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Cresce o uso da análise de dados na gestão do RH


Fonte: Valor Econômico (9 de dezembro de 2019 )
Eduardo Corazzin, head de people analytics da Ambev, diz que o algoritmo mede se um funcionário tem características que apontam que ele pode sair e avisa o seu gestor — Foto: Cláudio Belli/Valor

Um analista de sistemas vem trabalhando para atender as demandas de recursos humanos da Ambev. Em outra multinacional, a Adtalem, é um engenheiro que ocupa o cargo de gerente geral de operações do RH. Se em um primeiro momento a mistura de áreas tão distintas como engenharia, análise de sistemas e gestão de pessoas pode parecer estranha, a verdade é que essa interação é cada vez mais comum com o uso crescente da ciência de dados nos departamentos de recursos humanos das empresas – o chamado “people analytics”. “A análise de pessoas é um novo domínio para os departamentos de RH. As empresas procuram direcionar melhor o retorno de seus investimentos nas pessoas e as velhas abordagens da intuição não são mais suficientes”, diz Luiz Comazzetto, vice-presidente e sócio da consultoria de recrutamento Fesa Group.

 

Ao colher e analisar dados sobre seus funcionários, as empresas, de forma geral, conseguem tomar decisões mais inteligentes em relação à gestão de pessoas. “Com o uso de informações mais analíticas, as organizações podem encontrar candidatos melhores, tomar decisões de contratação mais inteligentes e aumentar o desempenho e a retenção dos funcionários”, diz Comezzeto.

 

Na Ambev, o head de people analytics da empresa Eduardo Corazzin é formado em análise de sistemas e tem quatro pessoas em sua equipe. A atuação do grupo passa por levar mais assertividade ao recrutamento, melhorar a retenção de profissionais e apoiar a avaliação de desempenho. Ele dá um exemplo prático: “O algoritmo mede se o funcionário tem características que apontam que ele pode sair da companhia e avisa o gestor para tomar medidas de retenção”, afirma. Entre os itens levados em conta pela ferramenta estão o tempo que o empregado permanece conectado ao sistema interno de comunicação e a variação de horários de entrada. “O algoritmo vai juntando características que podem indicar um caso de ‘turnover’ e gera uma ação para o gestor. Os dados são colocados em um painel para o executivo ver e entender o que está acontecendo”, explica Corazzin.

 

Já no processo de recrutamento, graças a uma volumosa massa de dados, o sistema começa a entender melhor qual é o tipo de profissional com maior alinhamento à cultura da companhia. “O algoritmo desenha um perfil de sucesso e faz a relação com quem está no processo de recrutamento”, afirma o executivo da Ambev. Segundo ele, a multinacional, que tem mais de 30 mil funcionários, passou a usar mais intensamente o people analytics há cerca de três anos.

 

Na Adtalem, grupo americano de educação dono das marcas Damásio e Ibmec no Brasil, também há uma equipe dedicada a analisar dados para o RH. O grupo, liderado por Mateus Vieira, tem cinco pessoas, entre supervisores e analistas.

 

Formado em engenharia, Vieira começou sua carreira trabalhando com business intelligence (BI) e quando o RH da Adtalem decidiu que era preciso usar dados para apoiar suas decisões, alinhando ainda mais o departamento com a estratégia de negócio da companhia, Vieira, que já trabalhava na empresa, foi recrutado para a equipe. “A gestora de RH viu a necessidade de ter uma pessoa com perfil mais analítico. Então ela olhou para a área de BI e eu fui transferido para o RH”, conta o executivo, que ocupou por um ano o cargo de gerente de people analytics e desde novembro assumiu a função de gerente geral de operações de recursos humanos na Adtalem Educacional do Brasil.

 

Para ele, amparar as decisões da área de RH em dados facilita a aprovação de demandas com a diretoria da companhia e permite construir uma estratégia de pessoas mais forte, alinhada com a diretriz de negócio da empresa. Usando a análise de dados, segundo Vieira, é possível monitorar com mais precisão os custos com pessoas, rotatividade, absenteísmo e até reduzir os gastos com plano de saúde e a sinistralidade. “É importante correlacionar informações. Não adianta olhar um dado isoladamente”, diz. A Adtalem tem cerca de 4,5 mil funcionários no Brasil.

 

A alemã Basf, assim como a Ambev e a Adtalem, tem uma célula dedicada a people analytics há cerca de três anos. São cinco pessoas com formações variadas – economia, estatística, ciências sociais e engenharias. Na visão de Ramiro Luege, gerente sênior de remuneração, mobilidade e people analytics da Basf para a América do Sul, a ciência de dados aplicada aos recursos humanos aporta rigor científico à gestão de pessoas, dando mais poder à área. “Em um contexto de complexidade e incerteza dos desafios futuros, a adoção da metodologia de people analytics resulta em um diferencial estratégico”, diz o executivo.

 

Ele explica como a tecnologia é usada na empresa. “A equipe atua desde uma perspectiva dos eventos passados e, a partir do uso de analítica avançada, temos uma melhor compreensão por meio de correlações do que ocorre no presente. Com esse entendimento e apoio de machine learning e inteligência artificial podemos fazer análises preditivas com as perspectivas de cenários futuros.”

 

Em um exemplo prático, o modelo preditivo citado por Luege é utilizado para entender o “turnover”, uma vez que possibilita compreender quais são as causas e o perfil dos funcionários que saem voluntariamente da empresa. “De modo proativo a organização pode atuar nas causas organizacionais e motivadores individuais que levam à tomada de decisão, mantendo os melhores talentos mais engajados e se desenvolvendo na organização.”


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