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Tarifa de importação menor põe varejo e indústria em campos opostos


Fonte: Valor Econômico (29 de outubro de 2019 )

Varejo e indústria têm visões opostas sobre o plano do governo de reduzir as tarifas de importação para vestuário e calçados – de 35% para 12% e de 35% para 15%, respectivamente, em quatro anos. Enquanto a indústria diz que será um desastre, o varejo afirma que baratear a importação vai ajudar a reduzir os preços e beneficiar o consumidor.

 

 

Esse plano, ainda em estudo pelo governo, prevê um corte unilateral das alíquotas de importação sobre produtos industriais de 13,6% para 6,4%, na média, em quatro anos. A importação de vestuário e calçados seguem a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul.

 

A fatia dos produtos importados no varejo de vestuário gira em torno de 15% do mix oferecido nas lojas. No varejo de calçados, 3%, segundo dados fornecidos pela Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), que reúne grandes empresas como Renner, C&A, Zara, Carrefour, Lojas Americanas e Hering, entre outras.

 

“Vestuário e calçados são artigos essenciais para a população e não deveriam ter taxação tão alta. A tarifa de 35% é o teto permitido pela OMC [Organização Mundial do Comércio]”, disse ao Valor o presidente da Abvtex, Edmundo Lima.

 

Segundo os varejistas de moda, reduzir as tarifas de importação para 12%, no caso de roupas, e 15% para calçados, em um horizonte de quatro anos, abriria a possibilidade de reduzir os preços desses produtos ao consumidor. Ele deu como exemplo roupas de inverno, que não são produzidas em larga escala no país e chegam ao varejo a preços mais salgados.

 

“Os varejistas estão dizendo que, sim, se as tarifas de importação forem menores, os preços ao consumidor vão cair. E isso pode ajudar a fomentar o consumo”, disse Lima. O tamanho dessa redução também depende de outra variável, o câmbio. Por isso, diz o presidente da Abvtex, é difícil saber agora o tamanho desse possível corte nos preços.

 

Neste ano, os preços de vestuário sobem, mas em ritmo bem abaixo do índice geral de inflação (IPCA). No acumulado em 12 meses, até setembro, a inflação mostrava alta de 2,89%, o vestuário, de 0,8%, e calçados registravam queda de 0,32%, segundo dados do IBGE (ver gráfico).

 

A indústria têxtil ficou preocupada com a possibilidade de redução das tarifas. “O impacto seria desastroso”, disse, na semana passada ao Valor, Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Ele afirmou que as empresas poderiam reduzir os investimentos e a geração de emprego se a abertura ao produto importado fosse ampliada, sem que outras medidas fossem adotadas pelo governo, como a reforma tributária, por exemplo. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) também está se movimentando. Já deixou claro, em um encontro recente com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que a abertura ao produto importado precisa ser feita gradativamente, “no mesmo compasso da redução do custo Brasil”, nas palavras de Haroldo Ferreira, presidente da entidade.


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