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A melhor estratégia é adaptar, não antecipar


Fonte: Valor Econômico (4 de novembro de 2019 )
Para Allen, equipes ágeis precisam se empenhar em micro batalhas com a liderança — Foto: Silvia Zamboni/Valor

A estratégia hoje está muito mais relacionada à adaptação do que à antecipação. Quem afirma é o consultor James Allen, líder global de estratégia da Bain & Company, que há trinta anos ajuda CEOs a fazerem o planejamento dos negócios.“Antes, se você não projetasse com perfeição o que aconteceria nos próximos dez anos, para saber em qual negócio deveria apostar e qual descartar, você seria demitido”, disse em entrevista ao Valor, em recente passagem por São Paulo.

 

Para ele, as perguntas que os CEOs fazem hoje para pensar a estratégia são diferentes. Antes, eles queriam saber qual deveria ser o seu negócio principal, agora se perguntam o que vão mudar em suas companhias para que elas ganhem velocidade. A estratégia hoje precisa ser cocriada com as pessoas que vão executá-la, não dá mais para decidir o que vai acontecer e empurrar as decisões para cima delas”, diz.

 

Allen acredita que existe uma perda enorme nas companhias, em termos estratégicos, quando as discussões são apenas horizontais. “Os CEOs se divertem com os comitês executivos e não interagem o suficiente com os clientes e os concorrentes”, diz. A liderança sênior precisa mudar esse comportamento, segundo ele. Para que as equipes treinadas para usar métodos ágeis de trabalho sejam bem-sucedidas, quem está no comando precisa saber que é preciso libertá-las.

 

“Eu recomendo que essas equipes se empenhem em micro batalhas junto à gerência sênior. Por exemplo, fazendo uma visita a cada quatro semanas para pedir recursos e a aceleração de processos”, diz. Em última análise, ele acredita que a liderança pode se aborrecer ou então vai passar a dar o suporte necessário. Sem essa mudança de atitude é inútil implementar a metodologia ágil. “Existe um mito de que quando você cria times ágeis precisa protegê-los de chefes seniores e maus.”

 

O papel do CEO, em sua opinião, não mudou tanto nos últimos anos. Na essência, é um cargo exaustivo. “Quando ele está exausto, se torna um complicador para a empresa”, diz. Mas, se estiver com energia, ele pode ser o simplificador. “Ele sabe que vai precisar se trancar por duas semanas em algum lugar para criar uma mensagem simples para todo mundo entender.”

 

O que precisa mudar é a forma como ele age na organização. Há muitas décadas, o CEO representa o topo de um sistema gerencial. “Mas esse é um sistema que foi projetado para trazer benefícios de escala para as organizações e hoje o que mais importa é a velocidade”, explica. A ação padrão no comando, segundo Allen, é sempre apoiar esse sistema que é ineficiente para fomentar o empreendedorismo e a mentalidade de fundador nos funcionários. “O seu trabalho, portanto, é equilibrar os dois lados”, diz.

 

O consultor diz que na nova era dos negócios é difícil construir uma cultura escalável quando todo funcionário é um algoritmo em potencial. “É preciso lembrar que o que mais importa ainda na empresa são as pessoas.”


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