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Tecnologia e criatividade ajudam autônomos a se virar em meio ao coronavírus


Fonte: Valor Investe (19 de março de 2020 )
Foto: Getty Images

Desde que foi divulgado o primeiro infectado pelo coronavírus no Brasil, no dia 25 de fevereiro, esse número já subiu para 350 pessoas confirmadas pelas Secretarias de Saúde dos estados. A alta forte em menos de um mês fez com que o Ministério da Saúde orientasse todas as pessoas a ficarem em casa, período chamado de quarentena. Essa determinação, no entanto, mexe diretamente com a economia e, principalmente, com profissionais autônomos, que são 41% da massa de ocupados no Brasil, segundo o IBGE. Com o estado de isolamento, esses trabalhadores, têm “se virado” como podem, usando a tecnologia como uma aliada.

 

Profissionais que trabalham com prestação de serviços, passaram a oferecer opções online. Quem trabalha com vendas, passou a focar no “delivery”. E há também quem passou a dar mais atenção a outros “braços” da sua atividade.

 

É o caso da maquiadora Diuliana Almeida. Ela conta que está esperando ver como as coisas vão acontecer, mas já viu os espaços na sua agenda aumentarem. “Por enquanto ainda estou atendendo quem não desmarcou. Estou tomando atitudes preventivas, mas não vou negar que estou com medo”, afirma. Já ciente de que outros cancelamentos podem vir e que a demanda deve cair nas próximas semanas, a autônoma investe nas suas redes sociais, onde faz produção de conteúdos próprios e patrocinados (ou chamados “publiposts”).

 

“Vou tentar manter bastante conteúdo aqui para poder manter o cliente sempre em dia com algumas dicas. As divulgações que faço vão continuar, mesmo que de casa. Assim, estou cuidando da minha marca”, afirma.

 

O empreendedor João Pedro Caldeira também adaptou o foco principal do seu negócio. Ele acaba de inaugurar uma lanchonete de comida mexicana. Porém, o uso do espaço vai ficar para mais tarde. Por enquanto, só o “delivery” funciona. Ele dispensou todos os funcionários e, a partir de agora, só ele e seu sócio vão trabalhar na produção e montagem dos lanches.

 

A personal trainer Loiana Brandão também adaptou sua rotina. Além de instruir alunos pessoalmente, a profissional também mantém uma rede de clientes online. Com a pandemia e a orientação de que todos fiquem em casa, ela precisou paralisar as atividades da academia que comanda e começou a passar para os alunos treinos que podem ser feitos em casa.

 

“O que estou fazendo agora é enviar para os alunos de consultoria o treino para ser feito em casa. E para os alunos que atendo pessoalmente vou dar treino ao ar livre, sem nada coletivo, e usando todas as precauções, como manter a distância, usar álcool em gel, etc. E envio vídeos para que a pessoa possa se exercitar em casa”, afirma.

 

Profissionais que trabalham com atendimentos que não exigem contato direto já estão lançando mão de ferramentas como aplicativos de videochamadas, como o Skype, Hangout e o próprio Whatsapp. A psicóloga Jorgenéa Abneder é uma dessas. Ela conta que usa o Messenger do Facebook, e o Whatsapp para fazer os atendimentos, mas afirma que esse tipo de serviço não é novidade. “Isso já era usado por profissionais de vários segmentos. Eu iniciei hoje, respeitando as particularidades de cada cliente”, afirma.

 

to online, como psicólogos e até professores, essa adaptação pode se transformar, inclusive, em uma nova realidade, conforme aposta o professor Renan Pieri, professor da Escola de Administração da Fundação Getulio Vargas (FGV).

 

“Todo mundo que puder fazer vendas por delivery, atendimento online e por telefone, vai usar esse recurso. E isso no futuro pode acelerar essa mudança de comportamento. Vamos começar a usar mais e-commerce e consumir serviços online. E ofertar isso agora representa um alívio”, afirma.

 

Ele ainda explica que o auxílio da tecnologia é fundamental em momentos de crise e foi, inclusive, o que tem ajudado o Brasil a recuperar o nível de ocupação desde a recessão. “Nos últimos dois anos tivemos recuperação de emprego e foi quase tudo puxado por vagas informais, serviços oferecidos por aplicativos, como os de transporte e até mesmo de serviços”, afirma. Ele pondera, no entanto, que os efeitos da pandemia podem ser mais graves, justamente por exigir um isolamento.

 

“Imagine uma pessoa que faz unha, por exemplo?! Ela não vai conseguir atender. Por isso o governo estuda programas de distribuição de renda mínima ou voucher para essas pessoas, se não, elas não terão renda”, afirma.

Para ele, os efeitos da quarentena só poderão ser realmente mensurados daqui a alguns meses. “A gente precisa ver quanto tempo isso vai durar. Nesse começo, os informais vão sofrer mais, principalmente os que não conseguirem adaptar sua forma de trabalho. Depois, dependendo da duração, pode ser que até quem tem carteira assinada sofra as consequências”, afirma.

 

Segundo o professor, por enquanto, os funcionários em regime CLT tendem sentir menos impactos porque demissões tendem a ter um custo alto para o empregador. “Os empresários não vão mandar embora agora se os impactos forem passageiros, porque isso é caro e recontratar depois também custa dinheiro”, afirma.

 


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