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Prévias indicam prejuízo de até R$ 5 bi para Suzano


Fonte: Valor Econômico (25 de outubro de 2019 )
Foto: Getty Images

A dinâmica ainda negativa dos preços da celulose e o impacto da variação cambial no resultado financeiro fizeram estragos no balanço dos produtores de celulose e papel da América do Sul no terceiro trimestre. No Brasil, a Klabin divulga os números trimestrais na segunda-feira e a Suzano, n a quinta-feira. Os analistas esperam fraco desempenho operacional para ambas, mas, no caso da Suzano, cujo balanço foi alavancado pela fusão com a Fibria, o prejuízo no intervalo poderá se aproximar de R$ 5 bilhões.

 

O Valor compilou as estimativas de seis instituições financeiras – Credit Suisse, Itaú BBA, Bradesco, Morgan Stanley, BTG Pactual e J.P.Morgan – e todas apontam para resultado final negativo para a companhia. As estimativas variaram bastante, de R$ 3 milhões a R$ 4,96 bilhões, resultando em média simples de R$ 2,64 bilhões. A perda projetada se compara a lucro de R$ 1,02 bilhão um ano antes.

 

Analistas têm projeções divididas para a Klabin, com resultado entre um lucro de R$ 651 milhões a prejuízo de R$ 1,38 bi

 

O aumento das despesas financeiras e o impacto negativo da variação cambial na parcela da dívida expressa em moeda estrangeira e nas operações com derivativos explicam em boa parte o resultado líquido negativo, mas o fraco desempenho operacional também contribuiu. Neste trimestre, estará no centro das atenções o nível dos estoques de celulose da Suzano, que ao fim do segundo trimestre estavam em 3 milhões de toneladas, o dobro do nível normal.

 

Na média, as seis casas projetam receita líquida de R$ 6,22 bilhões entre julho e setembro, com queda de 37% frente ao mesmo período do ano passado – considerando os números da Fibria, incorporada no início do ano. Para o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado, os analistas esperam R$ 2,41 bilhões, baixa de 55%.

 

Vendas menores de celulose em relação ao terceiro trimestre de 2018 e uma queda de cerca de US$ 300 por tonelada nos preços da matéria-prima em 12 meses pesaram no desempenho operacional. Ao mesmo tempo, a Suzano reduziu o ritmo de produção, especialmente na fábrica de Aracruz (ES), o que resultou em menor diluição dos custos fixos.

 

Para os analistas Marcio Farid, Rodolfo Angele e Lucas F. Yang, do J.P.Morgan, a desestocagem frente ao segundo trimestre deve ter alcançado 250 mil toneladas, com o menor volume de produção e uma estratégia comercial mais agressiva, “que potencialmente resultou em ganho de mercado (mas também em preços inferiores)”.

 

O analista Caio Ribeiro, do Credit Suisse, crê que as vendas de celulose da Suzano devem ter alcançado 2,4 milhões de toneladas no trimestre, frente a produção de 2,1 milhões de toneladas, resultando em redução de 300 mil toneladas de estoque. “Mas estimamos preço líquido realizado de US$ 509 por tonelada (ante US$ 630 por tonelada no segundo trimestre), o que deve mais do que compensar a melhora nos embarques”, escreveu.

 

No Itaú BBA, os analistas Daniel Sasson e Ricardo Monegaglia também trabalham com embarques de 2,4 milhões de toneladas de fibra no período, alta de 10% na comparação trimestral puxada pela China, e queda de 17% nos preços médios realizados, para US$ 522 por tonelada. “É provável que o custo caixa de produção de celulose caia devido a menos paradas de manutenção e preços de energia ligeiramente mais altos, mas o custo do produto vendido por tonelada não deve refletir integralmente essa melhora no trimestre”, disseram. Em papel, o Itaú BBA projeta expansão de 13% nas vendas ante o segundo trimestre, refletindo a melhora sazonal, com alta de 2% nos preços domésticos.

 

Os analistas do Bradesco Thiago Lofiego e Isabella Vasconcelos destacaram o “início da cruzada de desestocagem” da Suzano no trimestre, e esperam que a combinação de embarques de cerca de 2,5 milhões de toneladas e produção de 2,1 milhões de toneladas resulte em queda de 400 mil toneladas no inventário. “Em nossos cálculos, isso deve levar os níveis de estoque para cerca de 2,8 milhões de toneladas”, escreveram. Por outro lado, os analistas destacam que a queda de US$ 154 por tonelada nos preços líquidos da fibra curta na China terá impacto significativo nos resultados – embora a Suzano deva ter realizado preços melhores do que a média do mercado.

 

Na Klabin, os preços da celulose e a parada para manutenção da unidade Puma mais do que compensaram a melhora dos negócios de papel. De acordo com a média das projeções dos seis bancos, a receita líquida da companhia deve ter somado R$ 2,44 bilhões entre julho e setembro, com queda de 13%. O Ebitda ajustado, por sua vez, deve ficar em R$ 773 milhões, 38% menor na comparação anual.

 

Para a última linha, porém, os analistas divergem quanto ao sinal: as estimativas variam de lucro de R$ 651 milhões a prejuízo de R$ 1,38 bilhão, frente a ganho de R$ 104 milhões um ano antes.

 

Para Ribeiro, do Credit Suisse, o desempenho foi afetado por preços 24% menores da celulose, na comparação trimestral, vendas de fibra 12% inferiores (a 327 mil toneladas) diante da parada para manutenção de duas semanas na unidade Puma e custo caixa de produção de R$ 821 por tonelada, também por causa da parada. Por outro lado, para o negócio de papel e conversão, o analista prevê volume forte, com expansão de 12% em cartões revestidos e de 9% em caixas de papelão ondulado.

 

Os analistas do Itaú BBA, por sua vez, observam que os preços realizados da celulose vendida pela Klabin devem ter sofrido mais no trimestre, com queda de até 20%, já que a companhia deixou de ser beneficiada pela diferença de 45 dias nas cotações decorrente do contrato comercial com a Suzano, que foi extinto. O banco projeta vendas de celulose de 335 mil toneladas, com queda de 15% na comparação anual, e 482 mil toneladas de papel, com alta de 5%.

 

O Bradesco, por sua vez, projeta custo caixa de produção de celulose de R$ 890 por tonelada no trimestre, na esteira da queda de 11% das vendas de celulose frente ao segundo trimestre, para 331 mil toneladas.


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