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Quer sair da crise? Exporte soja e milho


Fonte: Valor Econômico (13 de março de 2020 )

Em meio ao caos, sempre há oportunidades. E boas oportunidades sempre estão no radar dos exportadores de grãos do país, que cresceram e se profissionalizaram nas últimas décadas, entre outros motivos, para não desperdiçá-las. O fato é: se alguém está se saindo bem em uma crise que derruba empresas e setores inteiros da economia mundo afora, são os exportadores brasileiros de soja e milho, produtos básicos para a alimentação humana e animal em um mundo com ou sem coronavírus, com ou sem petróleo – e, por isso, mais resilientes a turbulências como as atuais, embora não imunes.

 

 

Termômetro disso são as vendas antecipadas desses grãos, que nunca estiveram tão aceleradas. Como as cotações de soja e milho caíram relativamente pouco no mercado internacional nos últimos meses e o dólar disparou em relação ao real, os preços no mercado nacional seguem firmes e as negociações envolvendo uma colheita que só começará a ser plantada no segundo semestre deste ano estão extremamente atraentes.

 

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), ligado à Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), mostram que, no caso da soja, 20,27% da produção estimada no ciclo 2020/21, cuja semeadura terá início apenas em setembro, já foi vendida. E isso que ninguém sabe ainda o tamanho dessa produção – o percentual calculado pelo Imea leva em consideração as estimativas para a safra atual (2019/20), que deverá somar 34 milhões de toneladas.

 

Apenas nos últimos 30 dias, os preços da soja disponível em Sorriso, um dos principais polos de grãos de Mato Grosso, subiram 7,7%, para R$ 77 a saca de 60 quilos, o maior valor desde o fim de 2019, de acordo com a consultoria AgRural. No mesmo período, os contratos futuros de segunda posição de entrega da oleaginosa caíram 4,9%, mas como a valorização do dólar em relação ao real foi de 12,6% (Ptax), mais do que compensou a pequena erosão. Já o Ibovespa caiu 39,79% no último mês. Em fevereiro, os volumes da safra 2020/21 saíram, em média, por R$ 74,45, valorização de 3,5% ante o valor médio praticado em janeiro.

 

No porto de Paranaguá, no Paraná, a saca chegou a ser vendida por R$ 93 ontem, maior valor desde outubro de 2008, e ontem estava em R$ 93,23, de acordo com o indicador Esalq/BM&FBovespa. “Mesmo com o aumento da oferta com a entrada no mercado da colheita da safra 2019/20, a valorização do dólar tem pesado mais e mantido os preços internos elevados”, disse Alaíde Ziemmer, analista da AgRural. “E a tendência é que isso continue”.

 

No mesmo período do ano passado, apenas 2,5% da colheita estimada para esta safra 2019/20 havia sido vendido antecipadamente. Nesse caso a média de preços de fevereiro foi de R$ 74,43 a saca, alta de 3,8% em relação a janeiro. E, de acordo com Guilherme Bellotti, analista do Itaú BBA, os prêmios nos portos para as cargas embarcadas atualmente também estão atrativos, em torno de 50 centavos de dólar por bushel em Paranaguá.

 

“Os preços futuros em dólar também garantem margem na aquisição de insumos, já que a valorização da saca compensa o aumento dos preços de produtos como fertilizantes e defensivos”, avaliou. “Os preços dos fertilizantes [que serão usados no plantio da safra 2020/21], por exemplo, estavam baixos e começaram a subir agora, especialmente os fosfatados e nitrogenados”, disse. Mas o analista alerta para a necessidade de o produtor travar os preços tanto da soja quanto do dólar, para evitar a aquisição de fertilizante com o dólar alto e receber menos pela soja no próximo ciclo, diante do cenário de incertezas.

 

No caso do milho, os preços no mercado interno estão relativamente mais atraentes, o que já provocou uma movimentação inédita. Segundo o Imea, 15,17% da colheita da segunda safra do ciclo 2020/21, que será cultivada em Mato Grosso apenas a partir de janeiro, já foi vendida, a um preço médio de R$ 26,95 a saca – lembrando que o Imea considera para esse cálculo as 32,4 milhões de toneladas estimadas para 2019/20, cuja colheita ganhará força no segundo trimestre. Nunca antes uma safra de milho do Estado – ou do país – começou a ser vendida tão cedo.

 

Para o milho da safra 2019/20 de Mato Grosso, as vendas chegaram a 73,4% da produção esperada, ante 52,9% neste mesmo período do ano passado, quando estava em jogo a comercialização da safrinha de 2018/19. A média dos preços em fevereiro ficou em R$ 27,72 a saca de 2019/20, um aumento de 4,5% em relação ao mês anterior.

 

“Tivemos vendas de milho ontem em Rondonópolis (MT) a R$ 31,50 a saca com entrega em agosto deste ano, valor 8,6% maior que o praticado há um mês”, disse Alaíde. Em Chicago, os contratos de segunda posição de entrega da commodity caíram 5,5% nos últimos 30 dias. A saca do cereal chegou ontem a R$ 57,59 na média de Campinas (SP), segundo o indicador Cepea, alta de 8,15% no mês e o maior valor nominal da série histórica.


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