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Companhias começam a restringir viagens nacionais


Fonte: Valor Econômico (12 de março de 2020 )
Ciro Marino, presidente da Abiquim: “Deixar em casa o profissional que vem de outros países evita constrangimentos no ambiente de trabalho” — Foto: Divulgação

Com o aumento do número de casos confirmados do novo coronavírus no Brasil, empresas e bancos começam a aumentar as restrições no deslocamento dos funcionários. Diante da expectativa de que o país enfrentará, em breve, um aumento súbito de pessoas infectadas, não basta, na visão das companhias, evitar voos ao exterior. Algumas já restringem viagens dentro do país e muitas ampliaram o uso do chamado “home office”, que mantém o empregado trabalhando em casa. O setor privado começa a conviver, no Brasil, com a solidão que a Covid-19 já propagou em outros países.

 

A restrição de viagens nacionais já é uma orientação em multinacionais do setor químico, segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Ciro Marino. “Estamos seguindo as recomendações do Ministério da Saúde”, diz Marino. Segundo ele, essa indústria também abriu a possibilidade de trabalhar em casa para quem vem de outros países, principalmente para “evitar constrangimentos no ambiente de trabalho”.

 

Também a Unimed começa a orientar seus funcionários, que costumavam viajar entre Estados com frequência, a evitar esses deslocamentos.

 

Na EDP, uma das maiores companhias do setor elétrico, os funcionários continuarão indo para o trabalho, mas nem todos se encontrarão nos mesmos dias. A partir de segunda-feira, será adotado um rodízio semanal de equipes para evitar possível disseminação do coronavírus em seus escritórios.

 

As equipes foram divididas em três grupos, sendo que dois trabalharão em escritórios em endereços diferentes e um terceiro ficará em “home office”. A cada semana, uma turma diferente trabalhará em casa. O esquema vale para todos os funcionários de São Paulo e distribuidoras do interior paulista e Espírito Santo.

 

Com menos voos inclusive no território nacional, piora a situação das companhias aéreas. Nem mesmo a notícia da redução do preço do petróleo, esta semana, evitou a forte queda nas ações dessas empresas. Ontem, a ação da Azul fechou em queda de 16,39% e a da Gol, 14,57%. No acumulado do mês, Azul e da Gol acumulam quedas de 31,93% e de 38,87%, respectivamente, na B3. Negociado na Bolsa de Nova York, o papel da Latam registrou desvalorização de 17,79% desde o início de março.

 

A United permitirá a quem comprou passagem este mês, cancelar, reagendar ou mudar voos sem pagar multa quando se tratar de destinos onde o surto da doença se agrava, segundo o advogado da empresa no Brasil, Marcio Souto. “Essa política pode ser estendida ou suspensa, dependendo de como avançar a epidemia”, disse.

 

Segundo a “Agência Brasil”, o Ministério Público Federal recomendou à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a publicação de ato normativo para possibilitar ao consumidor cancelar, sem ônus, passagens aéreas nacionais e internacionais para destinos atingidos pela Covid-19

 

A Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata), que reúne as 300 maiores empresas aéreas do mundo, vai rever projeção de perdas do setor para incluir dados da América Latina. Na semana passada, a entidade informou que em um cenário com casos concentrados na Ásia e Europa, o setor poderia ter perda de aproximadamente US$ 63 bilhões em receita em 2020. Mas essas previsões só consideravam países com pelo menos dez casos confirmados, o que excluía a América Latina.

 

Segundo o diretor-geral da Iata no Brasil, Dany Oliveira, a entidade avalia, agora, prejuízos na região. Segundo a entidade informou na semana passada, em cenário de maior disseminação da doença, as perdas do setor no mundo podem chegar a US$ 113 bilhões.

 

No Porto de Santos, foi instalado um ponto de atracação para receber embarcações com tripulantes que possam estar contaminados. Administradoras de planos de saúde também montam esquemas de informação. A Qualicorp organizou, nos últimos dias, palestra on-line sobre o tema para clientes.

 

Centro financeiro do país, a região da Avenida Faria Lima, na zona sul de São Paulo, já concentra alguns casos confirmados de coronavírus. O Itaú Unibanco confirmou, ontem, que dois funcionários foram diagnosticados com o vírus. Segundo o banco, eles buscaram atendimento médico e seguem as orientações de tratamento e afastamento. Para quem tem viagem marcada, o banco recomenda substituir a presença física por meios de comunicação remota ou postergar a data da viagem.

 

Com um caso confirmado na semana passada, a Mastercard decidiu, por orientação das autoridades de saúde pública, fechar os escritórios em São Paulo e Harrison (NY), onde ele foi contaminado. Na terça-feira, a XP confirmou o segundo caso de coronavírus na empresa e liberou o “home office” para todos os funcionários que preferirem trabalhar de forma remota. Há um caso no escritório da CSN na mesma região.

 

Procurados pelo Valor, vários bancos preferiram não se pronunciar sobre os planos de contingência. Já o Bradesco informou que tem oferecido material informativo aos funcionários e criou uma central de atendimento exclusiva para esclarecer dúvidas. A instituição solicita que todos os que voltaram de viagens ao exterior façam testes. Segundo o Bradesco, independentemente do resultado, o banco concede licença de 15 dias a esses funcionários. O Banco do Brasil também adotou quarentena para funcionários que viajaram para países com maior risco.

 

No setor financeiro, profissionais que viajam com frequência ao exterior estão sendo orientados a reavaliar a urgência dos deslocamentos. O Citi restringiu voos para países como Coreia do Sul, China, Itália e Irã. A B3 também trabalha na prevenção. A operadora da bolsa informa que montou uma estrutura de trabalho remoto.

 

O advogado de um escritório na Faria Lima disse ao Valor que alguns condomínios da região passaram a perguntar ao visitante que chega na recepção se ele viajou recentemente ao exterior. <strong>(Colaboraram Beth Koike e Taís Hirata)


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