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FGV: Brasil pode perder 15% da exportação à China com trégua com EUA e coronavírus


Fonte: Portos e Navios (21 de fevereiro de 2020 )

 

A trégua comercial entre Estados Unidos e China e a epidemia de coronavírus podem causar recuo de 10% a 15% nas exportações brasileiras ao país asiático, segundo boletim do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV).

 

Os dois fatores, ao lado dos efeitos do quadro econômico argentino, sinalizam e reforçam, segundo o Ibre, a tendência de redução do superávit da balança comercial em 2020.

 

Lia Valls, economista do Ibre, diz que a projeção de perda é ainda preliminar, pois ainda não se sabe quanto tempo irá demorar para se garantir o controle da epidemia de coronavírus. Resta saber também qual será o efeito concreto da epidemia na economia do país asiático. As projeções para o crescimento chinês este ano sob o efeito da epidemia, lembra ela, variam de 5% a 6%.

 

A epidemia, junto com o impacto do acordo no conflito comercial entre China e Estados Unidos, diz o boletim, aponta queda nos preços das commodities para os próximos meses e recuo nos volumes importados pela China.

 

O acordo EUA-China, destaca Lia, pode ter efeitos importantes para a exportação brasileira. Para ela, deve haver perdas nos embarques de soja, mas o principal risco são as perdas potenciais nas exportações de carnes, devido à facilitação aos americanos em relação às barreiras fitossanitárias impostas pela China.

 

Isso acontece, diz Lia, num momento em que o Brasil começava a elevar suas exportações de carne para os chineses, com cumprimento das medidas fitossanitárias e habilitação de frigoríficos brasileiros. A economista lembra ainda que a as exigências fitossanitárias são barreiras não tarifárias relevantes para a exportação de produtos agropecuários como um todo.

 

A trégua na guerra comercial, aponta o boletim, foi entendida como um fator positivo para o comércio mundial por diversos analistas. “No entanto, consideramos que o acordo de ‘comércio administrado’ por metas abre um precedente de risco para o equilíbrio do comércio mundial, ligado à diferença de poder entre os países. Que novos acordo podem ser esperados? O cenário é de incerteza”, diz o texto.

 

Além das questões relacionadas à China, Lia também considera que a economia argentina não deverá contribuir para o aumento da exportação brasileira em 2020. A economista diz que o efeito da recessão argentina na exportação brasileira não é novo e ficou evidente em todo o ano de 2019, mas tudo leva a crer que continuará a afetar os embarques de produtos manufaturados brasileiros.

 

O boletim ressalta que a construção de um clima de entendimento entre os dois países, com a possibilidade de suspensão de medidas como a exigência de licenças de importação, é um passo importante. O retorno de um ciclo de crescimento argentino, que permitiria a recuperação da exportação brasileira de automóveis, porém, não está num horizonte próximo.

 

O documento destaca que a balança comercial brasileira registrou em janeiro déficit comercial de US$ 1,7 bilhão. As trocas com a China, principal parceiro comercial do Brasil, resultaram num saldo negativo de US$ 1,57 bilhão em igual período. As exportações brasileiras para o país asiático caíram 8,8% em valor, com queda de 2,5% no volume e de 6,4% nos preços. No caso das importações, o volume subiu 3,4%, mas os preços caíram 3,8%.

 

O boletim ressalta ainda a trajetória da desvalorização cambial que, em tese, provocaria uma reação positiva das exportações. O Ibre destaca, porém, que setores exportadores, como o automotivo e farmacêutico, são também ramos que consomem insumos importados e, por isso, são afetados também de forma negativa pelo dólar mais caro. “Além disso, a incerteza que permeia os rumos da taxa de câmbio refreia as decisões de compras e vendas no comércio exterior”, diz o boletim.


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