SOPESP NOTÍCIAS

Home   /   Infraestrutura e Investimentos   /   Ofertas de ações mostram euforia de investidores

Ofertas de ações mostram euforia de investidores


Fonte: Valor Econômico (10 de fevereiro de 2020 )
Finkelsztain, da B3: tamanho médio de oferta deve sair dos US$ 400 milhões para a média internacional, de US$ 100 milhões — Foto: Ana Paula Paiva/Valor

 

As primeiras ofertas de ações do ano demonstram a euforia dos investidores brasileiros com a bolsa, em um cenário de juros no menor patamar da história. Nas ofertas iniciais (IPOs), em que a empresa e os bancos coordenadores testam uma faixa de preço, a venda aconteceu no valor mais alto. Na maioria das ofertas subsequentes (“follow-ons”), os preços ficaram em valores similares aos que os papéis estavam sendo negociados no pregão. Nos dois tipos de oferta, os pedidos dos investidores pelas ações superaram em mais de oito vezes o volume que estava sendo de fato vendido – e, com isso, ajudaram as ações a subirem até 20% no dia seguinte. Gestores e analistas já começaram a questionar se os preços estão ficando inflados.

 

No IPO da empresa de tecnologia Locaweb, por exemplo, a demanda dos investidores passou de dez vezes o ofertado, a empresa fixou o preço no teto da faixa pretendida no prospecto e, no dia de estreia, suas ações valorizaram 19,42%. No caso da Mitre Realty, também no preço máximo, as ações subiram 7,77%. Já no follow-on da Ânima Educação, o desconto foi de apenas 0,41% sobre a cotação que o papel era negociado na bolsa, e a companhia conseguiu vender também seu lote adicional, dada a demanda de oito vezes o livro. No bilionário follow-on da Petrobras, o desconto foi de 1,6%, também com alocação do lote extra. A exceção ficou por conta da oferta da Positivo, que teve desconto alto e as ações tiveram forte queda no dia seguinte.

 

 

O mercado costuma considerar um desconto razoável de até 4% para follow-ons bem demandados. Para os IPOs, valorizações de estreia em torno de 10% tendem a deixar todos os lados satisfeitos – o empresário acha que vendeu num bom preço, sem deixar dinheiro na mesa, e o investidor considera que fez um bom negócio ao aderir à oferta. Conforme dois bancos, no entanto, isso acontecia com maior frequência no mercado americano, enquanto no mercado brasileiro a empresa vendedora tentava puxar ainda mais o preço para cima, deixando pouca margem para o papel subir nos primeiros dias. “Como o ciclo de financiamento da empresa tende a ser o mercado de capitais daqui por diante, essa relação está mudando”, considera um dos banqueiros.

 

O diretor de um banco estrangeiro ressalta que investidores brasileiros tendem a inflar os livros das ofertas ao fazer reservas muito mais altas do que pretendem de fato levar, para não correrem o risco de ficar de fora – pedem R$ 700 milhões quando querem levar R$ 300 milhões, por exemplo. Essa seria uma das explicações também para os múltiplos elevados na relação entre oferta e demanda. Mas, para outros executivos, isso já estaria sendo ajustado.

 

“O que estamos vendo é o investidor institucional brasileiro tendo uma postura menos reativa e muito mais proativa nas ofertas”, avalia Alessandro Farkuh, chefe do Bradesco BBI. “Quando a oferta é anunciada, os gestores já nos procuram para saber mais, para sinalizar interesse, quando no passado esperavam o contato dos bancos”, diz. É dessa iniciativa que tem se formado com três ou quatro gestoras locais a ancoragem para ofertas logo no início do cronograma.

 

As companhias têm chegado à bolsa com múltiplos em torno de 25 a 30 vezes o lucro projetado para o ano, muitas vezes semelhantes aos líderes de seus setores. Na terça, a construtora Moura Dubeux vai precificar seu IPO e, conforme duas fontes, também deve conseguir emplacar múltiplos elevados em relação a seu balanço.

 

“O investidor tem que estar muito otimista para considerar as premissas que as empresas têm feito nas ofertas. O que explica isso é estarmos em ‘bull market’”, diz Wagner Salaverry, estrategista da gestora Quantitas. “As próximas temporadas de resultados serão importantes e acredito que no caso de algumas companhias trará correção de valuations”.

 

Para José Olympio Pereira, presidente do Credit Suisse, trata-se de um movimento natural de mercado. “As ofertas estão precificando uma perspectiva de crescimento alto das empresas. Se esse crescimento não se materializar, aí haverá uma correção de preços”, diz. Ele considera que a queda relevante na taxa de juros continuará se refletindo no interesse dos investidores pela bolsa e por ativos de risco, como fundos de private equity e fundos imobiliários. “E isso vai continuar. Teremos uma onda avassaladora de IPOs”, considera.

 

Farkuh, do BBI, descarta que os preços estejam inflados nas ofertas. Para ele, são reflexo do elevado fluxo de recursos local para a bolsa e necessidade de alocação de capital – foram investidores brasileiros que ficaram com quase 60% da oferta de R$ 22 bilhões da Petrobras, por exemplo. “Além disso, o universo de empresas na bolsa é muito pequeno, o que faz com que as assets tenham portfólio similar. A forma de diferenciar estratégia é entrando em IPO ou follow-on.”

 

A alta demanda já tem viabilizado IPOs de porte menor e, para a B3, essa é uma tendência. O presidente da bolsa, Gilson Finkelsztain, vê o tamanho médio de ofertas saindo dos atuais US$ 400 milhões para a média internacional, de US$ 100 milhões. “Vários mitos estão caindo por terra. O IPO da Locaweb mostrou que é possível listar empresas de tecnologia em bolsa brasileira, a maior participação de brasileiros e as precificações também acabam com aquela história de que é o Leblon que define preço”, diz.

 

Ele afasta a discussão de bolha ou não na bolsa, já que o que vai determinar isso é o crescimento econômico que o país terá ou não. “Wall Street antecipa ‘main street’. Estamos no início de um ciclo de crescimento. As companhias estão convencendo de que têm um monte de projeto, que os lucros serão maiores, e os investidores estão comprando”, diz Finkelsztain.


Mais lidas


    A desestatização do Porto de Santos deve ser concluída até o fim de 2022, de acordo com o secretário nacional de Portos e Transportes Aquaviários no Ministério da Infraestrutura, Diogo Piloni, durante o III Congresso de Direito Marítimo e Portuário. De acordo com ele, a consulta pública deve ser aberta até o fim […]

Leia Mais

Os assistidos pelo Instituto Portus de Seguridade Social, o fundo de pensão dos portuários, obtiveram importante vitória na Justiça. O juiz José Alonso Beltrame Júnior, da 10ª Vara Cível de Santos, concedeu liminar em que determina a suspensão do aumento na contribuição dos participantes da ativa e aposentados.   A ação civil pública foi promovida […]

Leia Mais

Através de um investimento de 100 milhões de euros, a Tesla irá entregar os dois primeiros navios porta-contêinereselétricos à Holandesa Port-Liner, em Agosto.   Após a entrega, a Tesla entregará ainda mais seis navios com mais de 110 metros de comprimento, com capacidade para 270 contentores, que funcionarão com quatro caixas de bateria que lhes […]

Leia Mais

Por causa da curvatura da Terra, a distância na qual um navio pode ser visto no horizonte depende da altura do observador.   Para um observador no chão com o nível dos olhos em h = 7 pés (2 m), o horizonte está a uma distância de 5,5 km (3 milhas), cada milha marítima igual a 1.852 […]

Leia Mais