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O último czar corporativo pode estar na sua empresa


Fonte: Valor Econômico (5 de dezembro de 2019 )

A dinastia da família Románov dominou o poder na Rússia por mais de 300 anos. Em 1917, com a Revolução Popular, os últimos Románovs foram destituídos do poder e brutalmente assassinados. A saga do poder da família virou série de TV e livros, entre eles, o best-seller “Os Románov”, do autor Robert K. Massie.

 

O czar era o representante supremo do poder, ditava todas as regras e tomava as decisões. Ele precisava se manter forte e incansável na gestão do vasto Império Russo. Nicolau Románov foi o último czar da Rússia. Em sua turbulenta gestão, tomou várias decisões equivocadas que lhe causaram a própria vida e a queda da dinastia de sua família.

 

Pouco preparado para o poder e com doses de prepotência exacerbada, iniciou guerras que custaram muito ao império e à sua credibilidade como líder. Aceitava pressão de conselheiros que tinham sua agenda pessoal acima das necessidades do povo e acentuavam o distanciamento de Nicolau com o que acontecia nas cidades e no campo.

 

Nos momentos em que poderia ouvir a população, Nicolau seguiu sua cega e conturbada administração, deixando o povo furioso e fazendo crescer movimentos que culminaram com a Revolução de 1917, quando ele foi expurgado do poder.

 

O mundo corporativo pode estar distante da turbulenta Rússia do início do século XX, mas ainda cultuamos o líder super-homem.

 

Como um czar no poder, o CEO de muitas empresas ainda precisa tomar todas as decisões, ser forte e imponente no trono do poder. Vive isolado em uma sala suntuosa com diversas instâncias para bloquear o acesso direto. Muitas empresas ainda operam como côrtes a serviço de um czar tirano e solitário.

 

Como todo o líder isolado, sua gestão passa a ser baseada em informações nem sempre verdadeiras e com alto grau de manipulação.

 

A centralização do poder trava a organização e gera uma leitura de cenário comprometida. A velocidade da empresa também é reduzida quando os níveis de aprovação são centralizados na alta gestão.

 

Os autores do livro “Hidden Value: How great companies achieve extraordinary results with ordinary people” (em tradução livre: Valor Escondido. Como grandes empresas atingem resultados extraordinários com pessoas comuns), Jeffrey Pfeiffer e Charles A. O’ Reilly, mostram que existem cada vez mais evidências de que a delegação de poder aumenta a produtividade, o moral e o comprometimento das pessoas. Eles citam um estudo do Instituto Gallup que, entre 2015 e 2018, estudou mais de 500 empresas e observou que os 143 CEOs que mais delegavam autoridade conseguiam melhores resultados e seus negócios cresciam mais rápido.

 

Em seu livro, “A Arte de Formar Líderes”, John C. Maxwell também mostra o papel da descentralização do poder, construção de sucessão e desapego. Ele diz que pequenas tarefas podem ser feitas individualmente, mas grandes atividades e com velocidade cada vez maior exigem a construção de grupos fortes e autônomos.

 

A transformação dos negócios exige uma nova forma de organizar o trabalho. O modelo hierárquico tradicional está em crise. Em algumas empresas ele já foi eliminado, mas em todas entrará em colapso se não construirmos novas formas para dar agilidade e empoderar as pessoas.

 

As novas dinâmicas de trabalho chamadas de squads e hubs ganham espaço. Suas metodologias baseadas em modelos ágeis transferem o poder para os grupos e retiram a decisão da cúpula da empresa. A crença dessa mudança é de que as pessoas podem contribuir mais do que seus cargos e muitos projetos e atividades necessários para o desenvolvimento da empresa podem ser feitos de forma mais rápida e colaborativa.

 

Em empresas acostumadas com um czar e sua corte será impossível construir essa mudança. Diferente da Revolução Russa que eliminou o cambaleante Nicolau Romanóv, nas organizações lideradas por um líder solitário e poderoso o mercado, com sua sábia e soberana evolução, que eliminará os absolutistas. Mas, a revolução mais dura é aquela determinada pelos consumidores que irão buscar as novas organizações para realizar seus desejos e associar a sua marca pessoal.

 

 

Rafael Souto é sócio-fundador e CEO da consultoria Produtive Carreira e Conexões com o Mercado. Especialista em planejamento e gestão de carreira de executivos.

 


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