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Entrevista – Diferencial dos portos do Paraná está na eficiência logística


Fonte: Portogente (21 de outubro de 2019 )

O diretor-presidente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Fernando Garcia, é formado em economia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e tem no seu currículo passagens pela Secretaria dos Portos (SEP), do antigo Ministério dos Transportes, e pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). Ele conta ao Portogente como vem trabalhando para gerir os terminais paranaenses diante das exigências atuais do mercado, com o foco principal no investimento nas infraestruturas terrestre e marítima e na armazenagem.

 

Luiz Fernando Garcia orgulha-se de estar à frente de um “porto com logística inteligente”. Foto: Divulgação | Appa.

 

A Portos do Paraná foi a primeira administração pública portuária do Brasil a receber a autonomia plena. A decisão do Governo Federal é baseada em índices de eficiência da gestão, comprovados pelos números impressionantes na operação dos Portos. Isso favorecido pelo “Corredor de Exportação”, composto pelos nove terminais interligados e operações simultâneas, que elimina as paradas para troca de terminal e permite mais margem de negociação dos exportadores.

 

Portogente – Quais são os projetos atuais da Appa, considerando o cenário econômico do País?
Luiz Fernando Garcia – A principal preocupação da administração dos Portos do Paraná é preparar os terminais de Paranaguá e Antonina para o futuro. O cenário da demanda previsto dentro do Plano Nacional de Logística Portuária (PNPL), do Governo Federal, é que os portos paranaenses movimentem cerca de 85 milhões de toneladas de grãos até 2060. Para isso, investimos no tripé: infraestrutura terrestre, estrutura de armazenagem e infraestrutura marítima.

 

Na infraestrutura terrestre, investimos em melhorias nos acessos rodoviários e no aumento da malha ferroviária. Entregamos recentemente o viaduto na entrada de Paranaguá, na BR 277, com recursos de R$ 12,7 milhões. A avenida Bento Rocha, importante acesso ao porto, recebe novo pavimento, sinalização e ciclovia, com investimentos de R$ 15,9 milhões.

 

Na infraestrutura marítima, a dragagem de manutenção vai manter a profundidade no berços e áreas de manobra dos navios pelos próximos cinco anos. O valor investido pela Portos do Paraná é de aproximadamente R$ 403 milhões. Também estamos licitando as obras de derrocagem, para remover rochas submersas. Além disso, em 2020 vamos entregar o novo berço 201 -com um investimento de R$ 177 milhões – e contratar os projetos de remodelação do Corredor de Exportação, além de realizar a primeira grande reforma do Píer Público de Inflamáveis.

 

Outra importante conquista, que deve alavancar os investimentos e dar mais agilidade aos processos de arrendamentos, é a descentralização de competências. A Portos do Paraná foi a primeira administração pública portuária do Brasil a receber a autonomia plena. A decisão do Governo Federal é baseada em índices de eficiência da gestão.

 

Quais são as principais demandas atendidas pelo Porto atualmente? Qual o impacto do mercado interno e externo?
Mais de 92% das exportações do Porto de Paranaguá são de produtos do agronegócio. Somos os primeiros do Brasil na exportação de óleo de soja e frango congelado. Os segundos na exportação de soja, farelo de soja, açúcar, carne e álcool. E o terceiro do país em exportação de madeira.

 

Na importação, somos o principal porto de entrada de fertilizantes no Brasil. Quase 34% de todo adubo que chaga no país para as produções rurais, são via Paraná.

Com isso, o Paranaguá é o segundo porto brasileiro em valores movimentados, com superávit de mais de U$ 3,5 bilhões em 2018 e U$ 32,5 bilhões em corrente de comércio. O valor movimentado corresponde a 35% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado do Paraná, sendo superior ao PIB da Bolívia e próximo ao PIB do Panamá.

 

Quais vantagens operacionais, territoriais e tarifárias os Portos oferecem para seus usuários nacionais e também internacionais? Na sua opinião qual é o diferencial do Porto?
O principal diferencial dos Portos do Paraná está na eficiência logística. O nível de eficiência portuária influencia, diretamente, a competitividade dos produtos nacionais. Uma alta eficiência portuária conduz a baixos custos de exportação que, por sua vez, favorecem a concorrência das mercadorias nacionais nos mercados internacionais.

 

Com pouco mais de 5 km de cais e 24 berços, os portos de Paranaguá e Antonina conseguem movimentar mais carga, em tempo inferior, aos portos públicos com o mesmo perfil. A produtividade por metro linear de cais chegou a 10 mil toneladas em 2018. Santos, maior complexo portuário da América Latina, movimentou cerca de 8 mil toneladas para cada metro de cais. O porto paulista conta com uma extensão de cais de quase 16km e 66 berços de atracação.

 

Os Portos do Paraná diminuíram em 27% o tempo médio que os navios esperam para atracar no cais. Nos primeiros seis meses de 2018, um navio esperava, em média, 194 horas desde a chegada na baia de Paranaguá até a atracação. Em 2019, este tempo foi reduzido para 96 horas.

 

A permanência para operação também ficou menor. No ano passado, a média era de 54 horas no cais, 9% a mais que neste ano (50 horas). A eficiência reduz os custos dos exportadores e importadores e aumenta as vantagens de fazer negócios pelos portos de Paranaguá e Antonina.

 

No Brasil, Paranaguá é referência no pagamento de prêmio positivo para exportação de soja: “o prêmio da soja”. A eficiência do porto e a confiança do mercado na qualidade do produto exportado são essenciais para a formação dos preços de exportação e têm impacto direto no lucro dos produtores. Um dos diferenciais é a preferência de atracação para navios que já tenham carga pronta para o embarque. Assim, o tempo de espera ou lay time, fica abaixo da média e reduz os custos de estadia do navio.

Além disso, o formato do Corredor de Exportação, com nove terminais interligados e operações simultâneas, acaba com as paradas operacionais para troca de terminal e permite mais margem de negociação dos exportadores.

 

Para o cenário futuro, quais são as obras previstas, objetivos e metas a serem alcançados, no sentido de incremento da gestão e dos negócios?
Grandes obras preparam o Paraná para receber 85 milhões de toneladas de carga, previstas para serem movimentadas nos portos do Estado até 2060. O projeto de ampliação do cais, com implantação dos píeres em “T”, “F” e “L”, está em fase de estudos de impacto ambiental. Além de ampliar a capacidade de embarque e desembarque, as obras vão gerar emprego e renda. A previsão é gerar até 600 empregos diretos durante a construção e, na fase de operação, empregar até 200 trabalhadores em cada empreendimento.

 

Corredor de Exportação da Appa. Imagem: Agência de Notícias do Paraná | José Fernando Ogura.

 

O Corredor de Exportação, área para embarque e desembarque de granéis sólidos, será ampliado. O píer em formato T será paralelo ao cais que já existe, com estrutura para receber mais quatro navios de forma simultânea. Além disso, a construção será na bacia de evolução, permitindo maiores profundidades com menores esforços de dragagem.

 

O complexo para exportação de grãos ganhará ainda uma nova área: o píer em formato F, no setor oeste do cais atual. Serão dois píeres de carregamento, paralelos ao cais acostável e interligado à extremidade oeste do berço 201.

 

O projeto também prevê a ampliação do píer de inflamáveis, que ganhará dois novos berços, em um novo píer em formato L.


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