensificaram – a intenção é fazer a cada 15 dias. “Criamos pesquisas periódicas para ter feedback dos funcionários sobre a efetividade das ações frente à crise”, diz Beck. “A última mostrou que 94% dos colaboradores acham que estamos agindo de forma efetiva para lidar com a crise e 92% acreditam que a empresa está dando todo o suporte necessário.”

 

Esse suporte inclui um canal telefônico para o qual os funcionários podem ligar para terapeutas 24 horas por dia, flexibilidade de horários e até diminuição da carga horária, principalmente para quem está tendo que trabalhar com crianças pequenas em casa ou pais idosos, além de verba para a compra de itens que facilitem o trabalho em casa, como cadeira ergonômica, fone de ouvido, monitor, entre outros. “É importante ter uma experiência boa em trabalhar, exercer seu potencial máximo no ambiente em que se está.”

 

A Unilever, que tem um programa de bem-estar e saúde mental há muitos anos, com a crise ampliou as ações. A equipe de psicólogos que fica dentro da operação e já fazia um primeiro acolhimento aos funcionários cresceu e foram recrutados seis novos profissionais. Como as consultas presenciais estão suspensas, esses psicólogos fazem o atendimento on-line 24 horas por dia, sete dias por semana. “Eles dão atenção a qualquer queixa do funcionário”, diz Elaine Molina, diretora de saúde ocupacional da Unilever na AL.

 

Em paralelo, o canal telefônico de assistência ao funcionário para esclarecer dúvidas de ordem psicológica, financeira e jurídica implementado em 2017 continua em vigor. Nas duas primeiras semanas de pandemia, Elaine diz que houve um ligeiro aumento nos acessos, de 1,5%. A companhia também implementou um 0800 de saúde específico para tirar dúvidas sobre o coronavírus. “Esse é o líder de audiência”, afirma. Já as aulas de meditação que eram oferecidas no escritório agora são transmitidas on-line. “Nosso objetivo é oferecer o que há de melhor para controlar a ansiedade”, afirma. “Sabemos que as questões relacionadas à saúde mental podem aumentar.”

 

No McDonald’s, o canal 0800 que já existia para atendimento com psicólogos, assistentes sociais, advogados, nutricionistas, fisioterapeutas, pedagogos e até consultores para pets também teve um incremento na demanda. “Aumentou se compararmos à média de contatos semanais anteriores, grande parte realizados por líderes buscando orientações de como motivar suas equipes”, afirma Rozália Del Gáudio, diretora de comunicação corporativa da Arcos Dorados. Segundo ela, isso demonstra a preocupação dos gestores em cuidar das pessoas.

 

Nesse período em que muitos dos funcionários estão trabalhando de casa, a companhia lançou vídeos que abordam assuntos como os cuidados na prevenção contra o coronavírus e dicas sobre saúde mental. Este último tem mais de 10 mil visualizações, de acordo com Rozália. “A peça aborda o cuidado com o excesso de informações, a importância do estabelecimento de uma rotina diária e a prática da resiliência, entre outras ações”, afirma. Um guia de home office, com dicas de como manter o foco e organizar as atividades do trabalho no dia a dia, também foi disponibilizado pela empresa.

 

Em paralelo, a companhia está intensificando o diálogo com os funcionários, para ouvir suas necessidades, opiniões e sugestões. “A comunicação interna das empresas geralmente tende a ser uma via de mão única, usada para envio de comunicados e procedimentos. Aqui estamos realizando um processo genuíno de diálogo sobre a covid-19, mapeando e tratando de forma aberta e transparente as dúvidas dos funcionários.”

 

Assim como aconteceu no McDonald’s, na Bunge a procura pelo canal 0800 que inclui atendimento psicológico, com advogados e assistentes sociais, também aumentou, 53% só em março. “Acreditamos que o aumento se deve ao novo cenário que estamos vivendo”, comenta Andrea Marquez, vice-presidente de gente e gestão da Bunge para a América do Sul. “Trata-se de uma situação nunca antes vivida, é normal que gere dúvidas e ansiedade.” A empresa elaborou comunicados específicos lembrando a disponibilidade do serviço para o público interno – cerca de 8 mil funcionários no Brasil.

 

Na Cogna Educação, dona da Kroton, foi criado um serviço de consultas on-line gratuito que orienta e esclarece dúvidas dos mais de 28 mil funcionários da empresa no país. O primeiro atendimento é feito por um enfermeiro, que faz a triagem inicial. Depois, se necessário, é agendado um atendimento posterior por vídeo com a equipe médica. “A ideia é reforçar a prevenção à doença e oferecer um acompanhamento médico a distância, para que consigamos evitar, ao máximo, o deslocamento dos nossos colaboradores a um hospital, reduzindo assim, a exposição deles ao vírus”, afirma Gabriela Diuana, diretora de gente, cultura e inovação da Cogna Educação. O serviço conta também com apoio psicológico – nesse caso restrito a 4 mil pessoas do corporativo da capital paulista e de Valinhos, no interior do estado. “Os profissionais atenderão as pessoas que se sentem ansiosas, tristes demais ou que tenham reações físicas como taquicardia, boca seca e desconforto abdominal, e que necessitem de um suporte psicológico”, explica Gabriela.

 

A americana Red Ventures, dona de empresas digitais nos setores de educação, saúde, home service e serviços financeiros nos Estados Unidos, Inglaterra e Brasil, implementou em março um conjunto de ações que visam manter a saúde física e mental de seus funcionários – 4 mil globalmente, sendo 120 no Brasil. Há aulas diárias ao vivo pela plataforma Zoom de HIIT (treino intervalado de alta intensidade), ioga e meditação. Cerca de cem pessoas se unem nos horários marcados para as práticas. “Tínhamos muita sociabilidade e estamos tentando manter essa proximidade. Inclusive, estamos usando o termo ‘distanciamento físico’ e não ‘distanciamento social’”, diz 8/759. Fernando Iódice, sócio da Red Ventures. Segundo ele, a empresa também tem feito muita conversa individuais. “Estamos ainda mais próximos de quem está sentindo a mudança de forma mais abrupta.”


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