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Executivas brasileiras são mais tecnológicas


Fonte: Valor Econômico (9 de março de 2020 )
Patricia Molino, sócia da KPMG, diz que as mulheres dividem mais o conhecimento — Foto: Ana Paula Paiva/Valor

A tecnologia está cada vez mais presente na vida das executivas que comandam empresas no Brasil, tanto na hora de traçar estratégias de crescimento para suas companhias, como para alavancar a própria carreira profissional. Em comparação com as dirigentes de outros países, as brasileiras aparecem como mais bem treinadas no uso de ferramentas tecnológicas como plataformas digitais e mídias sociais. Elas também têm maior interesse em aprender sobre inteligência artificial e valorizam mais insights fornecidos pela análise de dados em suas decisões.

 

Esses dados fazem parte de um amplo estudo realizado pela consultoria KPMG com 1.124 executivas em cargos de liderança em 16 países, sendo 82 brasileiras. A maior parte das mulheres ouvidas no “Global Female Leaders Outlook” está na faixa acima dos 40 anos, metade ocupa há mais de cinco anos um posto de CEO ou no chamado C-level, respondendo, prioritariamente, pelas áreas de estratégia, finanças, jurídica e compliance de suas companhias.

 

As brasileiras despontam no levantamento obtido com exclusividade pelo Valor por seu interesse no aprendizado. Mais de 81% fizeram cursos de pós-graduação (77% têm mestrado e 4% doutorado), na comparação com 67% das estrangeiras. No Brasil, 80% das dirigentes afirmaram, inclusive, ter planos para continuar seu desenvolvimento profissional, contra 72% das demais. Para isso, nem todas pretendem ficar onde estão, uma vez que 37% acreditam que para dar o próximo passo na carreira precisarão mudar de trabalho.

 

O que pode ajudar nessa mudança de rumo é a habilidade das executivas do país em cultivar o networking e sua competência no uso das mídias sociais. No estudo, 44% das brasileiras dizem usar intensamente as redes e 89% consideram as redes de contatos de negócios e do setor muito efetivas. Por conta disso, o apoio às novas profissionais vem ganhando espaço fora e dentro das empresas.

 

Embora 55% das brasileiras tenham dito que receberam mais suporte de homens do que de mulheres em suas trajetórias profissionais, 61% delas hoje atuam como mentoras para as mais jovens. “Há uma preocupação maior em dividir o conhecimento. Também existem mais grupos de mulheres interessadas no empoderamento dentro das organizações”, diz Patricia Molino, sócia-lider do Comitê de Inclusão e Diversidade da KPMG no Brasil.

 

Ela diz que, no estudo, dentre as executivas que sabem quem as sucederá em seus cargos, 30% afirmam que passarão o comando a outra mulher. Mais de 85% veem com bons olhos os programas que incentivam o desenvolvimento de lideranças femininas em suas empresas. “As executivas sabem que o início da carreira é um período difícil em que as mulheres muitas vezes são preteridas”, diz Patricia. No Brasil, 57% das entrevistadas disseram ver em seu dia a dia o uso de estereótipos e julgamentos enviesados. “Chamou a atenção o fato de 4% das brasileiras terem falado sobre assédio no trabalho”.

 

A resposta para o preconceito está sendo dada por meio do investimento das mulheres em sua preparação profissional. De olho no futuro, mais de 67% das brasileiras pretendem no próximo ano aumentar seus conhecimentos sobre inteligência artificial (IA), 71% em análise de dados e 72% em plataformas digitais.

 

O uso de ferramentas digitais já é uma prática adotada pela maioria das executivas entrevistadas para compreender e desenvolver um melhor relacionamento com clientes. Metade das brasileiras já usa dados na hora de tomar decisões críticas, afirmando não se deixar levar pela intuição ou impressões pessoais.

 

No negócios, as lideranças do Brasil e dos outros países dizem estar trabalhando “para transformar o negócio e serem disruptivas no mercado em que atuam”. As brasileiras estão mais empenhadas nisso, sendo que 80% delas dizem que essa transformação não é causada apenas pelo rápido avanço tecnológico, mas também pelas conexões com outros elos da cadeia corporativa. Para elas, a ‘disrupção’ não é uma ameaça, mas uma oportunidade para suas companhias. Quando perguntadas sobre o impacto que a IA terá sobre o trabalho, as brasileiras são mais céticas – quase 60% afirmam que a tecnologia eliminará e não criará novos empregos, contra a opinião de 41% das demais.

 

Quanto à economia, as brasileiras estão mais otimistas em relação ao futuro no cenário internacional e no país. Metade está muito confiante sobre a economia local nos próximos três anos. Mais de 70%, aliás, confiam no desempenho de suas companhias nesse período. Embora apenas 33% vejam a receita de suas empresas crescendo acima de 10% anualmente até 2022.

 

Quando perguntadas o que as motiva a seguir em frente, aparecem mais diferenças em relação às estrangeiras. Enquanto 83% das executivas internacionais acreditam que a agilidade é a nova moeda de troca nos negócios e que a lentidão em inovar pode levar as empresas à falência, 73% das brasileiras dizem o mesmo. Já a preocupação envolvendo o crescimento da empresa relacionado a um propósito social mais amplo, como práticas de inclusão e sustentabilidade, é maior entre as brasileiras (68%), contra 36% das estrangeiras.


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