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China renegocia contratos de exportação de carne e frigoríficos sentem efeito


Fonte: G1 (23 de janeiro de 2020 )
Setor produtivo de carne bovina comemora o bom desempenho no ano passado — Foto: Assessoria/Governo/Rondônia

Os principais frigoríficos brasileiros sofreram durante boa parte do pregão na B3, a bolsa de valores de São Paulo, nesta quarta-feira (22), após informações de que a China está renegociando os contratos de compra das carnes brasileiras.

 

As ações dos principais frigoríficos inciaram com forte recuo durante a quarta-feira, sendo que JBS e Marfrig tiveram as negociações suspensas mais de uma vez após oscilação acima do permitido.

 

No fim do pregão JBS ON caiu 0,13% e Marfrig ON baixou 2,83%. Já BRF ON, outro grande do setor e que negou a renegociação, reverteu a perda da manhã subindo 0,48%.

 

Segundo reportagem do jornal “Valor Econômico” desta quarta-feira (22), os chineses estão impondo descontos de 30% sobre o valor da carne sul-americana, afetando a rentabilidade das companhias.

 

A reportagem afirma que, desde dezembro, os importadores impuseram descontos de pelo menos US$ 1 mil por tonelada sobre cargas que já estavam no mar e até mesmo nos portos do país. Há relatos de pedidos de US$ 2,5 mil, deságio significativo.

 

Agora, após intensas renegociações dos contratos de exportação para seu principal cliente, os frigoríficos brasileiros já operam com margem negativa nas vendas.

 

As perspectivas a longo prazo ainda são boas, mas o que pressiona os ativos do setor neste pregão são os efeitos imediatos do imbróglio com os asiáticos.

 

Equilíbrio só em fevereiro
Além disso, existe uma preocupação adicional: o início o Ano Novo chinês, um feriado que para o país durante uma semana, paralisando também qualquer tipo de negociação. Assim, a situação e consequente equilíbrio deste mercado só ocorreria no início de fevereiro, praticamente.

 

Vale lembrar a euforia dos frigoríficos brasileiros quando a peste suína africana passou a tomar maiores proporções na China, fazendo a produção de carne suína do país asiático chegar ao menor nível em 16 anos.

 

Estima-se que o mercado chinês só terá condições de se recuperar em 2025. Em avaliação do banco holandês Rabobank divulgada na semana passada, as importações chinesas de carne de porco podem somar 4,2 milhões de toneladas neste ano. Caso isso aconteça, será o equivalente a toda a carne suína produzida hoje no Brasil.

 

Acompanhe a cobertura de Agronegócios do G1


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