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Mudança do clima já causa danos à saúde infantil, diz estudo


Fonte: Valor Econômico (14 de novembro de 2019 )
Foto: Pixabay

A capacidade de um mosquito transmitir dengue no Brasil aumentou 11% desde os anos 1950. A intensa queima de combustíveis fósseis piora a qualidade do ar nas cidades, causando doenças cardíacas e pulmonares. Nas últimas décadas, mais de 1,6 milhão de brasileiros foi exposto a incêndios florestais causados por fatores climáticos.

 

A mudança do clima pode comprometer os ganhos conquistados nas últimas décadas na saúde pública no combate à desnutrição e na proliferação de doenças contagiosas.

 

Crianças são particularmente vulneráveis a doenças relacionadas ao clima, assim como à exposição ao calor e à poluição do ar.

 

Os dados fazem parte da edição 2019 do relatório “Te Lancet Countdown”, diagnóstico global dos impactos da mudança do clima sobre a saúde humana feito pela Lancet, revista que é referência mundial no setor.

 

“Secas longas, chuvas excessivas e incêndios descontrolados estão aumentando a pressão sobre a saúde. Impulsionado em parte pela mudança do clima, o aumento contínuo da dengue pode logo se tornar incontrolável, com as incidências triplicando desde 2014”, diz Mayara Floss, médica residente de atenção familiar em Porto Alegre, segundo nota divulgada à imprensa.

 

“Lamentavelmente, o desmatamento de florestas maduras está aumentando novamente e o uso do carvão está crescendo. Não devemos desperdiçar o sucesso que obtivemos no passado com tanto custo”, continua.

 

O estudo foca, nesta edição, os impactos da crise climática na saúde das crianças no mundo.

“A vida de toda criança que nasce hoje será severamente influenciada pela mudança climática”, diz Rachel Lowe, da London School of Hygiene and Tropical Medicin.

 

A maior incidência de doenças infecciosas, como a dengue, está relacionada ao aumento da temperatura média, o que facilita o desenvolvimento do mosquito.

 

Ao mesmo tempo, no Brasil, segundo o relatório, o carvão aumentou sua participação na geração de energia em três vezes nos últimos 40 anos.

 

A poluição do ar contribuiu para 24 mil mortes prematuras no Brasil em 2016, diz o relatório.

 

“Os organismos e os sistemas imunológicos das crianças ainda estão se desenvolvendo, deixando-as mais suscetíveis a doenças e poluentes ambientais”, explica Nick Watts, diretor-executivo do relatório, na nota à imprensa.

 

“O dano ocorrido no começo da infância é persistente com consequências para a saúde que duram a vida toda”, segue Watts.

 

“The Lancet Countdown” foi produzido por 35 instituições globais, analisou 41 indicadores-chave de saúde e contou com a colaboração de 120 especialistas.

 

Com a subida da temperatura, crianças irão sofrer mais com desnutrição. O fenômeno pode afetar a produção de alimentos e causar aumento nos preços.

 

Outro dado do estudo é o que indica que 220 milhões de pessoas com mais de 65 anos de idade foram expostas a ondas de calor no mundo em 2018, o 4° ano mais quente dos registros. Isso quer dizer 63 milhões a mais que em 2017.

 

Em 2018, no Japão, 32 milhões de pessoas foram expostas ao calor, o equivalente a quase todos os japoneses com mais de 65 anos no país.

 

Os impactos, evidentemente, afetam a economia. Cerca de 45 bilhões de horas-trabalho foram perdidas no mundo em 2018 em comparação com o ano 2000.

 

Se a rota traçada no Acordo de Paris for seguida, dizem os pesquisadores, e o limite ao aquecimento global for bem abaixo de 2°C em 2100, as crianças que nascerem hoje poderão crescer em um mundo que conseguirá chegar às emissões líquidas zero quando tiverem 31 anos.

 

Isso garantirá a elas, e às gerações futuras, uma vida mais segura, pontua o estudo.


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