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Pandemia faz executivos cancelarem as férias


Fonte: Valor Econômico (19 de março de 2020 )
Manica Duque, CFO da SGS, cancelou as férias e adiou indefinidamente os planos de visitar com o namorado Milão a Costa Amalfitana e a cidade de Milão — Foto: Ana Paula Paiva/Valor

A executiva Monica Duque, CFO da empresa suíça SGS, que faz inspeção, verificação, testes e certificação, presente em 140 países, começou a planejar as férias com o namorado na Itália há seis meses. O voo para Roma estava marcado para dia 10 de abril e incluía no roteiro a Costa Amalfitana e a cidade de Milão. Na sequência, ela pretendia emendar a emendar a viagem com uma reunião de trabalho na matriz da empresa em Genebra, na Suíça, que também acabou cancelada.

 

Há duas semanas, com a escalada do contágio do coronavírus, decidiu cancelar. “Só tinha visitado a Itália uma vez em uma viagem pela Europa, mas minha passagem tinha sido muito corrida. Desta vez, escolhi ficar só por lá, mergulhar a história das cidades, ver museus”, diz.

 

A Itália tem atualmente uma das situações mais graves entre os países afetados pelo coronavírus. O país ultrapassou a marca de 2 mil mortes – sendo mais de 1,4 mil delas na região de Milão. Era para lá que também iria o executivo brasileiro Guatimozim Santos, gerente de relações institucionais da Philip Morris Brasil. No fim de fevereiro, quando a situação na Itália começou a se agravar, Santos cancelou a viagem planejada por cinco meses, que faria ao lado da esposa e da filha. “Três dias antes do nosso embarque, no meio do carnaval, vimos que seria melhor não ir.

 

Além do risco, poderíamos talvez nem conseguir voltar”, diz. Naquele momento, Santos afirma que conseguiu cancelar “com tranquilidade” passagens, hospedagens e pré-reservas para atrações. “Com exceção de alguns tíquetes de passagens de trem, não saí no prejuízo”, diz. Naquele momento de cancelamento, Santos comunicou seu gestor direto que gostaria de postergar as férias. Não havia, até então, uma política na Philip Morris para essa situação.

 

O departamento de pessoas e cultura da empresa avaliou o caso e abriu essa possibilidade. Santos voltou ao trabalho e, atualmente, está de home office. Ainda não tem data para tirar as férias. “Com essa escalada no Brasil e no mundo, estamos em compasso de espera. Além disso, precisarei de um esforço na agenda dos outros colegas para sair”.

 

Na WEX, empresa americana de soluções de tecnologia financeira com 200 funcionários no Brasil, o RH está aberto para rever e remarcar férias agendadas para os próximos meses, segundo Marcelo Velloso, diretor geral para a América Latina. Ele cita o caso de duas funcionárias.

 

Uma, que viajaria para a Turquia, tentou cancelar na agência e não conseguiu. A outra, recebeu o comunicado da companhia área de que não teria voo. Nos dois casos, segundo Velloso, a WEX reagendou as férias. O reagendamento é uma operação que gera custos, admite o executivo, que mobiliza outras áreas, como a fiscal e de impostos, e muda a rotina da da área de benefícios e de fechamento de folha. “Mas é o queremos fazer em respeito às pessoas ”. Além disso, o executivo disse que o RH precisará atuar de forma mais dinâmica com a evolução do coronavírus no Brasil. “Daqui a pouco precisaremos discutir caso de pais que não poderão vir trabalhar, ou ficar disponíveis em tempo integral, para cuidar dos filhos que não podem ainda ir à escola, nem ficar com os avós”, diz Velloso.

 

O fato de os filhos já estarem com as aulas suspensas, aliás, ajudou um executivo brasileiro da alta liderança de empresa de distribuição, a lidar com o cancelamento de uma viagem de férias. “Pelo menos eles pensaram ‘não é mais uma postergação de viagem por conta do trabalho do papai”, conta. Embora, o planejamento da viagem tenha começado há um ano, ele diz que não teve dúvidas ao desmarcar. “Não é hora de colocar a família em risco e também é o momento de ajudar a gente a sair o mais rápido possível dessa situação. Não foi uma decisão pessoal, mas de saúde”, afirma o CIO que preferiu não se identificar.

 

Já o executivo Alex Carneiro, conselheiro da BR Distribuidora, fechou uma viagem para visitar os filhos em Londres e Nova York em janeiro, mesmo sabendo da escalada do coronavírus na China. “Eu subestimei o tamanho do problema”, diz. Quando soube que se tratava de uma pandemia, decidiu cancelar. Até agora, sem previsão para reagendar.

 

Quatro grandes empresas consultadas pelo Valor, da área de tecnologia, saúde e alimentos e bebidas, não informaram possuir políticas de cancelamento de férias. Já o LinkedIn informou que flexibilizou o seu calendário e “abriu a oportunidade para que seus funcionários cancelem ou reagendem suas férias”. Na Wavy, empresa de customer experience do grupo Movile com cerca de 300 funcionários, a orientação é a mesma. “Seguimos as orientações da OMS. A orientação é que remarquem e depois tirem em um período mais tranquilo e sem instabilidade. Eles podem comunicar diretamente o gestor”, diz Marcela Martins, diretora de gente da Wavy. Na empresa, o reagendamento é “mais fácil”, segundo a executiva, porque a política de férias contabiliza os dias úteis – e não corridos. Por enquanto, porém, a executiva afirma que a empresa precisou lidar com um número muito maior de viagens canceladas a trabalho do que de férias de funcionários.


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